COMO FRÉDÉRIC CHOPIN CONHECEU UNAÍ

Chopin perdoe-me, mas hoje não quero ouvir Nocturno op. 9/1 em Sí Bemol Menor, noturnamente prefiro a musicalidade na madrugada das “Vassouras Cantante” espraiando no ar o ritmo suave da orquestra formada pelos “arranhos” das palhas no chão. Perdão, mas agora tenho predileção por acordar no amanhecer para assistir a estréia do espetáculo “Limpeza do Nosso Chão” OP.(operação) no “concerto” ainda em tempo, dos intérpretes que empregam seus braços na pureza musical da varredura do nosso cerrado. Perdoe-me novamente, mas gosto mais da orquestra na noturna/madrugada do lirismo dos trabalhadores dialogando na ópera “Transparência das Ruas Unaienses”, onde o forró foi dançado, onde o amante levou a pior, o bate-boca com a vizinha que chegou aos extremados puxões de cabelos… Prefiro sim Chopin, ouvir a sonoridade do carrinho de mão sendo levado pelo “bendito é o fruto entre as mulheres”, na beleza de ver o lixo sendo retirado das ruas na sinfonia da pá rasgando o asfalto. Mais uma vez Frédéric (desculpe-me a intimidade do tratamento) perdoe-me, mas em meu descanso “Noturno” quero ver as partituras dos grupos, as divisões das métricas por metro quadrado e a busca pelos instrumentos indispensáveis para que a Orquestra Sinfônica inicie a clássica sinfonia “Cidade Limpa Povo Civilizado” com o Prelud (Prelúdio) OL (operação Limpeza). Cada detalhe na partitura deve ser observado, a pureza de uma obra de arte deve ser respeitada a todo custo. Por limpeza também se pode traduzir religiosidade musical, o gosto pela música Sacra tão tradicional em nossa Minas Gerais e tão incomum em nosso rincão! Quero Ó Chopin, numa atmosfera solene dos “concertos” nas ruas, ao acordar abrir a minha janela, acompanhar os aplausos e os clamores do “bravo, bravíssimo” da finalização do “concerto” da pureza erudita das nossas ruas, o recomeço da limpeza do nosso patrimônio ainda não histórico, mas com histórias relevantes e irrelevantes. Os termos relevantes e irrelevantes estão corretos, Fred? Ó desculpe-me a pretensa familiaridade! Mas dando continuidade ao assunto, este será o maior clássico da história unaiense, jamais haverá um concerto igual, aliás, nunca antes na história de nenhum país houve um ato semelhante para deixar registrado nos livros de memórias mundial; esta proeza é só nossa, ela nos pertence, não façam cópias piratas, pirataria é crime… Escusa-me meu amigo Chopin por entediá-lo com este concerto tão irreal aos seus olhos e ouvidos, mas tão necessário para esta terra. Vamos Fred, seja solidário, ajude-me a aplaudir o sol brilhando na “cidade limpa” ao som da orquestra sinfônica ritmada, juramentada, sacramentada… Vamos? Um, dois e… Bravo, Bravíssimo!!! Plaf… Plaf… Plaf… Plaf…

6 pensamentos sobre “COMO FRÉDÉRIC CHOPIN CONHECEU UNAÍ

  1. Sensacional sua postagem! Sinceramente? As palavras me faltam quando leio um artigo dessa dimensão! Parabéns e, sei que há uma inspiração divina ao “criar” com tanta sabedoria. As palavras se encaixam e há uma sintonia maior, em tudo que você “faz”.

    • Sonia, é trabalhoso, mas prazeroso. Quando se vê tudo pronto da uma sensação de inteireza com o mundo, de estreitamente de laços com o universo e principalmente com o nosso chão tão desprovido de cuidados! Esta sátira foi escrita através de um olhar demorado sobre as ruas da cidade. O centro estava pedindo socorro, fiquei indignada com o descaso para com a população e a nossa Unaí. Estamos nos chamando de quê? Somos o quê? Porcos que fazem da sujeira o seu habitat? Estão nos afrontando com o descaso, estão tirando a nossa condição de seres dignos e ninguém faz nada. Até quando Sonia, a população unaiense ficará subjugada a tanto descaso, a tanta humilhação? Obrigado, o seu comentário foi o primeiro, mas gostou das outras matérias? Um grande abraço e obrigada por tudo…

  2. Adorei!!! Você mais uma vez mostrando que nossa terrinha precisa de cuidados, que o descaso para com o povo e nossa terra esta passando dos limites, tomara que quem realmente precise leia e tome atitude de cuidar e preservar o que é de todos nos. Precisamos de mais gente como você urgentemente!! Continue querida , usando as palavras para colocar um pouco de razão e de vergonha na cara desses politicos e coroneis que fincaram raizes não tao profundas em nosso cerrado, falo não tão profundas porque o que realmete querem dai é só encher as burras e enrriqueceerm cada vez mais, deixando de lado as prioridades atão necessárias para nosso povo.
    Bjos…

    • Soloange, a situação em nossa boa terrinha está vergonhosamente intolerável. Ruas cheias de lixos, e capins, lotes vagos idem, ratos,escorpiões. A campanha contra a dengue está em todos os jornais locais, mas as ruas estão propícias ao criatório do mosquito. Acho que só um jeito, sugiro encontrarmos aquele personagem da flauta mágica que tocando sua flauta os ratos o seguiram e morreram afogados. Só que há um porém ou muitos: Será que só os ratos vão acompanhá-lo? E os outros animais peçonhentos? Será que terão a mesma sorte? Reivindicar, soltar o grito, é o que o povo precisa fazer. Um grande abraço e muito obrigada por tudo.

  3. Nunca imaginei que uma crítica pudesse ser tão lírica e ao mesmo tempo tão aguda. Um texto primoroso. A orquetra até toca bem, prima. O maestro é que não ajuda. Parabéns!

    • Oi meu querido primo, então gostou da sátira que fiz? Obrigado pelo “lirismo e agudez”, a intenção foi esta mesma. Como amo poesia, tento ser poeta e também sou uma escritora que transforma a vida das suas personagens trágicas em poesia, não posso fazer de outra forma, poetizo o “impoetizavel”(rsrsrs tenho licença poética para inventar o termo), mas diante do impraticável eu invento poemas suavemente agudos, chama-se recados líricos, olha esta ideia foi me dada por você. Entrei em seu site, adorei, passeei por todas as retas e curvas e deixei meu comentário: E estou passando o endereço do seu site para os inconformados unaieneses, aliás a turma está crescendo com uma rapidez impressionante!Quem era contra continua contra e quem era a favor agora é contra. Se este inconformismo continuar será que sobrará alguém para… Bjus em seu coração.

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