OS JOVENS E AS DROGAS


Em algumas culturas as drogas ajudam as populações pobres e miseráveis a suportar as misérias financeiras e humanas. É o caso dos hindus que tomam chá de maconha e do índio da Bolívia, que mascam folhas de coca. Mas quais os fatores que levam os jovens de outras culturas sem tradição ao uso de drogas a enveredar por caminhos tão destrutivos? Claro que há um entrelaçamento de fatores psicológicos e sociais que levam o jovem a querer experimentar. A pressão do grupo, o apelo da sociedade para o consumo das drogas, o receio da rejeição dos amigos levam os jovens a querer experimentar. A curiosidade pode ser o princípio de uma longa caminhada de sofrimento. A ilusão de acrescentar novas sensações e neste contexto novas (ir)realidades, favorecem a chegada ao fundo do poço e a  mundos escuros  e na sua grande maioria sem portas e janelas para saídas. O desemprego, os salários baixos, a ausência de participação social  formam o cenário adequado para  a determinação e estímulo para o uso das drogas e consequentemente a ilusão passageira da realidade que os incomodam. A realidade é que  muitos ao tomarem consciência do caos que suas  vidas podem tornar , abandonam após algumas experiências, outros tornam-se consumidores eventuais, outros consumidores habituais com dependência psíquica. É quase impossível para a própria pessoa e para terceiros a previsibilidade do que irá acontecer. O futuro dependerá das condições psicológicas e sociais do iniciante. Durante toda a nossa existência temos que invariavelmente  enfrentar problemas e suportar algum tipo de pressão, o que resulta, dependendo das circunstâncias, num certo grau de tensão. As personalidades bem ajustadas resolvem os problemas de forma realista, superam as dores e tensões. As pessoas mais frágeis normalmente entram em um processo ansioso e tentam a fuga existencial através do meio mais simples, mas na verdade mais complicado, as drogas. Estas personalidades podem ter sido formadas durante a infância e motivadas pelas relações conflitantes dentro do seio familiar. Muitas vezes a própria família constrói o ser frágil que posteriormente vai lançar mão de subterfúgios para suportar a vida. Para estas frágeis pessoas, o uso das drogas supre a angústia, o medo ou a frustração, mesmo que momentaneamente, fazendo sempre mais uso para a libertação em gotas. Mas…  Podem estar também na busca dos seus sonhos. Mas quais os sonhos da nossa juventude. Pensemos: consumir drogas não é uma doença, é antes um sintoma. Um sintoma é um sinal; é uma comunicação: seria uma indicação de que algo não vai bem . Neste sentido não é uma doença/ mas uma equivocada busca de solução. Agora a pergunta já é outra: – Do que sofrem os jovens que buscam as drogas? O que reivindicam? Que denúncias estão expressas através deste ato? Por quais mudanças estão lutando? Será que os jovens não estão denunciando a violência vivida em seu dia que pode ser em diferentes níveis e de naturezas diversas? Estão  em busca do “eu” perdido, ou estão tentando metamorfosear a realidade?

Alda Alves Barbosa

5 pensamentos sobre “OS JOVENS E AS DROGAS

  1. Nas décadas de 1960, 70 e 80, o consumo de droga pelos jovens decorria de seu engajamento em causas ou em movimentos políticos ou sociais. Era um consumo de viés ideológico. Dizendo de outro modo: o uso da droga estava associado a alguma causa específica, como o feminismo, o amor livre, os direitos civis, a defesa da paz(em virtude de guerras como a da Coreia ou do Vietnã). Com isso não afirmo que havia uma justa causa para o uso de drogas. Hoje, no entanto, o uso não tem uma causa aparente. O consumo ocorre pelo simples prazer de consumir. Os jovens aparentemente não enfrentam crises existenciais e começam a usar drogas pesadas desde a mais tenra idade. E tudo indica que a sociedade não sabe como lidar com o problema. Parabéns, Alda, por trazer à superfície esse tema.

    • … Hoje não têm motivos, não têm ideologia, não engajam em nenhum movimento, num país onde tudo precisa ser mudado, modificado, reestruturado, mas usam as drogas apesar da falta de motivos. Não seria a ausência de responsabilidade política, social, familiar, a ausência de responsabilidade por uma causa qualquer? Não seria a ausência de ausências a motivação maior para suprir o “tenho tudo que preciso” então…Acredito Paulo, que a falta de limites, a liberdade excessiva numa idade que pensam ser eternos, os amigos pais, não pais amigos, o professor que virou tio. Na verdade os papéis sociais foram invertidos, e o resultado está diante de nós pobres mortais, que como você mesmo disse não sabemos lidar com este problema. Será que alguém sabe?

  2. É, minha amiga Alda! Quantas famílias sofrem por estarem passando por esse tipo de problema. O que mais me angustia é pensar quanto artigos, propagandas… esclarecedoras do ‘caminho sem volta” (uma média de 90%), diria eu, e a cada ano aumentam assustadoramente a quantidade de usuários. Quanto aos estágios, aí é pior ainda. Às vezes a pessoa experimenta e a reação é negativa. Mas, infelizmente, a maioria vai aprofundando nas drogas até que matam ou morrem. Ano passado, houve inúmeras mortes, principalmente de jovens na faixa etária de 17 a 25 anos. É estarrecedor, minha amiga! Felizes nós, as mães que graças ao Nosso Senhor Jesus nos ajudou e nossos filhos foram ‘salvos’ dessa terrível realidade que paira sobre o mundo! É a nossa fé em Deus que nos torna fortes para ajudar as pessoas que a gente ama a passar por ‘esses caminhos’.

    • Sim Sõnia, enquanto escrevia este artigo detalhes deste mundo tão triste ia surgindo em minha mente. Detalhes estes vistos pela TV, em filmes e mesmo nas ruas da nossa capital. Quantas crianças vi durante o dia em plena Av. Amazonas cheirando produtos como a cola. Crianças já destinadas a uma vida adulta- se chegarem lá- caótica, sem sonhos, sem realizações, analfabeto das letras e alfabetizados pelas drogas; conhecem cada reação que cada droga provoca, tem esta cultura como referência de que existem, de que estão no mundo… Vi pela TV há muitos anos um local numa rua de Lisboa onde as pessoas dependentes de drogas ficavam para morrer. O governo fornecia as drogas e os parentes iam todos os dias para verificarem se os seus ainda continuavam vivos. Esqueléticos, transitavam de um lado para o outro como zumbis, ou deitavam seus corpos em cima de outros corpos. Lembrou-me a segunda guerra mundial. E agora temos cracolândias esparramadas por nossos Brasis. Sinceramente? Não sei o que dizer a você…

  3. Prezada Alda,

    O assunto é oportuno e de grande importância.

    Droga é um caminho paralelo que desemboca quase sempre num presídio ou num cemitério.Trata-se de um velho clichê que não se desgastou, muito pelo contrário, vem se confirmando. Posso afirmar com toda certeza que este é um dos maiores problemas contemporâneos, de difícil solução que vem afetando de forma devastadora até mesmo as sociedades mais conservadoras.As drogas são responsáveis pela desagregação da familia e opodrecimento do tecido social.As conseqüências estão aí, todos os dias nos noticiários, na nossa cidade, no nosso bairro, na nossa rua;as causas são objeto de várias teorias e a literatura sobre o assunto é vasta.Contudo, é certo que VACINA para evitar o problema é o amor incondicional, o SÔRO também sendo que aquela é preferível a este.

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