
São cinco horas e dois minutos. Ainda estou sentada em frente à tela do computador tecendo histórias, alinhavando palavras para dar ritmo ao poema. Em seguida procuro um bom livro para indicar. Não sei se alguém interessará por esta indicação de leitura, não sei se alguém lerá meu poema ou interessará pelo conto que escrevi. Nada sei, mas quem pode afirmar que sabe algo? Esta afirmação leva à outra pergunta, que levará à outra, tudo muito questionável: um saber de nada, um perguntar sempre… Por isto não questiono e não tenho a mínima necessidade de fazer isto. Não por ter certezas, mas justamente pela ausência delas. Claro que escrevo para que alguém leia, mas não quero pensar nisto. Se ninguém me lê, eu escrevo e também me leio. E isto se chama prazer. Prazer de pintar as palavras, de fazer coreografia dos sons e magicamente transformá-la em poesia. E tecer poesia é tecer beleza. Belezas soltas, rimadas, não importa, o que me interessa mesmo é a tentativa de musicar palavras, de fantasiar a vida. Acontece de muitas vezes eu entrar em colapso com elas. Nada a fazer a não ser me recolher, entrar no silêncio e olhar a poesia do mundo. E pensar que nem sempre consigo olhar o mundo com o colorido poético! Mas tudo passa, as palavras retornam calmas querendo ser usadas. Os textos eu os escrevo procurando possibilidades. Entro nas asas das divagações, flutuo, só assim começo a contextualizar uma prosa com a preocupação de deixá-las soltas, desencaixadas, livres. É o movimento solto do pensamento. O oposto seria engaiolar sentimentos. Não gosto de gaiolas, luto incansavelmente para fazer uso da minha liberdade, de sentir o prazer de estar indo. Desejo intensamente o prazer de ‘estar indo’ mas nem sempre posso ir. Aquieto-me, minha imaginação faz a travessia por mim. Seis horas e seis minutos. Terminei. À noite e a madrugada foram minhas companhias. Entrego a vocês este pouco construído por mim, na leve esperança que alguém leia e goste. Agora darei um abraço neste novo amanhecer e deixarei aqui as reticências… Não quero chegar sem aprender o caminho.
Alda Alves Barbosa











