Os antigos e novos carnavais

Noite bonita, estrelada, a lua ajudando a iluminar a cidade de Unaí, recém-desvinculada de Paracatu. Na rua grande, já bastante movimentada, o Bar Novo e o Bar Velho localizados próximos à Matriz Nossa Senhora da Conceição, terminavam a ornamentação para os bailes de carnaval. Nestes dois lugares residia temporariamente a alegria da mocidade unaiense. Caracterizados de Colombinas, Pierrô, havaianas ou apenas máscaras negras reluzentes, os foliões dançavam ao som das marchinhas de carnaval. Durante o dia a alegria continuava nas brincadeiras inocentes do jogar água e polvilho nas pessoas que passavam distraidamente pelas ruas.

Com o crescimento populacional, estes bailes acabaram naqueles locais e foram transferidos para o salão do “Ginásio Nossa Senhora do Carmo.” Ali o povo concentrava  para ver os “ensaios” para o carnaval, o que na verdade era uma antecipação da festa carnavalesca. Eu, criança, olhava com dificuldades através das janelas de vidros a beleza da alegria. Nunca me esquecerei das irmãs Neném e Célia Gaia, caracterizadas de havaianas: fantasias floridas e uma coroa de rosas na cabeça, confeccionadas de papel crepom.  Fizeram uma entrada triunfal no salão do ginásio. Por algum tempo os bailes carnavalescos permaneceram ali.

O tempo, como sempre impiedoso, foi tirando o carnaval como prioridade da juventude daquela época e outra geração foi surgindo. Geração Jovem Guarda, Beatles, festivais da Record. Geração da nova mulher que surgia, liberação sexual, dos hippies, do rock, da minissaia e do anticoncepcional. Nesta mudança de hábitos e costumes, foi construído o primeiro clube de Unaí, o Clube Itapuã, ao lado do Hotel Santa Luzia. Ali reunia a nova juventude, com sua nova visão de mundo, e sua nova roupagem. Com músicas ao vivo, as marchinhas de carnaval embalavam as noites carnavalescas deste chão.

Posteriormente foi construída a nova sede do Itapuã. O povo desfrutava de piscinas, campo de futebol, vôlei, peteca, um enorme salão para festas e verde muito verde. O carnaval de Unaí muda de local. A chamada “sociedade unaiense” desfilava por ali, e o que já era considerada uma festa  grande, divertida, ficou maior e já atraia visitantes pela beleza e animação do carnaval unaiense.

A cidade crescia e se fazia necessário a construção de mais um clube. O Colina Clube foi na época considerado o ápice da sociedade de Unaí. O baile carnavalesco era disputado entre os dois clubes existentes e esta disputa fazia o nosso carnaval um verdadeiro acontecimento.

Os verdadeiros carnavalescos fizeram o carnaval de rua acontecer. A Avenida Governador Valadares, antiga rua grande, novamente era o palco da alegria. A população se acotovelava na rua para ver os foliões desfilarem, num ritmo contagiante.

Hoje o carnaval unaiense acontece em Paracatu e Bonfinópolis de Minas.  Os paracatuenses aguardam 40 mil visitantes com investimento do governo local em estruturas montadas para que nada falte ao turista folião. Matinês e carnaval no núcleo histórico. Os shows noturnos terão bandas e cenários diferenciados, contando ainda com uma praça de alimentação.

Em Bonfinópolis de Minas, as novas atrações foram montadas com a inovação no Ribeirão Santa Cruz que, não haverá mais trio elétrico, mas sim uma equipe de som automotivo. As bandas se apresentarão na Praça Silvésia Cândida. São esperados mais de 15 mil foliões e segundo a senhora Nilvésia Luiz Brandão, da Assessoria de Comunicação e da equipe organizadora do carnaval em Bonfinópolis de Minas, a estrutura para receber os carnavalescos foi ampliada com mais tendas, barracas e banheiros.

E Unaí ficará novamente com sua solidão carnavalesca… O carnaval itinerante não produz a adrenalina nem a felicidade do verdadeiro samba no pé. Este ano, de acordo com a programação serão cinco dias de festas, e não acontecerá nos distritos, somente nos bairros da cidade. Mas dizem que a felicidade está dentro de cada um, quem sabe também o samba… Ainda bem, porque se estiver fora de nós vamos acabar colombinas “que acabou chorando, que acabou chorando!…”

Alda Alves Barbosa

Postado no Jornal Interessante na edição Nº 14 – Fevereiro de 2011

24 pensamentos sobre “Os antigos e novos carnavais

  1. Alda,
    Pelo seu texto percebi que em Unaí sempre houve carnaval o que aconteceu com o carnaval unaiense? Vamos agitar a galera e recomeçar o carnaval unaiense ? Eu tô na área, se precisar… só chamar. Beijos.

    • Fernanda,
      Como você deve ter percebido, em Unaí sempre houve carnaval. Neste texto eu escrevi o que presenciei, ninguém me contou, eu vi e participei. Mas como diz hoje o carnaval de Unaí é em Bonfinópolis de Minas e Paracatu. Temos aqui o chamado carnaval itinerante, não contabilizamos os retirantes. Para reorganizar o nosso carnaval, vamos precisar de toda ajuda possível, inclusive dos nossos governantes. Beijos.

  2. Olá, pelos seus relatos, entendo que no passado existia um carnaval realmente interessante na cidade de Unaí, e me parece que isso foi se perdendo com o passar do tempo. Eu não sei o motivo de isso ocorrer, por isso questiono o seguinte:
    1- Talvez Unaí não tenha realmente uma cultura para o Carnaval.
    2- Unaí pode sair perdendo em relação “à economia/turismo” e etc, pois as pessoas geralmente vão festejar em outras cidades, mas acredito que seja inviável todas as cidades serem pólo carnavalesco, um exemplo disso é Brasília, que também não tem essa tradição, logo as pessoas “interessadas” acabam viajando aos destinos mais tradicionais. Existem cidades que a economia é baseada quase que exclusivamente no turismo, assim como existem outras cidades que produzem riqueza e as gastam nesses destinos. É um ciclo
    3- Eu penso que Unaí tem potencial para ser pólo na área de educação, (ser uma cidade de estudantes) e a partir daí, expandir para novos horizontes.
    4- Acredito que Unaí precisa ser reconhecida por algo mais, além da agricultura. É um processo de construção, basta descobrir qual é esse potencial, e trabalhar nele.

    Enfim. Posso ter escrito besteira, mas isso foi o que me veio a mente.

    • É verdade Carlos, quanto riso, quanta alegria nos carnavais do nosso cerrado… Carnaval inocente, voltado para a alegria plena de festa que liberta o espírito, a alma, a vida. Velhos tempos, velhos dias, eternas saudades da juventude que ficou para trás. Mas vivemos e continuamos a perseguir sonhos… As diferenças entre os ontens e o hoje nós enxergamos e entendemos, mas o nosso tempo de jovem está no passado e de vez em quando damos uma espiadinha por lá. Um grande abraço com saudades de todos vocês. Alda

    • Quero lhe pedir desculpas por não ter respondido antes, não costumo fazer isto, mas às vezes acontece, mesmo contra a minha vontade. Desculpe-me. Não acho que você disse besteira, é o seu modo de pensar e como tal deve ser respeitado. Sim, Unaí tinha um bom carnaval, eu ainda muito criança presenciei o que relatei e com o passar do tempo a juventude foi sendo substituida e os carnavais foram mudando, mas sempre expandindo em termos de turismo, dando ao nosso carnaval novas motivações para melhorar e crescer. Também não sei porque esta “morte carnavalesca” em Unaí aconteceu.Acredito que foi uma morte lenta, desprovida da assistência dos foliões que exilaram para outros lugares e não foram encontrados substitutos à altura para levar o que já era tradicionalmente uma comemoração do” estar feliz “em nossa cidade. Paralelo a isto acredito que a ausência dos políticos, o desinteresse em dar continuidade à maior festa brasileira em Unaí (não estou me referindo especificamente a nenhum governo em particular) mesmo porque não posso precisar qual foi a data do enterro do nosso carnaval. Mas a falta do que mencionei e de outros agravantes, colocaram um ponto final em uma festa tão nossa, tão bonita! Quanto a remota possibilidade de Unaí não ter realmente uma cultura para o carnaval, acredito que cultura se faz cultuando, investindo, propagando e como vivemos em um país em que se plantando tudo dá, o plantio já havia sido feito, faltaram cuidados para que ela permanecesse, acredito eu. Não podemos pensar Brasil focando Brasília como exemplo, apesar de ser a capital do Brasil, isto porque Brasília ainda é uma cidade sem tradições a não ser de se ganhar dinheiro, prova disto é que nas sextas-feiras Brasília morre e só ressuscita no domingo à tardinha, sol entrando, ou na segunda-feira. Sou uma pessoa voltada para a educação, cultura e tradições e se você lançar um olhar sobre nossa cidade verá que ela não tem nada que possa trazer visitantes para ela a não ser visitar parentes. E o unaiense que se cuide, a exposição agro-pecuária está chegando ao fim, a festa da moagem que traz ao nosso presente o que foi nosso passado não é mais a mesma, a festa do Bouqueirão ,onde tudo começou, está ainda indo porque temos pessoas que cuidam para que ela fique, para que ela não morra. Paracatu é uma cidade antiga, hoje patrimônio histórico, sempre foi o centro da cultura, da educação, e para que você tenha uma idéia, há mais de um século (acho que bem mais) já havia escola de filosofia e tinha como professor de José Rodrigues Barbosa( dados obtidos no livro do professor Olimpyo Gonzaga ” Memória Histórica de Paracatu” que em julho de 2010 fez 100 anos de sua publicação). A Escola Normal de Paracatu era famosa não só em Minas Gerais, mas em muitos dos nossos Brasis. Cultura de carnaval Paracatu não tinha não, o povo fez acontecer e está fazendo acontecer. Sonho bonito este seu, nosso chão pólo da educação! Sabe era tudo que eu queria, depois eu poderia ser enterrada junto com o carnaval. Concordo com você, precisamos além de plantar grãos, plantar letras… Descobrir o nosso potencial? Temos tantos… Mas saber só não acarreta mudança, como você mesmo disse é um processo de construção e são necessários cabeças, braços e uma visão grandiosa de que o povo precisa de educação, cultura, trabalho, lazer e tudo isto pode existir e funcionar bem dentro de uma cidade, juntas, mas cada um investindo cuidadosamente naquilo que chamamos vocação. Como disse anteriormente, você não disse besteiras, é a sua visão. Eu posso ter tido besteira também, mas é o que penso. Eu, um grande abraço para você e sinceramente, seria muito bom Unaí ser um pólo na educação… Seria a glória. Obrigado pela visita e mais uma vez desculpe-me pela demora em lhe responder. Alda

      • Olá Alda,

        Vc tem razão, cultura se faz cultuando. Qualquer cidade pode ser reconhecida por determinado aspecto, basta trabalhar em cima.
        Uma coisa que eu admiro em certas cidades, é a existência de grande espaços públicos como parques bem cuidados, com lagos, espaços para prática de esportes, leitura e etc. Unaí infelizmente ainda não possui um espaço desses. O que acha de criar um post abordando este tema?
        Para mim uma cidade sem parque público não é cidade.

      • Em Unaí sempre tem uma turma que anda de skate, patins, logo parques públicos com pistas para esses esportes seria muito bom também, além de várias outras atividades.
        Vai aqui links de algumas imagens de parques que acho interessantes:

        1- http://www.brusselspictures.com/wp-content/photos/BoisdelaCambre/bois.de.la.cambre.gazon%20(2).JPG

        2- http://oneshotexhibition.org/blog/wp-content/uploads/2008/03/p1030827.JPG

        3- http://www.michalec.com/Italy06/IMGP0081-511.JPG

        4- http://lh3.ggpht.com/_fz2-_YaeGoU/SIpZkYsvU4I/AAAAAAAASlQ/9KhdvZhSPfs/70727-115.jpg

        Enfim, vejo que na Europa se dá muito mais valor a esses espaços do que no Brasil.
        Espero sinceramente que Unaí não se transforme em uma grande mancha cinza. O momento de planejar o crescimento da cidade é esse, pois depois fica sendo tarde e poucas coisas poderão ser feitas.
        Quando eu digo em criar espaços verdes, não falo em simplesmente preservar o que está presente, como é o caso daquela área depois da rodovia. Meu pensamento é em reflorestar.
        Aquela area verde depois da rodovia deve ser mantida intacta.

        Enfim.

      • Como disse o nosso querido Jeová Costa na sua faixa dependurada na frente de sua residência: “O momento é agora, se deixarmos, vão acabar com nossa cidade.” ´E este o exato momento, mas ninguém faz nada, ninguém fala nada e o nada é o que vai restar para nós. Vejo a juventude daqui, qual o lazer que eles têm, a não ser festas e barzinhos? Como bem disse você, temos turmas aqui que amam andar de skate, patins, mas não têm local propício para isto. Na verdade temos pouco, falta-nos muito.
        Um grande abraço e continue dando sugestões e comentários. Que tal participar do “Espaço do leitor?” Envie uma foto de um parque ou algo relacionado, se você quiser escrever, ótimo, se não, eu faço a redação. Está convidado!

      • Falando daquela área verde depois da rodovia, vou fazer uma retificação:

        Poderia ser criado uma infraestrutura mínima que não necessitasse desmatar praticamente nada. Eu falo isso pois existem pessoas que pegam uma mata virgem, removem quase todas as árvores, deixam algumas, e denominam o local de área verde.
        Não sei como é aquela área, logo não vou entrar na questão se lá poderia ser ou não o local escolhido para um eventual parque urbano (http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque).

        Enfim

      • Acredito que o mais difícil é conseguir o local. Quando Adélio foi prefeito de Unaí, cogitou-se sobre isto, mas não foi concretizado. Desmatar nem pensar, precisamos de plantio. O calor em Unaí é intenso e quanto mais verde tivermos, melhor a nossa qualidade de vida. Ah se todos os habitantes deste chão plantassem uma árvore, cuidassem de um jardim público, recolhessem adequadamente os lixos, viveríamos em meio à beleza. Abraços, Alda

      • Oi,
        obrigada pela sua valiosa participação. Vi com carinho tudo que você me enviou. São lindos! Sabe, eu me contentaria com o parque natural, oneraria menos o município e o sonho poderia ser realizável. Ouvi algumas vezes falarem sobre uma reserva ambiental praticamente dentro da nossa cidade. Não sei se é verdade ou apenas conversas que não estão fundamentadas na verdade, ou seja suposições. Mas torço para que algo seja feito com relação a beleza e o lazer da nossa cidade e do nosso povo. Gosto de natureza bela, cheia de árvores, flores, pássaros… É lindo, não é? Um grande abraço, Alda

      • Olá Alda, a respeito do parque, vou deixar pra vc a redação do artigo. Capriche, rsrsrs.

      • Meu querido eu, a redação faço sim com muito carinho, porque além de gostar de escrever amo coisas bonitas, jardins, lago, árvores, e estarei atendendo uma pessoa que me vê sempre, e é claro que outras pessoas vão se interessar e aderir ao nosso projeto, por enquanto um lindo e belo sonho… Posso escolher um dos parques que você me enviou, ou você andou pesquisando e encontrou algum mais bonito? Me responda pelo e-mail: aldaalvesbarbosa@hotmail.com. Um grande abraço, pode deixar vou caprichar!
        Alda

      • ok, “eu” vou caprichar, quero dizer, vou tentar. Espero que você goste do resultado, e por favor, se não gostar fique à vontade para criticar, dar sugestões. Este espaço é para isto também. Aceito críticas sim.
        Um grande abraço,
        Alda

  3. Dileta Alda,

    Na verdade lembro-me dos festejos carnavalescos de Unaí no salão do Itapoã, no pavimento superior da antiga Cooperativa. O prédio era ladeado pelo Hotel Santa Lúzia e o Bar do seu Zé Terêncio,onde era vendido um sorvete de casquinha delicioso. Alí próximo ficava o Bar Marabá. Naquela época ainda existia cerveja de casco branco, os postes ficavam no eixo da “Rua Grande” que não era asfaltada e as marchinhas que consagraram: Marlene,Emilinha Borba,Zé Trindade, Chiquinha Gonzaga dentre outros ecoavam no salão.

    ME DÁ UM DINHEIRO AÍ
    Ivan Ferreira-Homero Ferreira-Glauco Ferreira, 1959

    Ei, você aí!
    Me dá um dinheiro aí!
    Me dá um dinheiro aí!

    Não vai dar?
    Não vai dar não?
    Você vai ver a grande confusão
    Que eu vou fazer bebendo até cair
    Me dá me dá me dá, ô!
    Me dá um dinheiro aí!

    MAMÃE EU QUERO
    Jararaca-Vicente Paiva, 1936

    Mamãe eu quero, mamãe eu quero
    Mamãe eu quero mamar
    Dá a chupeta, dá a chupeta
    Dá a chupeta pro bebe não chorar

    Dorme filhinho do meu coração
    Pega a mamadeira e vem entrá pro meu cordão
    Eu tenho uma irmã que se chama Ana
    De piscar o olho já ficou sem a pestana

    JARDINEIRA
    Benedito Lacerda-Humberto Porto, 1938

    Ó jardineira porque estás tão triste
    Mas o que foi que te aconteceu
    Foi a camélia que caiu do galho
    Deu dois suspiros e depois morreu

    Vem jardineira vem meu amor
    Não fiques triste que este mundo é todo seu
    Tu és muito mais bonita
    Que a camélia que morreu

    Olho as pequenas mas daquele jeito
    Tenho muita pena não ser criança de peito
    Eu tenho uma irmã que é fenomenal
    Ela é da bossa e o marido é um boçal

    CABELEIRA DO ZEZÉ
    João Roberto Kelly-Roberto Faissal, 1963

    Olha a cabeleira do zezé
    Será que ele é
    Será que ele é

    Será que ele é bossa nova
    Será que ele é maomé
    Parece que é transviado
    Mas isso eu não sei se ele é

    Corta o cabelo dele!
    Corta o cabelo dele!

    CACHAÇA
    Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953

    Você pensa que cachaça é água
    Cachaça não é água não
    Cachaça vem do alambique
    E água vem do ribeirão

    Pode me faltar tudo na vida
    Arroz feijão e pão
    Pode me faltar manteiga
    E tudo mais não faz falta não
    Pode me faltar o amor
    Há, há, há, há!
    Isto até acho graça
    Só não quero que me falte
    A danada da cachaça

    ME DÁ UM DINHEIRO AÍ
    Ivan Ferreira-Homero Ferreira-Glauco Ferreira, 1959

    Ei, você aí!
    Me dá um dinheiro aí!
    Me dá um dinheiro aí!

    Não vai dar?
    Não vai dar não?
    Você vai ver a grande confusão
    Que eu vou fazer bebendo até cair
    Me dá me dá me dá, ô!
    Me dá um dinheiro aí!

  4. Alda, ontem o nosso NIETO postou um comentário em o Ex Abrupto onde ele sentenciou que Unaí padece do “silêncio dos bons”. O Nieto nunca foi tão feliz como neste comentário; é fato que nossa política não está em boas mãos, vide nossa Câmara de Vereadores, ali estão os prepostos e não os melhores. Unaí está ficando para traz num é só no cultural não é no geral, a economia que o diga. Os “bons” assumam logo o destino político de nossa cidade ou vomos logo, logo ir comprar butina em Cabeceira Grande. Você, Alda, está entre os bons e portanto precisa de ter sua voz institucionalizada em nossa sociedade. E aí?

    • Sim, Nieto foi muito feliz nesta afirmação, a verdade é que como está não pode ficar, ou eles, os governantes, mudam o jeito de olhar para o nosso chão, ou nós mudamos, ou já está mudado o jeito que olhamos para eles. Vou questionar um pouquinho; este pensamento reflete não só a nossa realidade, mas a realidade do nosso país. Mas neste contexto está a palavra “padece”, e padecer significa, sofrer, suportar, o que deduz: Unaí sofre porque os bons ficam calados, não se posicionam, se recolhem na sua mudez ou, não será indiferença este silenciar? ou mesmo, não quero me intrometer, não vou sair da paz que arduamente conquistei… Também podemos analisar o momento atual que passa os políticos brasileiros, ser político no Brasil de hoje é ausência de ideal, de algo mais para fazer do que lesar o povo , prometendo pr e sabendo que tais promessas não vão ser cumpridas, é tirar ostensivamente do povo o que é dele e ainda acrescentar” brasileiro tem memória curta”, leia-se, podemos fazer tudo, o povo é inculto, votam na gente de novo.Atualmente os políticos “sofrem”? pela falta de credibilidade e isto afasta os bons. Pode ser que escondido neste silenciar esteja o medo de se posicionar, de mostrar a sua insatisfação… É muito achismo, é muito pode ser, mas não poderia ser o silêncio a falta de vocação para o falar? E não seria o falar, o denunciar, o posicionar, uma forma de fazer política sem se misturar àqueles que estão sendo combatidos? Será que quem silencia, quem cala, merece ser chamado de “bom”, ou tem um nome mais adequado que caracteriza melhor o caráter destes “bons”? Pode ser tudo ísto ou pode ser o que o Nieto disse
      dentro de um contexto totalmente diferenciado da minha visão… É, pode ser “os bons não deveriam silenciar”, José Augusto tem razão. Mas eu quis fazer todos estes questionamentos para compreendermos que o silêncio deságua em várias vertentes. E aí? Vou pensar muito… Muito… Muito… Um grande abraço. Alda

  5. Alda,
    Lindo texto, mais bela ainda a história e o recado.O Carlos me intriga, pois já no comentário sobre carro de bois fiquei temtando lembrar quem é ele e não consigo, somos contemporâneos das mesmas lembranças e participações. Lembro=me também dos carnavais de rua quando fundamos a Unidos do Capim Branco, tinha tambem a rival Turma da alegria e a Unidos da Praça. Lurdinha de D. Antoninha nossa eterna Rainha a maior passista que Unaí já viu. Carnaval é uma festa popular e alegre, mosso povo também é muito alegre, só falta uma mãozinha. Alô Rosinha, Alò Preto, Zé Inácio, Alá lá ò.
    Abraço a todos
    Orlando-DF 27.02.2011

    • Orlando,o Carlos fez uma brincadeira porque troquei o nome do pai dele. Na verdade é Pedro do Lazim. Veja o que ele colocou. Onde eu estiver, se lembro do que Carlos escreveu, não seguro o riso. Fiquei sabendo pela Maria Eugênia, esposa dele, que quando ele vê alguma coisa engraçada ele logo diz: vou mandar pra Alda. Ele é uma pessoa muito inteligente, boa praça e muito generosa. Vou tentar esmiuçar mais um pouco, para ver se vc recorda dele. Pedro do Lazim era proprietário do Posto (Pedro Lazim) e do Hotel Unaí, localizados na Rua Nossa Senhora do Carmo, perto do Teto e do Super Mercado Cruzeiro. A mãe faleceu e ele casou-se com Glória. Acho que você agora lembrará, ele é irmão de Paulinho, aquele Unaiense que jogou no Cruzeiro. Lembrou agora? Preto esteve ontem aqui, Zé Inácio devo vê-lo por estes dias, Rosinha não vejo há muitos anos e Lurdinha também. Eu particularmente não gosto de carnaval, nunca brinquei, mas gosto de ver os desfiles das escolas de samba, principalmente minha Beija-Flor!!! Unaí realmente tem outras prioridades, é necessário reorganizar nosso chão, mas somos brasileiros, e brasileiro não gosta de política e ama festa… Culpa nossa? Não, os políticos plantaram, agora façam a colheita. Um grande abraço. Feliz Carnaval. Alda

  6. Fico emocionada ao ler tantos fatos maravilhosos da nossa juventude, que não me lembro.
    Às vezes penso que não vivi esse tempo! Quando leio tão detalhadamente e de forma tão poética – escrito por você, é claro – tento imaginar onde eu me encontrava. Me perco no tempo; me perdi no tempo, naquele tempo!!!!!!
    Mas, tudo bem! Hoje estou aqui sã e salva…

    • Sonia, vivemos este tempo sim, foi um tempo bonito, estávamos nele, vivendo de forma saudável os acontecimentos, as mudanças ocasionadas pela geração que mudou os costumes, mudou o mundo.Perdemos no tempo porque é um passado distante que tentamos resgatar, como não conseguimos, temos a ilusão de não o termos vividos. Ou estamos negando a beleza do já vivido para que a saudade não inunde nossas vidas? Como você mesma diz, hoje estamos aqui sãs e salvas… E quantos já nos olham com os olhos de estrelas!
      Um grande abraço, minha amiga do coração
      Alda

  7. Alda,
    Eu me lembro bem dos agitos dos carnavais no Capim Branco, a movimentação toda se concentrava alí, entre as casas da dona Maria de Carlos, dona Filinha e dona Rosita, suas vizinhas. Essas senhoras acolhiam as moças e rapazes, amigos de seus filhos e netos nos dias de folia. Também alí nasceu o primeiro desfile competitivo de carnaval – Bloco do Capim Branco e Bloco Alegria. Umas pessoas se mudaram, outras morreram. Depois disso nunca mais… Não acho que a questão política de hoje tenha alguma influência na falta de motivação para os festejos, há décadas não há carnaval em Unaí.
    Bons tempos!

    • Mari, você realmente conheceu o cotiano do Capim Branco. Sim, era na casa de tia Filhinha que os foliões encontravam o porto seguro, o seu descanso e o alimento para saciar a fome pós-folia. Em momento nenhum eu disse que o fato de não haver carnaval era uma questão política. Não disse, mas na verdade é uma questão que só pode ser resolvida através dos nossos governos. O carnaval é uma festa de todo brasileiro, e sem o investimento de empresários, dos governos e do interesse do povo, nunca reaveremos o nosso carnaval. Procurar culpados não faz sentido, devemos sim, procurar meios para recomeçarmos uma festa que claro, não nasceu no Brasil, mas o que tem o mais belo carnaval, isto é inegável. Sim, há décadas não temos carnaval em Unaí, não estou culpando ninguém, nenhum prefeito, como sempre o povo tem culpa de não reivindicar os direitos deles. Nem só de pão vive o homem, nem só de festas, nem só de cultura, nem só de trabalho…Mas precisamos sim, não deixar nosso costumes, nossas tradicões acabarem. A luta pela conservação dos nossos costumes também é um exercício de cidadania. Um grande abraço Mari, seja bem-vinda!

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