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“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí, entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente.”

Carlos Drummond de Andrade


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Aos leitores,

Prestigie o escritor(a) da sua cidade.
Compre e leia seus livros!


O INDISFARÇÁVEL PESO DAS AUSÊNCIAS

Imagem noturna da Rua Alba Gonzaga - Centro

Quando posso gosto de dar umas voltinhas pelos arredores de onde moro. Não vou muito além porque tenho motivos para limitar o passeio em apenas poucos quarteirões. Durante o percurso, olho para um lado, inspiro, respiro, olho para o outro lado e repito o procedimento anterior… Olho para o céu e vejo as estrelas, admiro-as; procuro à lua, quando ela está visível tenho ímpetos de acariciá-la tamanha a beleza, tamanha a distância entre mim e ela… E talvez por isto ela seja objeto de minha eterna busca… eu a chamo de “poeira dourada.” Durante este espetáculo tão natural percebo minha cidade… Ela está perdendo aquele jeito interiorano. Nossos hábitos, principalmente eles, estão longe de serem hábitos de um lugar com aproximadamente 80.000 habitantes. Aqui nos vestimos de liberdade, apenas isto, liberdade do supérfluo, nada mais profundo, mais questionador. Em contrapartida vejo a falta de limites do desamor, e me pergunto: “Até quando vamos permitir que seqüestrem a nossa cidade?” Precisamos, nós, o povo, termos pensamentos e ações mais avançadas contra o absolutismo, o elitismo… Precisamos olhar ao nosso redor, conferir para reivindicar o que a nós pertence: “a vida de nossa terra!” Nosso chão está enfermo, está capengando em meio ao lixo das ruas que nós, os moradores, jogamos, deixando as lixeiras limpas. Esta ação poderia ser evitada se nossos governantes usassem os meios de comunicações para esclarecer, pedir, punir com multas aquele que suja, que fere e mancha o nosso sertão. Nosso chão está enfermo em meio aos chamados “lotes vagos”, vagos de construções, mas todos derramando mato e lixo. O que fizeram da lei que obriga aos proprietários destes depósitos de sujeiras e doenças erguerem muros para que nossos olhares não vejam a sujeira debaixo do tapete? Onde estão às pessoas que foram designadas para nos defender e nos deixa à mercê do vandalismo nas madrugadas do desrespeito, adoecendo e transformando o nosso chão num lugar onde TUDO PODE? Sigo andando… Vagueando… Tropeço nos altos e baixos das calçadas permeada de aclives e declives, sem placas indicativas de “PERIGO.” Sempre posso parar e olhar além da janela do meu pensamento e é justamente isto que faço; a paisagem fixa , paisagem de prédios e casas, sem ipês coloridos, sem uma rosinha sequer; apenas paredes de concreto, o chão de concreto, paredes de concreto, chão de concreto… Tudo desbotado, sem feições, sem beleza. A tarde se foi, a noite chega desacompanhada; fiquei imersa na escuridão da rua sem flores, calçadas desiguais, em meio ao lixo jogado na rua pelos próprios habitantes, pouca ou nenhuma árvore – a massa escura me impede a enxergar com nitidez. É claro, o escuro! A rua é apenas sombras… Há postes, há luzes, mas a escuridão persiste tornando propícia aos bandidos de plantão. Temerosa, retorno devagar; dentro de mim começa a habitar o medo das sombras da rua quase escura, e dos indisfarçáveis remendos do chão sem árvores, sem flores!…

Há neste chão um espaço em branco que pede para que escrevamos nele!

Alda Alves Barbosa


Sátira do texto – “Ficar na sua” não é uma boa

E agora , José
O povo cansou,
A paciência esgotou
O sono chegou
A noite esquentou
O verão brotou
E agora José?
***********
E agora José?
Você que engana
E na madrugada inflama
Recolhe na cana
E pensa que ama
José, para onde?
***********
Se você não celebrasse
Se você não bebesse
Se você não enlouquecesse
Se você crescesse
Se você se enaltecesse
E sua vida tecesse
O que você seria José?
*************
Seria um homem
Sem codinome,
Seria a honra
Não a desonra,
Teria o respeito
Porque tudo tem jeito! …
*************
Se até você tem jeito,
Ora, me dá o direito
De dormir no sossego
“Pro dia amanhecer feliz!”

Alda Alves Barbosa


Para quem gosta de uma boa leitura

Bartolomeu Sozinho é um velho mecânico naval moçambicano aposentado do trabalho, mas não dos sonhos ardentes e dos pesadelos ressentidos que elabora em seu escuro quarto de doente terminal. Ele é atendido em domicílio por Sidónio Rosa, médico português. A narrativa entrelaça a vida de Bartolomeu, de sua mulher, Munda, da ausente e quase mitológica Deolinda, filha do casal, do dedicado Doutor Sidonho, bem como de Suacelência, o suarento e corrupto administrador de Vila Cacimba, um lugarejo imerso em poeira e cacimbas (neblinas) enganadoras. São vidas feitas de mentiras e ilusões que tornam difícil diferenciar o sonho da realidade. Em ‘Venenos de Deus, Remédios do Diabo’, o autor moçambicano confronta verdades e mentiras na história de um médico português e seu paciente africano, ligados pelo destino de uma misteriosa mulher.


Fragilidade – Poemeto

Este adeus ao dia
Sem o dever cumprido,
Estas horas que tento redimir
Este vício de você…
Bastava fechar os olhos e deixar
A lembrança perseguir a noite.
Imensa. Quase nada. Quase tudo.
E, no entanto, se um verso não
Termina, se uma palavra tarda,
Sinto que você está me dizendo
Adeus.

Alda Alves Barbosa


ILUSÃO – Poetrix


VIDA

Vi as marcas do tempo
Em meu rosto, em meu corpo,
Na folhinha da parede,
No pensar cansado,
Nos livros amarelados,
Mas não vi o tempo passar.
***
Tive tantas mortes… Tantas vidas…
Sem sair do útero do universo.
***
Tenho amor em mim.
Mais amor que medo,
Mais amor que tristeza,
Mais amor que tudo –
E tudo é nada perto do amor
Que tenho por ti!

Alda Alves Barbosa


Pé de Cerrado

Olá leitores!

Infelizmente não poderei postar uma matéria no nosso cantinho essa semana…
Desde já, peço desculpas! Até breve…

Danielle Rezende


Beleza para Poucos olhares – Gruta do Gentio 2

A gruta do Gentio 2 é naturalmente bem iluminada e seca, o que permitiu a preservação de exemplares arqueológicos em bom estado, apesar de sua antiguidade. Nas três últimas décadas os pesquisadores encontraram e recolheram na caverna uma grande variedade de objetos milenares, como artefatos de pedra, de cerâmica, de osso, restos de fios de algodão e cestaria, além de poucas peças de madeira. No sítio arqueológico também localizaram a mais antiga cerâmica em território brasileiro, fora da Amazônia, com 3,5 mil anos.

Alda Alves Barbosa

Pesquisa feita no blog: ultimaparada.wordpress.com


CHORO


Choro pela vida
E não vida das crianças
Crianças inocentes
Crianças sem dengos
Crianças do realengo.
***
Choro pela criança de rua
Sem rumo, sem prumo…
Criança nua!
***
Choro pela criança sem nome
Sem sobrenome, que tem fome,
Que tem sede… Sede de vida!
***
Choro pela criança sem infância
Que não brinca… Que tem medo
Eu choro pelas crianças que não têm
Amanhãs!
***
Eu choro
Pelos filhos do desamparo
Pelos netos da desesperança

Glorinha

Cantinho Poético e Gosto de músicas cantadas na próxima página


♫♪ Gosto de poesias cantadas ♫♪

Nem o sol, nem a lua, nem eu
Lenine

Hoje eu encontrei a Lua
Antes dela me encontrar
Me lancei pelas estrelas
E brilhei no seu lugar
Derramei minha saudade
E a cidade se acendeu
Por descuido ou por maldade
Você não apareceu

Hoje eu acordei o dia
Antes dele te acordar
Fui a luz da estrela-guia
Pra poder te iluminar
Derramei minha saudade
E a cidade escureceu
Desabei na tempestade
Por um beijo seu

REFRÃO:

Nem a Lua, nem o Sol, nem Eu
Quem podia imaginar
Que o amor fosse um delirio seu
E o meu fosse acreditar

Hoje o Sol não quis o dia
Nem a noite o luar.


Cantinho poético

Canção da ruazinha desconhecida

Ruazinha que eu conheço apenas
Da esquina onde ela principia…

Ruazinha perdida, perdida…
Ruazinha onde Marta fia…

Ruazinha em que eu penso às vezes
Como quem pensa numa outra vida…

E para onde hei de mudar-me, um dia,
Quando tudo estiver perdido…

Ruazinha da quieta vida…
Tristonha… tristonha…

Ruazinha onde Marta fia
e onde Maria, na janela, sonha…

Mario Quintana


Frestas de Claridade

Ó lua que corre
Pela vaguidão do céu,
Lua cheia, crescente
Traz fios de luz… Resplandecentes

Alda Alves Barbosa


“FICAR NA SUA” NÃO É A MELHOR OPÇÃO

Nos dias altamente estressantes em que se vive, o silêncio deve ser compreendido como um direito do cidadão, diferentemente do que vem ocorrendo em Unaí e quase que na totalidade do nosso país. A poluição sonora é o mal que atinge os habitantes das cidades, constituída em ruído capaz de produzir incômodo ao bem-estar ou malefícios à saúde, cujo agravamento merece hoje atenção especial dos profissionais de direito. É importante esclarecer que a poluição sonora não é, ao contrário do que pode parecer numa primeira análise, um mero problema de desconforto acústico. A total ausência de respeito com as pessoas deste nosso chão passou a constituir um problema ambiental e, iminentemente, uma preocupação com a saúde pública. Trata-se de fato comprovado pela ciência médica os malefícios que o barulho causam à saúde, sendo que os ruídos excessivos provocam perturbação da saúde mental, além de danos na audição. Além do que poluição sonora ofende o meio ambiente e, consequentemente afeta o interesse difuso e coletivo, à medida que os níveis excessivos de sons e ruídos causam deterioração na qualidade de vida, na relação entre as pessoas, sobretudo quando acima dos limites suportáveis pelo ouvido humano ou prejudiciais ao repouso NOTURNO e ao sossego público. Diante de tantas consequências deixo aqui algumas perguntas e, sinceramente, gostaria de respostas:
- Alguém já percebeu a situação caótica que nós unaienses nos encontramos devido à falta de limite e de educação dos nossos jovens e até dos adultos?
- Sabia que nestas chamadas “Lojas de conveniências” não ficam apenas jovens que ainda pretendem, não sei quando, ter uma profissão? Ali também estão advogados e muita gente cheia de “respeitabilidade” ajudando a adoecer o nosso povo, desrespeitando as leis ! …O que dizer daquele que deveria respeitar e não respeita ? Em momento nenhum excluo as mulheres respeitáveis também, ali estão elas desrespeitando tudo e todos.
- Sabia que ali, além dos gritos, das batucadas, das bebedeiras, do (Tum-Tum-Tum) das chamadas músicas, também fazem sexo em plena rua?
- Sabia que nas madrugadas, menores de idade, estão bêbados, drogados… Eu disse menores de idade!
- Sabia que a maioria as população de Unaí está indignada com o que está acontecendo nas noites unaienses?
-Sabia que não sabemos a quem recorrer para que noturnamente tenhamos paz ?
-Sabia que aqui em nossa cidade há muitos “alis” . Muitos “alis” ! Sabem em qual ali seu filho está? E refém de quê e de quem?
Eu de cá sei de quem estou refém: Dos pais ausentes, refém do descumprimento das leis ; refém da ausência de autoridades para solucionar este problema social ; refém de um sistema pouco convencional ; refém do excesso de tolerância e refém da certeza do continuísmo ! E tudo isso pelas ausências… Até quando?

Alda Alves Barbosa


Tardiamente – Poemeto‏


Soneto do Esperar

Neste sol flamejante
Pedras vibram de calor,
Espero-te neste chão faiscante
Com o coração doído de amor.
***
O dia já passou tantas vezes aflito
Eu banhada pelo crepúsculo maduro
Ó hora dolorosa, emoções insinuam o grito
Do despertar triste… Obscuro!
***
Volta ó moreno, ao lugar de onde partiste
Aqui te espera um coração noturno
E lágrimas de dor rastejantes nas faces!
***
Volta, ocultarei de ti a sombra imensa
Onde habita a desesperança, o silêncio
Da angústia do meu leito em chamas, disfarces…

Alda Alves Barbosa


Novamente Só!


A solidão pesa,
E se ela é grande
Alegro-me com isso
Pois o que seria uma
Solidão sem a grandeza?
***
Mas há apenas uma solidão,
Ela é intensa com ritmos próprios,
Difícil suportar seu crescimento
Doloroso… É triste como as tardes
Chuvosas, quando se olha o mundo
Derramando lágrimas, escrevendo
Poemas num impulso primitivo.
***
Solidão… Uma solidão interior
Entrar em mim mesma
E ficar sozinha,
Solitariamente
Só!

Alda Alves Barbosa


GRUTAS EM UNAÍ – BELEZAS PARA POUCOS OLHARES

Distante cerca de 160 km de Brasília, Unaí, no noroeste mineiro, tem mais de 20 grutas. Algumas com pinturas rupestres e ossadas milenares. Com cerca de 80.000 habitantes, este cerrado é “dono” deste magnífico tesouro. Pesquisadores encontraram ao menos 10 cavernas com formações geológicas milenares, lagos transparentes e pinturas feitas por alguns dos primeiros habitantes do centro do país. Os homens antigos também deixaram gravuras em paredões e em pedras encravadas no cerrado. Estes locais apresentam hoje como museus pré-históricos explorados por poucos cientistas, minguados adeptos de esportes radicais e quase nenhum turista, por falta de informação e de infra-estrutura para a visitação. As pinturas das cavernas nítidas, levando-se em conta o desgaste sofrido ao longo tempo em exposição. As mais expressivas ficam na Gruta do Gentio 2, a 30 km do centro da cidade. Ela começou a ser ocupada há cerca de 10.250 anos, de acordo com pesquisas realizadas nas décadas de 1970 e 1980. Existem ainda vestígios de um ponto cerimonial, com pinturas em vermelho no teto e nas paredes onde foram depositados corpos parcialmente cremados.

Consulta feita no blog ultimaparada.wordpress.com/category/minas gerais

Alda Alves Barbosa


Pé de Cerrado

Pensando em questões tais como a aprovação do novo código pelo Senado, a construção da usina de Belo Monte, a conjuntura histórica atual,  surge um sentimento de inquietação… É um descaso, desrespeito com a própria humanidade! O que tem acontecido com a sociedade? Será que está doente e não percebe, não questiona, não se posiciona? Será que foi o próprio sistema que nos deixou assim? Imóveis, sem criticidade, sem perguntar o por que e para quem são realizadas efetivamente determinadas ações. Do nada caimos no discurso fatalista, ‘não há nada que eu possa fazer para mudar a situação.’ Será mesmo? Ultimamente duas vertentes me dão perspectivas de transformação, de dinâmica de mundo, e são essas a escola e a força do poder popular.  É como já foi dito em um Pé de Cerrado, o que eu desejo à todas as pessoas, é que não se acostumem com o mundo como ele está. Que a fome, a miséria e a opressão, não sejam incidências normais nas mentes humanas. E quando digo sobre essas questões, remeto diretamente à valores.  Me reconhecer no outro, não é questão somente de religião, é antes de tudo, questão de humanidade, de coletivo, de consciência, de compaixão, sentimentos que só acrescentam e desenvolvem o todo de maneira igualitária.

O vídeo postado acima, faz referência ao direito dos povos, a preservação dos recursos naturais e ao sistema capitalista…

'Cacique Raoni chora ao saber que Dilma liberou o início das construções de Belo Monte'

“que os indivíduos possam ver nos outros suas próprias contradições.”Mauro Iasi

Danielle Rezende


Lamento

Quando criança
Morei em casa de taipa
Coberta de sapê,
Chão batido pra pisar
Fogão à lenha pra cozer,
No fundo da casa um riozinho
Que me dava água pra beber.
***
O ar era puro, a fome de doer
Tempos difíceis vividos na
Minha infância, jamais vou
Esquecer!…
***
Mas tudo era um paraíso,
Nas noites de lua cheia
O terreiro todo clareava,
No céu milhões de estrelas
Com nossas brincadeiras
Piscavam.

Gilson Miranda


Arte em Cabaça

ARTE NA CABAÇA – O CERRADO CRIANDO ARTES NOBRES DE BELEZA INFINDA!
A TÉCNICA E A CRIATIVIDADE RESULTANDO NO MAIS BELO ARTESANATO UNAIENSE!
Um trabalho de Joacélia Rodrigues Barbosa e Iris Martins Ferrei
ra

BRINQUEDO -JOÃO – BOBO

Enquanto vivemos de sonhar
Adoramos brincar
Brinquedo é segredo
Do imaginário criando…
E a rua me convidando
Para a liberdade ousar!

Alda Alves Barbosa


Cantinho Poético

BOLHAS

Olha a bolha d’água
no
galho!

Olha o orvalho!

Olha a bolhade vinho
na rolha!
Olha a bolha!

Olha a bolha na mão
que trabalha!

Olha a bolhade sabão
na ponta da palha:
brilha, espelha
e se espalha
Olha a
bolha!

Olha a bolha
que molha
a mão do menino:

A bolha da chuva da calha !

Cecília Meireles


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