Escolhas

A insônia levitava o lugar mal iluminado. As portas todas abertas, as janelas descansavam na pouca brisa que por ali entrava, nas poucas lâmpadas as mariposas voavam. As poucas conversas bocejam entre o sono e o calor. Esperar lento, trabalhoso. Eu queria a trégua, eu queria o sono, eu queria dormir. Noite de espera inquebrantável de estar sempre esperando o princípio da agonia para que a noite faleça e o sono da madrugada seja liberto do suplício da noite e voe rumo à eternidade. O ficar acordada traz de volta a nostalgia, me faz necessitar da existência do inacreditável. Não consigo (con)viver com o que não entendo. Gosto da solidão da noite, mas tenho medo do só: o só me remete à eternidade do morrer. Mas desejo a vida cheia de flores, uma vida entregue ao vento, na pungência do belo, mas justamente isso é que sempre coube tão pouco dentro de mim: a suavidade, a leveza da alegria…  Não sei conviver com a dor, também não sei conviver com a alegria. Tudo é muito cansativo, exige o repensar de valores até a exaustão: fico cansada, triste, mas é uma tristeza bonita, calma, de uma lucidez insólita. Estou agora dentro do vazio? Esta clareza de tudo é o vazio? O que farei com toda esta lucidez, toda esta calmaria? De alguma forma já percebi que os dias não permanecem, passam, outros chegam trazendo as variações do cotidiano. A mim cabe escolher entre sofrer o dia ou viver o dia. Tudo é tão inexplicável, o prazer, a dor, a alegria… Alternância de sentimentos, o comum na comunhão com a vida. Vejo-me entre a alegria e a tristeza, a morte e a vida. Deixar-me inundar pela alegria é dar oportunidade à vida para nascer ou renascer? Vou nascer…

Alda Alves Barbosa

5 pensamentos sobre “Escolhas

  1. Adriano, agradeço-lhe muito por estar visitando o “nosso” site e postando comentários. O comentário é de suma importância para nós que escrevemos; através deles podemos avaliar se estamos agradando ou se ainda precisamos melhorar e onde.Gosto muito da Clarice Lispector, possuo quase toda a obra dela e ela vai direto naquilo que precisamos ouvir. Palavras ditas com beleza e complexidade, tão complexa como ela, mas com verdades que nos fazem refletir. Sim Adriano, Clarice tem razão: “A vida só é possível reiventada.”, se reiventarmos o cotidiano… Um grande abraço e seja bem-vindo!Obrigado pelas palavras com que vc adjetivou meu texto.

    • Aprendi meu querido, que a beleza está na simplicidade. Foi um aprendizado difícil, cheio de atropelos, mas consegui construir asas para fazer voar o pensamento, pois acredito que do mais alto que conseguimos chegar dentro de nós mesmos, está a nascente da simplicidade. O parir foi difícil, mas viver com esta leveza nos tira a dificuldade do respiro. Beijos

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