DO MESMO JEITO …

Ainda ouço o barulho seco da porta se fechando. Naquele momento meu riso morreu. A certeza de que sua ausência faria brotar solidão em mim pintou de cinza o mundo. Eu, o só e o mundo acinzentado… Todos os ingredientes necessários para a instalação permanente da tristeza. Acreditei que sempre voltaríamos um para o outro, a esperança do retorno fez de mim prisioneira física e emocional do “esperar seu regresso.” Sou no hoje a morada das faltas que sinto de você. Meu amor cresce a cada instante e o desespero  da “não presença “ sua, me leva a fixar meu olhar em seus retratos. A imobilidade das feições me faz concluir que não possuo nada a que me agarrar, nem em você, nem lá fora: eu mais eu é igual à solidão, o só. Não estou lançando mão da hipocondria existencial para trazer você de volta para mim? Não sei, pode ser, mas não me interessa estes questionamentos tão… Tão… Tão filosóficos. Quero o real, e minha realidade reside em você. Eu não me basto, você basta a si mesmo? Não, esta certeza eu tenho, senão porque tirava de mim toda a pouca seiva que eu conseguia armazenar no pouco sono que eu dormia? Se não consegue ter só você, se não procura andar nos caminhos que o trazem a mim, então… Não quero pensar nesta transferência de amor. A morte do meu riso não aconteceu quando  você bateu a porta para “o seu ir embora”, naquele momento  aconteceu o sepultamento. O morrer do meu riso estava acontecendo nos dias que se sucediam. Eu não percebia, mas minha vida ao seu lado adoecia sempre que uma aurora despontava e meu sorriso, ou imitação dele, era uma caricatura trágica do medo de você ir, do receio de seu ficar. Amor que emanava a dor do bolor misturada ao gosto salgado das lágrimas do só. Nós prosseguíamos a viagem do amor com seus perdões incessantes, fingindo não haver tédio de vida a dois. Éramos tão intensos em tudo que esquecemos que um dia, por algum motivo, iríamos precisar entrar na vida, nos outros. Você me amou mal, eu… Também, e com o passar do tempo fomos perdendo a paciência para tantos desencontros, tantas desculpas. Tudo rotineiro demais: brigas, amor, amar, só nós dois isolados do convívio com os outros mundos pessoais. Não sei quem é a vítima. Eu? Você? Talvez nem haja vítimas, mas sim consentimentos. É esse amor assim, sujo, com cotidianos de amor doído, de frases sem significados, de presenças de ausências, que o quero de volta. Não me perdoa… Eu lhe perdoo, preciso de você. Sou um corpo vazio a implorar beijos, salivas, perdição. Preciso de você, em seu corpo eu vivo, eu morro… De amor!

Alda Alves Barbosa

9 pensamentos sobre “DO MESMO JEITO …

    • Lu, quando li o seu comentário me engasguei. Sei que você me vê com olhos de amiga e por isso fala assim. Não tenho condições de competir com tanta gente boa que está aí no mundo. Sou apenas uma formiga do cerrado cortando as folhas tortas para me livrar da… Você entende! Tudo deu certo, graças ao bom Deus. Tudo bem com você ?:e o Olivério está bem? Sua mãe como está? Envie um e-mail dando-nos notícias de todos. Obrigado pelo carinho, pelas suas palavras… Ganhei lindas palavras como presente de aniversário, coisa rara neste mundo que vivemos hoje.
      Beijos

    • pq UNAI não é nada p ela?,é sim foi o começo de partida,entao não olhe assim para unai como se nao fosse nada.ALDA parabéns muito lindo,vc é maravilhosa.

      • Janaina, você é como eu, defende este chão com toda garra.Parabéns! Encontrei alguém que briga por Unaí e este alguém é vc janaína. A Lucélia é uma apaixonada por nossa terra, ela só quis dizer que está na hora de alçar voo porque Unaí não me da o valor que ela acha que eu mereço. E ela acha assim porque é minha amiga, não sou tudo isso não. Amo este chão e é aqui, se Deus permitir que farei todo o meu trabalho, porque é neste cerrado que deito o meu coração para aflorar sentimentos que são transformados em versos ou prosa.
        Obrigada Janaina por ter defendido este rincão com tamanha ênfase. Aproveite e lei os meus poemas que fiz enaltecendo nosso sertão unaiense.
        Obrigada pela visita ao meu site e me ajude a gritar pelo nosso chão.
        beijos
        Alda

  1. Bom dia minha linda ! Não tenho palavras para poder dizer o quanto você nos encanta com seus contos. foi maravilhoso o que acabei de ler agora. Parabéns ! Não deixe nunca de nos alegrar com suas poesias, contos e tudo mais que vc escreve….Beijos

  2. Prezada Alda,

    O anjo da saudade penteava seus cabelos enquanto você escrevia:

    “A certeza de que sua ausência faria brotar solidão em mim pintou de cinza o mundo…”

    e…

    “É esse amor assim, sujo, com cotidianos de amor doído, de frases sem significados, de presenças de ausências, que o quero de volta.”

    Ficou muito bom! Arrebatador… eloqüente!Você descreveu,mostrou,lembrou, relembrou uma estrada por muitos percorrida, ainda hoje de intenso trânsito e de mão unica.

    • Carlos, o anjo da saudade penteava os meus cabelos enquanto eu era embalada por um certo abraço? ou braços? Não sei. Procurei retratar neste texto os caminhos que a vida se encarrega de nos fazer percorrer e que inevitavelmente nos leva ao amor. Amor que nos faz ser, nos faz pertencer… E um dia a permanência do outro se desloca para deixar de pertencer. E como o recomeço é sempre difícil optamos ou não damos conta de vivenciar a liberdade do outro vendo-o transitar entre avenidas e becos… E muitas vezes preferimos aguardar o retorno , mesmo que a espera seja em becos sujos…

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