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VISITE O MUSEU DE UNAÍ

Eu e Alberto M. Ferreira no Museu de Unaí

O museu de Unaí está comemorando  quatro anos de existência.  Hoje dia 18!05 é o DIA MUNDIAL DO MUSEU. Eu estive lá e convido você a fazer o mesmo. Prestigie o que é nosso! Um bom final de semana para todos. Até segunda-feira.

Alda e Danielle


VOO SENSUAL (Poetrix)

    Borboletas de ouro
Asas brilhantes, ardentes
Carícias vaporosas.

Alda Alves Barbosa


DIA MUNDIAL DO MUSEU – 18 DE MAIO

A palavra “MUSEU” de origem grega significa “Templo das Musas. Ao visitar um museu, estamos automaticamente adentrando a uma autêntica ‘ Máquina do Tempo. ’ Os museus nos apresentam uma maravilhosa viagem pelos séculos. Uma oportunidade cultural de conhecermos coisas, objetos, pessoas que nem imaginávamos existir. Os museus são casa que guardam carinhosamente um passado com sonhos, sentimentos e pensamentos. Representam pontes que nos liga, a mundos, templos e culturas diversas. Ao visitar museu um processo cultural é conhecido. Portanto, visitar um museu representa voltar ao tempo, conhecer a história de cada cidade, estado, país… Tudo isto voltado para a valorização do conhecimento humano.

 Autor – Susane Bigheline – Recanto das letras

                                             MUSEU DE UNAÍ

                             

 Há quatro anos foi inaugurado em Unaí o “Museu Histórico Maria Torres Gonçalves,” tendo como diretor Luiz Anselmo de Sá. Ali reside a nossa história, contada através dos objetos, dos documentos, das fotografias, que retratam fielmente o nosso passado. Este espaço está aberto a todos que querem conhecer o jeito de ser e viver do unaiense. Mas apesar de termos este “retrato de nós” o nosso Museu está necessitando muito de um envolvimento maior da nossa população colaborando na doação de peças antigas, que muitas vezes estão guardadas de qualquer jeito, ou mesmo esquecidas em um canto qualquer. Se interessar pelo passado do lugar onde nascemos, ou residimos, é um jeito de dizer que ama a cidade que o acolheu… É dizer que o vaivém das mãos que o embala para você realizar seus sonhos, tem como recompensa o seu respeito, o seu amor. Este amor pode vir de formas diferenciadas… Como você ama Unaí? Qual a sua contribuição com o lugar onde você nasceu ou reside? Procurar conhecer a sua história é uma atitude de amor… E doar o seu passado ao local onde se é guardado o passado do Unaiense é uma verdadeira  demonstração de cidadania.

Como não podia deixar de ser o nosso Museu – na pessoa do seu diretor Luiz Anselmo- comemorou e comemora os seus quatro anos de fundação e o dia Mundial do Museu com muita cultura presenteando o nosso povo com músicas, peças teatrais, danças, capoeira, apresentação da Banda de Música Muncipal , exposição de fotografias do carnaval de Unaí 2012, xilografias, cerâmicas, dentre outros.

Visite o Museu Municipal “Maria Torres Gonçalves” –
Rua Dr. Joaquim Brochado, 197 – Bairro Capim Branco
Site – www.museudeunai.com.br -
Alda Alves Barbosa


Pé de Cerrado

Olá leitores queridos,

Hoje resolvi compartilhar um texto, pois assim como o escritor sinto as mesmas coisas, tenho a mesma indignação e acredito que sejam palavras repletas de reflexão e vontade de mudanças…  O texto é um pouco extenso, mas é uma leitura que vale a pena!

Cái no mundo e não sei voltar

Eduardo Galeano


O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…
Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!
Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os aparelhos de som uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez. Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!
É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que havia em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.
Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar. Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?
Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.
Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de … anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
Desse tempo venho eu.  E não que tenha sido melhor…. É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com “guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa”, mudar para o “compre e jogue fora que já vem um novo modelo”.
Troca-se de carro a cada três anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado… E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas… por amor de Deus!
Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.
E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.
Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (porque éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.
Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular há poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos…
Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê?  Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.
Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas dos primeiros rádios Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.
Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.
Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia “esta é um 4 de copas”.
As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.
Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!
E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.
E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.
Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.
Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue…

Eduardo Galeano é jornalista e escritor uruguaio


UM PENSAMENTO… UM OLHAR…‏

“Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão…
Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que,
de mim, arrancam lágrimas e canções.
Eu só poderia acreditar em um Deus que soubesse dançar.
E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene.
Era o espírito da gravidade. ele é que faz cair todas as coisas.
Não é com ira, mas com riso que se mata. Coragem!
Vamos matar o espírito da gravidade!
Eu aprendi a andar. Desde então, passei por mim a correr.
Eu aprendi a voar. Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar.
Agora sou leve, agora vôo, agora vejo por baixo de mim mesmo,
agora um Deus dança em mim!”

Nietszche


Cantinho Poético

Amar e ser amado

Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento:
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano —,
Beijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante — amado —
Como um anjo feliz… que pensamento!?

Castro Alves


REPOUSO (Poetrix)


ENTREGA

Olhei para ti dormindo
Tão só, tão abandono…
Fio de vida debruçado
Sobre a pedra escura.

Minhas mãos pousam
Sobre tua cabeça. Sinto
A florescência das flores
Enfeitando teus sonhos
No caos do cotidiano.

As cores embelezam a
Brisa fria que roça teu
Corpo… Arrepios enfeitam
Tua pele e beijam tua alma.

Nos teus lábios o gosto
Exausto da vida.

Alda Alves Barbosa


REFLEXÕES

Um Único Estilo de Vida não é Viver, é Ser Não nos devemos apegar assim tão fortemente às nossas tendências e temperamento. O nosso talento principal é sabermos aplicar-nos a práticas diversas. O estar vinculado, e necessariamente obrigado, a um único estilo de vida não é viver, é ser. As almas mais belas são as que têm mais variedade e flexibilidade. Se me fosse possível constituir-me a meu modo, não haveria nenhuma forma, por melhor que fosse, na qual eu me quisesse fixar de sorte que não fosse capaz de dela me apartar. A vida é um movimento desigual, irregular e multiforme. Não é ser amigo, e muito menos senhor, de si mesmo, deixar-se incessantemente conduzir por si e estar preso às próprias inclinações que não possa desviar-se delas nem torcê-las – é ser escravo de si próprio.
Digo-o neste momento por não me poder facilmente desembaraçar da importunidade da minha alma que consiste em ela normalmente não saber ocupar-se senão do que a absorve, nem aplicar-se senão por inteiro e de forma tensa. Por mais trivial que seja o assunto que se lhe dê, ela logo o aumenta e estica a ponto de ter de se empenhar nele com todas as forças. A sua ociosidade é-me, por esta causa, uma ocupação penosa e prejudicial à saúde. A maior parte dos espíritos precisa de matéria de fora para se desentorpecer e exercitar; o meu dela antes precisa para se acalmar e repousar «os vícios do ócio devem-se dissipar com o trabalho» – Séneca – pois o seu principal e mais laborioso estudo é de si mesmo.

Michel de Montaigne,ensaísta/escritor francês – 1533/1592  in ‘Ensaios – De Três Espécies de Convivência’


Frutos do Cerrado

Árvore do murici do cerrado

MURICIZEIRO

De origem brasileira, o murici pertence ao gênero Byrsonima e à família Malpighiaceae, mesma família da acerola. Estima-se que o gênero Byrsonima tenha mais de 200 espécies, sendo que 100 delas estão distribuídas pelo país, nos estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, São Paulo, Tocantins e Distrito Federal, com a maioria podendo ser encontrada na região amazônica. De acordo com suas variedades, as espécies de murici distinguem-se por suas cores e locais de ocorrência, sendo conhecidas como murici, muricizinho, orelha-de-burro, douradinha-falsa, orelha-de-viado, murici-amarelo, murici-branco, murici-vermelho, murici-de-flor-branca, murici-de-flor-vermelha, murici-da-chapada, murici-da-mata, murici-da-serra, murici-das-capoeiras, murici-do-campo, murici-do-brejo e murici-da-praia.
Na região Nordeste o murici é amplamente comercializado, e em termos comerciais pode ser comparado à pitomba, caju e jambo. Muitas pessoas, principalmente a população carente, utilizam a polpa dessa fruta misturada à farinha, resultando em um prato calórico e nutritivo. A polpa também é muito utilizada na preparação de doces, sorvetes e licores.
O muricizeiro pode ser considerado uma árvore ornamental, por florescer e frutificar durante o ano todo.
No cerrado, a árvore do murici pode atingir até 4 metros de altura, com folhas grandes e pilosas (para proteger as gemas apicais da ação do fogo). Com sabor forte e agridoce, é consumido in natura e na preparação de sorvetes, licores e doces. Seus frutos também são muito utilizados para aromatizar e amaciar a cachaça, por possuírem sabor e aroma peculiares e intensos.
A madeira da árvore do murici-do-cerrado pode ser empregada na construção civil e também na confecção de móveis de luxo, por ser de cor avermelhada ou amarelada, acetinada e brilhante.
Em algumas regiões do país as folhas do murici são utilizadas na medicina caseira, no combate à tosse e bronquite, e ainda como laxante. As folhas também são consumidas pelo gado, o que lhe confere grande potencial forrageiro. A casca da árvore serve como antitérmico, e por ser adstringente, pode ser utilizada em curtumes. Da casca também se extrai um corante preto empregado na indústria de tecidos.

Por Paula Louredo Moraes


Leia bons livros

“Um país se faz com homens e livros”

Leia… Os limites cairão por terra, o olhar terá mais profundidade…
E as escolhas serão feitas após profundas  reflexões.

Alda Alves Barbosa


QUERER INCERTO

Se eu deixasse de te amar
Me esvaziaria de ti
Seria em mim o vazio de
Esvaziar-se de mim mesma.

O meu querer é um
Querer incerto
Medo incomum da solidão,
Delírio do só
No desassossego do nada.

Na ausência das recordações
O vazio, habitante de mim.

Alda Alves Barbosa


SUSSURROS (POETRIX)


MEU PRIMEIRO AMOR SOU EU

Acordei distante de mim. Não sei se foi pela hora em que a noite já anunciava a sua escuridão ou pela consciência de que os medicamentos não me deixavam viver, mas também não me deixavam morrer. Mas poderia ser o silêncio do mundo que abraça todos os domingos nossa cidade. Silêncio porque as vidas viajaram ou porque se recolheram no seio familiar. Os motivos pouco interessam, a verdade é que acordei na hora que todos já se preparavam para dormir. Levantei-me fui para o espelho. Uma mulher fixou seu olhar em mim e balbuciou: “Por que não vai? Todo instante que chega é o tempo passando… Indo… Vá e encontre os caminhos que a leva para o amor, para a liberdade de sentir, de se entregar ao outro sem reservas, sem temores.” Rapidamente me virei e dei de encontro com o solitário quarto; eu e meu existir, tão só… tão solidão! Voltei para o espelho. Lá estava ela: “veja, olhe bem para esta mulher que é você! Ela a ajudará a transpor os obstáculos que encontrará na sua longa procura porque é preciso lembrar que o mundo não é feito de espelhos, Procure me sentir. Nós duas somos “Você.” Acredite. Onde seus passos lhe levar, ela estará habitando seu interior, acompanhando-a em todas as estradas que percorrer. E quando encontrar o amor outra pessoa entrará em seu mundo e ele, o mundo, ficará sem fronteiras. Procure o outro sim, mas não se esqueça de acarinhar sua existência.

Sou eu o meu primeiro amor, o outro será por mim amado, mas depois de mim… Então seremos nós dois: eu, ele e o sentimento que nos une.

Alda Alves Barbosa


SEREMOS QUANDO DECIDIRMOS

Haverá sempre um tempo para ser o que seremos quando decidirmos ser. Sonhar tem o preço da esperança. Simplesmente seja…

Alda Alves Barbosa


Não sou mãe, fui filha… Continuo sendo!

À todas vocês mães, as que não geraram seus
filhos, as que se sentem mães por amarem o seu
semelhante, às mães do mundo e de todo mundo,
nosso abraço carinhoso!

Alda e Danielle


AUSÊNCIA MATERNA (Poetrix)

Longe você anda
A flor reflete
Seu grito morto!

Alda Alves Barbosa


NA CONTRAMÃO DA MATERNIDADE

Penso que as mães não precisam necessariamente de mais exaltações. Cada mãe conhece o valor que possue exercendo o papel de “vingar” e criar um ser humano. Ela é mantedora do saber que o difícil não é prover o alimento, as necessidades do corpo, mas sim formar alma. Nada mais sublime… Formar alma com a interferência do DNA e do meio em que o filho vive é tarefa árdua e exige a leveza da mulher nesta formação, porque não se trata de esculpir pessoas, mas sim direcioná-las ao viver puro e nu. Mas e a mulher que não é mãe? Que não pode ser, ou não quis quando podia ser? Será que há algo, por mínimo que seja, para se falar sobre o que não é? Sim há. Quem é sabe o que é. Quem não é também. Não há no calendário um dia alegre nem triste para ela, aliás, não existe dia, mas sim escuras noites solitárias! Não ser mãe, não parir ninguém é pastorear nuvens, contar carneirinhos para não perceber a noite conduzindo o dia ao cotidiano oco sem a presença do grito Maieeê! Pastora de nuvens, pastora do olhar, pastora dos braços abertos com o nada para abraçar. Pastora de nuvens, útero deserto, vigia do improdutivo, sombra da existência. Pastora do deserto humano, miragem das lágrimas, horizontes diminutos, sem estrelas, sem luas… Tronco sem galhos, sem frutos… Finitude sem vestígios. Pastora da terra de passos suaves para não acordar ninguém.

Pastora de todos!

Alda Alves Barbosa


Cantinho Poético

Minha mãe

Vinicius de Moraes


Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora.  Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão. que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama

Que eu estou com muito medo, minha mãe.


O que restou… {Poetrix }

Ó linda flor do cerrado
Vem do caule das ausências,
Amargo é o deserto.

Alda Alves Barbosa


Sugestão de Filme

Aos 17 anos Noel Rosa (Rafael Raposo) é um jovem engraçado, que possui um defeito no queixo e gosta de improvisar quadras debochadas para os amigos. Noel estuda medicina e toca numa banda regional, com outros garotos do bairro. Noel gosta da companhia de operários, negros favelados e prostitutas, com quem rapidamente faz amizade. Até que um dia conhece Ismael Silva (Flávio Bauraqui), compositor que o desafia a compôr um samba. Noel usa uma paródia ao Hino Nacional para compôr “Com Que Roupa?”, que faz grande sucesso nas rádios de todo país. A partir de então ele se dedica de vez ao mundo do samba, mudando a história da música popular brasileira.


HÁ UM TEMPO…


Há um tempo em que é preciso…
abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

(Fernando Pessoa)


ENCONTROS E DESENCONTROS

Texto De Artur da Távola

Cada encontro está carregado de perda. Ou perdas. O encontro entre duas pessoas que vão se envolvendo e culminam no amor e consequentemente são felizes, ao fim da felicidade, um deles, o que continua amando, abraça a dor, chora. Ou fica triste. Ou abaixa os olhos. Ou perde a vontade de passear pela vida. A vida para. É a perda que está escondida no deslumbramento de cada encontro. Penso que o encontro humano é tão raro que, mesmo quando ocorre já vem carregado de desencontros passados. E cada desencontro é perda porque é a irrealização do que teria sido a possibilidade de afeto. E é justamente a experiência destes desencontros que nos ensina a valorizar cada vez mais os raros encontros que a vida nos concede. A própria vida é uma espécie de ante-sala do encontro. Resta saber se estamos encontrando com o todo ou com o nada. Talvez ela, a vida, nada mais seja do que uma preparação do encontro com o desencontro, o que deixa claro que cada encontro está carregado de perdas: quando você está perto de alguém e consegue expressar; aquelas pessoas que deixam você num extremo cansaço de explicar as coisas; aquele que só emite, não deixa você colocar seu ponto de vista; Aquele que você admira tanto, que lhe impede falar; a pessoa que só pensa naquilo que vai falar e não no que você está dizendo para ela; quem já vem conversar com você com posições já definidas; alguém que o ama ou o detesta sem nunca ter sofrido ao seu lado. Tudo isto são desencontros, são perdas. E no ato de sentir-se feliz, associa-se a idéia do passageiro, do amanhã cheio de interrogações, do amanhã sem o que dá significado. E uma tristeza se instala: a tristeza feliz que é associada ao momento bom, como perda inevitável a cada encontro, com um sentimento de certeza que tudo passará. É a consciência do não-ter na hora de ter. Mas quem se alegra demais se distancia da felicidade. A alegria é Divina na medida em que é um dom, uma graça, uma pequena luz doada aos homens para enfrentar a vida. Alegria não é felicidade. Está mais perto da tristeza do que da alegria. Felicidade está perto da tristeza, porque a certeza da perda se instala a cada vez que estamos felizes. É esta certeza – a da perda – a que provoca aquela lágrima ou aquela angústia que se instala após os verdadeiros encontros. “Há sempre uma despedida em cada alegria. Há sempre um <<depois?>> após cada felicidade. Há sempre uma saudade na hora de cada encontro. Antecipada. Só salvaremos disso quem deixa de estar feliz para ser feliz, quem passa do estar para o ser.


SONHOS – MULTIPLIX

Meu corpo dança// Ao sabor do vento// Rodopio leve
Em direção ao som//Magia do querer// Alvo sedutor
Vibrante da esperança // Companheira divina// Do Jogo do amor
Orgástico prazer// A flutuar//No sublime impulso do voo
No Jogo amoroso// Na travessia //Da fantasia
Dos Inefáveis amantes// Compondo sonhos // Oh! Poesia!

                                Alda Alves Barbosa


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