PARTIDAS

Tentei não partir. Tentei não abandonar, tentei não ser abandono. Não foi possível. Por quê temos sempre que partir? Por quê temos sempre que ir? Por quê sempre temos que deixar o que é para ir ao encontro do talvez?… Nada apaga a incerteza do recomeçar. Como saber o que será após a partida? Não se tem como adivinhar o que virá, não se tem como suportar o que já veio, o que faz concluir que não tenho opção. A mudança é necessária, a vida grita o meu nome. E se eu não partir… Ficarei a espera dos meus pedaços espalhados pelos cantos de cada mundo? Deixar um cotidiano para viver outro é continuísmo em outro lugar. … Mas porque o ir embora, por quê levar lenços e documentos se meu ser quer é o retorno? Retornar… Para onde? Ah, se meu ser estivesse vazio e eu coubesse dentro de mim! Eu me enroscaria dentro dele, faria do meu corpo a minha morada, seria eu mesma o meu afeto. Mas meu ser está repleto de certezas, incertezas, de idas, de vindas, de realidades, de sonhos. Não há espaços para mim em mim, e meu ser cansado pelo excesso de bagagem precisa caminhar em outras direções… Ser eu mesma, o mesmo jeito, a mesma forma em outro lugar do mesmo mundo. Porque a solidão sou eu e por isso eu a levo a qualquer lugar, a qualquer caminho. Como abandonar o que sou, como desprender-se de mim? Eu me levo aonde vou, sou a minha companhia, na verdade nem sempre agradável, mas estamos condenadas à convivência, temos o mesmo amor pelo tédio e um contínuo ódio dele. O tédio é insosso, tem um rosto inexpressível que nos fascina, que nos faz ir à procura de seus significados, tal a intensidade do seu enfado. Mas há vida neste enfado, sempre há um jeito de retornar a ela ou ela volta por si mesma. Mas o caminho é outro, ela pode se perder pela mudança de rumo porque o caminho não é de retorno e pode acabar perdendo as certezas do começo, da chegada. Mas nós (eu e a solidão) acreditamos que o cotidiano pode ser alegre se  o reinventarmos, só não sabíamos que nosso mundo ia ficar tão vazio sem a presença de um certo anjo!

Alda Alves Barbosa

4 pensamentos sobre “PARTIDAS

  1. lindíssimoo, como de costume né?!

    Por quê temos sempre que ir? é a vida, ela é assim, estamos em constantes buscas, constantes mudanças, é preciso mover, pra modificar, pra se ter ação… se mudamos até de opniões, pq, simplismente pq, no dia em q vc acredita ter uma opnião feita sobre algo, é evidente que não é preciso aprender mais nada… por isso eu não quero nada feito, nada pronto, nada imutável. quero viver, e pra isso preciso de movimento, de buscar (mesmo que isso implique em partidas), querer, agir… conseguir ou não, encontrar incertezas e dúvidas são meras consequencias, mas enquanto isso a gnt se diverte um bocado e descobre muito pelo caminho!

    saudades tia, te amo muito!

    • Dani, nós, considerados seres humanamente humanos, temos tendências a questionar o óbvio. As partidas são invitáveis, mesmo porque não precisamos arrumar as malas para uma determinada partida. Vamos como estamos, do que jeito que temos de ir. Mas em se tratando do chão, não do voo, é isso, a vida é movimento, e nestes movimentos vamos de encontro ao desconhecido que com o passar do tempo acabamos tornando íntimos. De novo partimos… E vamos agregando conhecimentos pelos caminhos,até que um dia inevitavelmente paramos . A vida é curta, dura pouco… Mas eu te amo muito minha linda!
      Mil beijos
      Tia

  2. Quem parte leva, saudade de alguém
    Que fica chorando de dor
    Por isso não quero lembrar
    Quando partiu meu grande amor….

    Não partas, para que eu não chore….

    Mil beijos….

  3. Meu lindo, um dia partiremos, sem precisarmos levar bagagem. Mas como disse um amigo meu “A vida não é só nascer e fenecer, até chegamos ao fim temos um caminho cheio de sonhos a percorrer”. E eu sonho percorrer este caminho com você, de mãos dadas sem olhar para trás, porque na nossa frente vislumbra o nascimento de um novo tempo, tempo de abraços, de mãos entrelaçadas de corpos suados… Esta é a vida. Imagine-a sem sonhos, sem fantasias! Terra árida sem a umidade do olhar!
    Mil beijos

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