DEPENDÊNCIA DO OUTRO

 

Sentada numa cadeira em frente a janela do seu pequeno quarto, olhava tristemente a chuva que insistia em cair transformando o asfalto num rio caudaloso engrossado pelos bueiros entupidos de  lixos despejados nas ruas pelos habitantes do país de terceiro mundo. A janela fechada era o único obstáculo que impedia a mistura de suas lágrimas ao choro dos céus. O açoite do vento tremulava a janela e o seu corpo. Certamente se elas não estivessem trancadas os sopros dos ventos chicoteariam seu rosto. Se a tristeza fincara morada em sua vida, a obscuridade da chuva trazia o inevitável torpor, a sensação do não – existir na leveza do nada. Seus pensamentos não silenciavam, tinha desejos e necessidades. ‘’-A vida é longa… Os dias sem ele, sem surpresas, passado, presente e futuro repetindo no tempo’’- Ficar sem ele, não queria essa independência, gostava de anular-se para ser, gostava da resignação de devoção ao amor, a resignação era doce, era brisa que refrescava. Ela nascera para pertencer, para obedecer, para viver o outro. Os pequenos filamentos que a prendiam a ele  com o tempo engrossaram e formaram raízes. Estava cristalizada nele, amava-o, dele dependia a sua eternidade, eternidade de vida ou eternidade na morte… Mas o amor era só seu ,o outro coração batia no compasso indiferente ao pavor que se instalara nela.  Seu lado sombrio manifestava na ausência de possibilidades de viver no só; ela o queria com o corpo, com a alma, enquanto ele prosseguia a caminhada para o longe dela. Passivamente escancarou a janela… Como um pássaro alçou voo flutuando na vaguidão do espaço.

                                       Sim, agora ela era tristemente feliz.

Alda Alves Barbosa         

2 pensamentos sobre “DEPENDÊNCIA DO OUTRO

  1. Adorei tudo tudo tudo…..sua criatividade sensibilidade e percepçao da vida. Continue nos presenteando com toda essa maravilha viu? Bjs. Heloisa e Teresa Lusia.

    • Heloisa e Luzia, estou muito feliz por terem tido um tempinho para visitar o meu site, pois sei o quanto são ocupadas. Obrigada pelas palavras carinhosas com que qualificaram os meus “escritos”, vindas de vocês eu estou tentada a acreditar, pois vocês são verdades. E com certeza se não estivesse dentro de um contexto cultural, como é a proposta do site, e fosse medíocre, creio que vocês educadamente dariam um jeito de me alertar. Obrigado pelas palavras tão gentis d e por favor, toda semana percam um tempinho comigo, tenho sempre novas matérias fundamentadas em pesquisas e certamente com o meu olhar. Por favor, fale com a Maria Tereza que o livro dela é muito bonito. Não tem a negação da tristeza, fala dela e arruma um substitutivo para ser feliz. Dê a ela o end. do meu site, quem sabe ela arranjará um tempinho para vê-lo?Obrigada a vocês, Heloisa e Luzia, espero que estejam muito bem, eu de cá, estou bem, graças ao nosso bom Deus. Um beijo e um grande abraço com muito carinho. Alda

Sua opinião é importante para nós. Participe com um comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s