ETERNAMENTE

Auxiliadora, para você . . . Amizade sem necessidade de perdões

Não acredito em acasos, tudo leva a um propósito, ou seja, o mundo conspira a favor ou contra. Para sabermos temos que viver o tempo e aguardar. O tempo nos leva a encontros. Encontramos pessoas que passam rapidamente pelas nossas vidas, nos olham pouco, sem demoras, seu tempo conosco tem a duração do passar do vento. Saem das nossas vidas, sem acrescentar ou nos subtrair nada; foram, e sem interferências nos deixou sendo o que éramos. Suas ausências não deixaram a presença de saudades, não significaram… Nesta aldeia que vivemos o reencontro poderá acontecer, mas corremos o risco de não lembrarmos de que um dia esse alguém transitou em nosso mundo. Foi o desconhecido que partiu, é o desconhecido retornando sem residir novamente. Outros chegam, entram em nossas vidas e nos olham demoradamente. Com o nosso consentimento, invadem as nossas existências: riem demais, falam demais, têm soluções prontas, põem palavras em nossa boca, elas carregam dentro de si as respostas da turbulenta existência humana… Fincam moradas, nunca olham para a porta aberta num convite à partida. Um dia descobrem o desconhecido, já não olha para ele com demoras, o medo emerge do fundo do poço. Medo de que nós conheçamos as suas tão humanas fragilidades. Então partem, vão para onde possam ressuscitar o imaginário para poderem ser novamente. Seus olhares demorados ficam, o jeito imaginado também. Se as encontramos nesta aldeia, encontramos com a invenção, as essências não emergiram, são as criaturas fugitivas, fazem a travessia,mas não deixam significados. Outras pousam seus olhares no definitivo, e esses olhares de eternidade brotam flores, gestam e nascem poesias. O outro chegou para eternizar passando pelos processos do conhecimento através da convivência e da parturição daquele que escolhemos. O mundo apequenado transforma-se em vertentes de escolhas significativas. As histórias são partilhadas, é a amizade sem economias, é o reconhecimento transformando o outro em único. Não estamos mais sós, vivemos as perdas e as ausências de mãos dadas com o outro. São os laços humanos sustentando as fragilidades da nossa condição de seres inacabados. E aquele olhar definitivo intensificado nas presenças, olhado no pensamento das ausências, comemora seus quarenta e seis anos. Amizade gestada, parida naturalmente, sem maquiagem, sem máscaras… O tempo indócil não conseguiu interferir na solidez fraternal desenvolvida anos após anos e edificada com a sabedoria que o passar das luas nos presenteia a cada momento. Quarenta e seis anos de amizade sem a cobrança do convívio, sem o caminho da dúvida… É a amizade sem disfarces! Eternamente…

Alda Alves Barbosa

2 pensamentos sobre “ETERNAMENTE

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