Quem pagará a conta ?

Imagem meramente ilustrativa

Não adianta, neste chão acontecem coisas que me remetem ao passado. Entenda, volto no tempo invés de prosseguir viagem para o futuro. Não tenho culpa, não sou poeta e escritora “maldita.” Sabe o que é ? Acontece uma coisinha aqui, outra acolá, e eu me recordo de já ter visto esta cena não necessariamente igual, mas tão parecida ! … Mas aceito sim, as diferenças existem, mas justamente por causa do tempo. O tempo era outro,  o século era outro… Por falar em tempo, século , olha 1964, o ontem tão distante, as “luzinhas tomatinhos “ dependuradas nos postes de madeira nas poucas ruas mal iluminadas. Exatamente às 18:00 horas os “ tomatinhos “ eram acesos. As  pessoas mais velhas, hoje tios sem parentescos, apressavam as tarefas, afinal a cor vermelha do “tomate” tinha hora de virar camaleão, enegrecia exatamente  às 22:00 horas. Ninguém encontrava o “ tomatinho”  tingia-se de negro. Este escuro do apagar das luzes criou hábitos neste chão : cadeiras nas portas, serenatas, cafezinhos servidos nas xícaras esmaltadas … A mesmice não incomodava. Os “tomatinhos” iluminavam o que queríamos ver. As roupas eram passados com ferro “de” brasas, sem TV, sem microondas, sem geladeira, sem computador , sem, sem, sem … Mas cá pra nós, que ninguém nos ouça, o que está acontecendo com a energia elétrica neste cerrado em pleno século XXI ? Os apagões se sucedem, sem tréguas, duas, três  vezes ao dia , quer dizer à  noite também. Sei , não acontece só aqui – sei bem disso – quando não há apagões nos horários dos jornais eu acompanho as noticias e alguma vezes dei sorte, a CEMIG fez direitinho o trabalho dela, fornecer energia boa para iluminação mais cara do nosso Brasil. Se a conta é alta, apagões não podem  acontecer, pelo ao menos não devia, mas acontece quase diariamente, em qualquer período, seja chuvoso ou não.  Mas o que isto tem haver com o passado unaiense ? Tudo e o nada … No século XX sabíamos quando as luzes “tomatinhos” acendiam para nos livrar da escuridão temporária, só dependíamos dela para clarear? as ruas, “ o nosso mundo “ era iluminado pelo sol, lua e estrelas. Hoje neste século o ser humano “não quer deixar a ninguém seu triste legado” a prole é menor, ou não existe. Mas paradoxalmente a população aumentou – talvez pelo número maior de lugares iluminados – e as hidrelétricas não acompanharam  este aumento, nem a modernidade dos inventos que dependem da energia e pra funcionar. Restaram os apagões. E quando minha TV, computador, rádio, microondas, geladeira, forno, ferro, ventilador , chuveiro, freezer, DVD queimarem em virtude dos apagões quem vai me ressarcir ? A quem recorrer ? A CEMIG ? A justiça brasileira é rápida não ? Quantos anos tenho que esperar ? Não dá pra precisar o tempo ? Entro com o processo em Unaí ou Paracatu ? Nota fiscal do aparelho ? Não tenho, já se passaram dez anos da aquisição , joguei no lixo. Desejo apenas uma resposta a uma pergunta : – Se devido a inúmeros apagões, algum aparelho meu danificar quem pagará a conta ? Alguém tem a resposta?

Alda Alves Barbosa

6 pensamentos sobre “Quem pagará a conta ?

  1. Alda,
    Valeu o texto, você presta um grande serviço à sociedade levantando este tema. Aqui no DF não temos muitos apagões, como você relata, mas o Procom é bem atuante e o mais importante é a “boca no trombone”. Esses caras morrem de medo de imprensa. A CEB que é nossa distribuidora de energia leva menos de 90 dias pra pagar o prejuizo, desde que comprovado e apresentado 03 orçamentos para conserto ou pagar aparelho novo. Continue firme, você é “O CARA”
    Abraço a todos.
    Obrigado

    Orlando

    • Orlando, temos apagões até três vezes ao dia e a energia elétrica volta imediatamente após o apagão, o que paradoxalmente é péssimo este retorno imediato, porque você pode imaginar com qual intensidade ela retorna. Em Cabeceira Grande está ocorrendo este mesmo problema. Há dois meses atrás paguei 160,00 para colocar uma nova peça no meu computador, o que eu leiga, chamo de “cérebro” do computador. Por pouco não perdi todo o meu trabalho. O funcionário me disse que foi conseguência de oscilação de energia, e que no mês de janeiro, eles já haviam tido mais movimento do que em cinco meses no ano de 2010, tendo como pivô disto tudo os “apagões.” Não corri atrás dos meus direitos, mas estou disposta, se acontecer novamente, o que tem um porcentagem de 99,99% de chance de acontecer, -pois está intensificando cada dia mais amiúde – com certeza esta conta eu não pago. Eita Brasil!!! Obrigado pelas informações, procederei desta forma quando for necessário.
      Um grande abraço e muito obrigada pela presença constante e agradável.
      Com muito carinho,
      Alda

  2. Alda,

    Infelizmente é assim: O prejuízo vem na velocidade da luz e o ressarcimento acontece quando o jabuti subir no pé de goiaba.Nossa paciência fica por um fio.

    Lampião de gás
    Lampião de gás
    Quanta saudade
    Você me traz

    Da sua luzinha verde azulada
    Que iluminava a minha janela
    Do almofadinha lá na calçada
    Palheta branca, calça apertada

    Do bilboquê, do diabolô
    Me dá foguinho, vai no vizinho
    De pular corda, brincar de roda
    De benjamim, jagunçu e chiquinho

    Lampião de gás
    Lampião de gás
    Quanta saudade
    Você me traz

    Do bonde aberto, do carvoeiro
    Do vossoureiro, com seu pregão
    Da vovózinha, muito branquinha
    Fazendo roscas, sequilhos e pão

    Da garoinha fria, fininha
    Escorregando pela vidraça
    Do sabugueiro grande e cheiroso
    Lá no quintal da rua da graça

    Lampião de gás
    Lampião de gás
    Quanta saudade
    Você me traz
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    Lampião de Gás
    Inezita Barroso
    Composição: Zica Bérgami

    Um forte abraço

    Carlos

    • É verdade Carlos, o “estragão” vem numa rapidez… Mas o pagamento do estrago vem a passos lentos… Mas a paciência, esta sim, fica pequena, então precisamos parar, respirar, dá um tempo para escrever senão… Eita Brasileiros difíceis! Parabéns pela inteligência de pensar numa música adequada para este texto, mas quero parabenizar o google também rsrs!
      Obrigado pelo carinho,
      Alda

  3. Alda,
    Você atiçou minhas lembranças da luz de ‘tomatinho’, a nossa hidrelétrica ficava no rio roncador, e a rede condutora passava dentro da fazenda água fria onde eu morava, e sem conhecer o perigo (eu tinha ums 9 a 10 anos), cortava uma varinha verde e jogava sobre os fios de alta tensão 3 fios paralelos quando fechava o circuito saia umas faiscas até queimar a varinha, quando meu pai descobriu, levei uma surra com uma varinha igual, o problema é que a danada não quebrava. Energia forte só chegou em Unaí em 1969 com a instalação dos motores a diesel(quaze um caminhão de óleo por dia) 03 motores imensos que faziam um barulho infernal. acho que só em 1975 é que chegou a energia vindo de Tres Marias.

    Obrigado pelas lembranças
    Abraço a todos
    Orlando – DF

    • Pois meu amigo, os “tomatinhos” e suas lembranças… Sabe quem construiu a hidrelétrica do Rio Roncador? Meu pai. Esta usina foi construida na gestão do prefeito João Costa, o engenheiro deixou tudo na planta e meu pai construiu. Você sabe que ela ilumina a fazenda até hoje? Fico imaginando você, não foi fácil mesmo! Perigo! Só aprontava, e por aprontar tanto é que está sempre com um pé aqui e outro em Brasília. Fico imaginando, acho que nunca nos encontramos mesmo, senão nunca separaríamos. As delinquências são muito parecidas. Está procurando as fotos para mim? E o caso do seu primo Mário, preciso saber para escrever um conto sobre ele. Basta escrever o que ele fez e as consequências, o floreio é comigo mesmo.
      Um grande abraço,
      Alda

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