UNAÍ, UM CHÃO QUE NÃO SE ACERTA

Umas cidades dão certo. Outras não. Umas progridem. Outras regridem. Unaí pertence à segunda categoria. Pensando bem, não é que ela não está dando certo; alguns anos atrás ela caminhava pelas mãos seguras de seu povo que a levava para caminhos onde se podia colher os frutos do respeito à sua população. Hoje? Hoje colhemos traumatizados o plantio ineficiente de secretarias na cidade onde o lixo emerge do chão num átimo de tempo, onde temos que ter pernas fortes para transitar entre uma e outra repartição – ainda bem  que temos a calçada do Córrego Canabrava para fortalecer os músculos das pernas do nosso povo – Andamos… Andamos… Entre caminhos e descaminhos chegamos a um imóvel alugado, funciona ali uma secretaria. Andamos… Andamos… Chegamos a outro imóvel alugado;ali também funciona uma secretaria. Andamos… Que cansaço! Não seria mais viável fazer as contas direitinho no papel e contar bem certinho quantas secretarias temos, o preço de cada aluguel, calcular o tempo contratual na máquina FACIT para não haver erros na somatória? Isento-me de qualquer verborragia, como também estou isenta de diploma de engenharia civil ou de arquitetura, mas confio na minha capacidade somatória, por isto recorri a todos os segmentos necessários e na via-crucis das pernas fortalecidas pelo cimento nas margens do Corguinho, refiz os itinerários às secretarias e com o “jeitinho brasileiro” e o “come quieto” mineiro, fui desvendando os segredos guardados no panorama abismal da absoluta desnecessidade da essencialidade da existência de tamanha “gastança”. Sentei numa calçada de uma rua qualquer e fiquei a “matutar”: “Tem gente esperta demais neste mundo de meu Deus”, ou não, é gente apenas com dificuldade para fazer contas de mais, de menos, de multiplicação e divisão. Divisão não: Sabem sim, souberam dividir as secretarias em cada imóvel alugado, então quer dizer que conta de dividir sabem fazer. Mas como sou ‘minerim’ acho que tá errado, pelas minhas contas essa dinheirama gasta nos aluguéis dá pra construir um prédio para as secretarias eficientes ou ineficientes, necessárias ou desnecessárias, mas que dá,dá, pelas minhas somas, pelas minhas contas de menos, de multiplicação e de divisão, olha que o dinheiro dá pra fazer uns agrados ao povo, cujo os espinhos terminam invariavelmente nas costas daqueles que por não fazer a caminhada para o fortalecimento das pernas, não têm  como escapar do grasno estridente do pé-de-pano do desenho animado, ah isso não dá! A comicidade do pé-de-pano, não está na variedade de erros, pelo contrário, está no repisamento infinito do mesmo erro.
Mas vamos retornar ao assunto da gastança. Eu reconheço que é uma herança maldita. Não saber fazer contas para “diminuição” de gastos é coisa de brasileiro. Brasileiro finge não saber somar, mas ele soma bem: soma aqui, soma ali, soma acolá, pronto: a soma tá pronta e o “ganhame” do outro também. Este tá comprometido até o pescoço, método eficiente esse, nunca vi igual; todos saem ganhando e é obvio de maneiras diferentes.
Pensando cá com meus botões, cada um tem seu talento, o meu é contar, somar, diminuir, multiplicar e dividir, isto quer dizer que sei fazer as quatro operações “direitim”, outros gostam só de dividir, outros tantos de amealhar, outros não sabem nada, quer dizer, sabem sim pensam que nós “minerim” somos uma cambada de trouxas… Somos não, mentira, até que fomos um dia, mas nos aguarde  “minerim come quetim, quetim”… Até lá!

Oráculo de Unaí

13 pensamentos sobre “UNAÍ, UM CHÃO QUE NÃO SE ACERTA

    • Oi meu querido, obrigado pelas suas palavras; Palavras bonitas e incentivadoras. Você meu fã? Não, eu é que sou sua fã.Criança como você, só você. Eu também te amo muitoooooooooooo. Bjus. Tia Alda

  1. Alda, que matéria espetacular, sensacional mesmo!!!!! amei…..pensando aqui, pensando alí…..somos minerin de raça.
    Somando, multiplicando, dividindo e finalmente diminuindo não demora vamos ter bons resultados se, cada um dos representantes de nossa amada Unai chegarem a um demoninador comum, porém, tendo como objetivo o mesmo alvo, ou seja: a população unaiense.
    Grande beijo prá voce amiga

  2. Sabe Alda, Unaí está retrocedendo aos anos em que o que importava era a política e não o povo. Nossa cidade esta prestes a retornar ao período “Tão x Saint’Clair”, onde todos brigavam, não pela cidade, mas sim pelo poder.
    Até quando nós Unaienses vamos ficar assistindo a tudo isso e vendo cidades muito menores que a nossa si expandirem de forma brilhante, enquanto Unái se estaciona por mais “Alguns anos”.
    Parabéns por suas matérias.

  3. Lé, gostou mesmo? Este tipo de matéria satírica tornou-se necessária em nosso cerrado. Só satirizando mesmo, senão infartamos de tanta indignação! Somos minerim sim, mas aproveitamos bem a lição, nunca repetimos os erros, aqui neste chão foi a excessão, mas espero em Deus que a lição seja bem lida e compreendida. Isto é importante, ler o texto, compreendê-lo e se necessário por em prática. Nós minerim somos astutos, não mandamos recados, resolvemos… num é isso mineirinha unaiense? Um grande abraço amiga minerim,

  4. Prezada Alda,
    Li com atenção o seu texto. Partindo de você, filha de Unaí e com a boa formação que tem, o título mais apropriado seria: Unaí, um chão que se mexe em busca de acertos. Nossa Unaí está se formando como cidade e ainda se estruturando para receber o crescimento ordenado que todos nós desejamos.
    Concordo plenamente sobre a necessidade de eliminar despesas com aluguéis, construindo um centro administrativo para melhor atender a nossa população. Nos últimos dez dias falei, publicamente, quatro vezes sobre o assunto. Acredito que nos próximos anos, independentemente de quem seja o prefeito, esse espaço administrativo será construído.
    Um abraço respeitoso e feliz 2011 pra você e pra os seus familiares.
    Seu amigo Branquinho.

    • Prezado Branquinho,
      Obrigada pela sua visita ao “nosso “Site Raízes. Com certeza uma surpresa muito agradável. Você tem razão quando refere a mim como “filha de Unaí”, sim sou filha , neta, bisneta, tataraneta e…deste chão. Aqui a família Barbosa está.desde o princípio de 1800, pois em 1814, José Rodrigues Barbosa foi enterrado na Fazenda Jardim. A cópia do inventário está em nosso poder e o original encontra-se em um cartório de Paracatu. A minha mãe, Alves de Souza e Martins Ferreira, estão entre as famílias que desbravaram este cerrado. Como vê Branquinho, pertenço a este chão e aqui deixarei meus restos mortais.Após tantas explanações quero lhe dizer que escrevo compulsivamente, acho que faz parte do DNA, assim como o seu primo e meu sobrinho e outros tantos da nossa Família.
      Gostaria muito de mudar o título da sátira que postei em meu site, mas infelizmente não posso porque estaria contrariando os meus princípios. Morei em BH por 30 anos e quando retornei, a nossa cidade crescia de uma forma assustadora, o que quer dizer que ela já havia encontrado a estrada certa para continuar na caminhada. Mas de repente estagnou. Parou no tempo e retrocedeu. Nada foi acrescentado, pelo contrário, sairam de Unaí serviços necessários à população e foram para Paracatu e Montes Claros. Consequentemente temos que fazer a travessia para resolvermos nestas cidades o que nos foi tirado daqui. Mas não me refiro só a isto, mas olhe as nossas ruas, estão sujas, sempre as ruas de Unaí foram varridas. Agora não. E as nossas praças mal cuidadas, sem flores, nossas ruas estão nuas, sem arborização, apesar do clima quente.O meu Rio Preto, sem peixes. O corguinho, o tempo e o descaso deixaram nele apenas uma veia de água que corre timidamente para o Rio Preto. Unaí já era para ter uma universidade para que todos pudessem ter oportunidade de crescer profissionalmente, pois a faculdades pagas além de não oferecerem diversificações de cursos, são pagas e o povo não tem dinheiro para custear o seu próprio crescimento. E quem tem poder financeiro sai daqui pela pouca oferta de cursos.Culpa de quem? De quem está no poder agora? Não sei, mas acredito que a população tem sua parcela grande de culpa. O lixo não é no lixo, o que não presta vai para dentro da veia do corguinho, depredam escolas e espaços públicos… Estas são nossas culpas. O que sempre prejudicou este chão foi e é a politicagem. As divergências são muitas e os egos se inflamam de poder, aliás, o nosso país é assim, é a nossa herança maldita!Não sou política, aliás tenho horror a esta metaformose de pessoa para político e lhe digo de coração, que se o voto não fosse obrigatório eu nunca teria entrado em um local para votar, mas é lei, então não há alternativas. Sou poeta e escritora Branquinho e vejo esta situação de forma diferente, o meu olhar demora mais para amadurecer o sentimento e conseguentemente as palavras fluem e dançam num ritmo apressado de quem sonha em ver tudo com beleza. Precisamos mudar a nossa visão de que está bom o mais ou menos, não, somos muito mais que isso:Estamos em primeiro lugar em produção de grãos, podemos ficar em primeiro lugar também na cultura de letras e palavras, na beleza das praças, na ruas limpas e arborizadas, podemos ser primeiro lugar na recuperação da nossa terra. A mim não importa quem está no poder em Unaí, sou autêntica, meu amigo, se fosse a pessoa mais importante do país que estivesse no comando de Unaí eu escreveria as mesmas coisas, porque assim eu as vejo e assim a nossa cidade está. Basta dar umas voltas por ela, não precisa ir muito longe não. Olha os lotes vagos, os capins favorecendo a proliferação do mosquito da dengue. Eu ouvi por uma emissora de rádio o prefeito dizendo que havia enviado à Câmara Municipal um projeto para a limpeza destes lotes e foi rejeitado o projeto. Mas existe uma lei para isso, realmente não entendi. Mas deixo isto para vc resolver, político é você, foi meu pai, foi Tão, foi Adélio e tantos outros, a mim cabe ver e escrever poeticamente ou satíricamente. Mas faço aqui uma ressalva, mostro o que a cidade precisa, mas também o que foi e vai ser feito pela nossa cidade para sua melhoria será evidenciado aqui neste espaço. É a democracia se fortalecendo. Espero sinceramente poder mudar este título em um futuro bem próximo. Quanto ao Centro administrativo a ideia é excelente, cortar gastos se faz necessário em todo nosso país. Ah, Branquinho, é por ter esta formação que você fala é que eu enxergo além do que se pode ver, esta formação nos da uma visão críitica o que é muito saudável porque foge à uniformização de pensamentos, ideias e olhares. Conheço pessoas Branquinho, que possuem inúmeros cursos, pós, doutorado, mestrado e não conseguem sair da mediocridade. Obrigada mais uma vez pela visita ao meu “nosso” site e espero sinceramente que o visite por outros motivos.
      Um braço a você , a Neuzani e toda sua família e um feliz 2011
      Sua amiga Alda

  5. Prezada Alda,
    Obrigado pela forma gentil que recebeu a minha participação. Entendo tudo e concordo com algumas colocações. Nas perdas para Paracatu devo informar que apenas a Receita Federal deixou Unaí, em que pese os nossos esforços. Desconheço qualquer serviço público que tenha migrado para Montes Claros. Em compensação recebemos, de 2005 até hoje o Corpo de Bombeiros, a Superintendência do Meio Ambiente, a 16 Região da Polícia Militar, o Dpto. Regional da Polícia civil, a Sup. Reg. de Ensino, a Vara da Justiça Federal, além das Reg. que já existiam, como EMATER, Gerência Reg. de saude, IEF, e IMA . Meu abraço e o meu apreço, Branquinho.

  6. Parabéns pelas matérias.
    Você foi muito feliz e verdadeira em seus comentários.
    Continue escrevendo e ajudando a população Unaiense.
    Pena que os comandantes da nossa Unaí não aceitam críticas.
    Mas 2 anos passam rápido e dias melhores virão.
    Beijos.
    Aparecida Torres

    • Aparecida, sabe aquela música de Chico Buarque que tem um refrão “a coisa aqui tá preta”, olho Unaí e sinto isso: Não só mato, o local onde funciona a Unimontes, a saúde, o lixo que faz de nossa terra um lugar visualmente feio, mas o descaso, este é mais agressivo, agride mais a nós moradores. Atrás deste jeito de olhar a nossa terra eu vejo outros motivos. Você não? Beijos, Alda

  7. Cara Alda,

    Políticas Públicas não é o forte de nossos dirigentes. Boa parte do noticiário diário está dedicada a isso. Contudo é preciso lembrar sempre isso e você lembrou bem! Se procurar-mos em bibliotecas, livrarias e até mesmo na internet encontraremos inúmeros trabalhos publicados sobre o assunto. Temos o diagnóstico, sabemos qual é a terapêutica e não fazemos o que é preciso.
    A impressão que tenho é que a “coisa” pública é algo a ser tomado por um ou mais grupos com o objetivo principal de usufruir privilégios. E o que é pior, o grupo perdedor que deveria fazer a oposição aceita o jogo e no meio fica o povo. Coitadinho do povo!Boa parte não lembra o nome do vereador em quem votou!
    A política velada do “não é comigo” associada a do “vou-me-dar-bem” e a do “Danem-se”, onde o individual prepondera sobre o coletivo é atávica e muita água passará por baixo e por cima da ponte e muita encosta deslizará e muita gente vai sofrer até que possamos, algum dia, quem sabe, ver alguma centelha translúcida no fim do túnel.

    Toda cidade precisa ter dono e dono da cidade deve ser o POVO.

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