TARDE DEMAIS

Decidi que preciso saber menos sobre você. Decidi que não quero saber mais quem você amou e foi amado no passado. Decidi que não perguntarei mais onde você foi com quem você esteve sobre o que conversaram. Jantar de negócios? Não quero saber em qual o restaurante, o que você pediu como sobremesa. Sim, até a sobremesa me leva a pensar… Verdade, eu penso isto sim. Dispensa-me de pedir-me algo que está em sua carteira porque irei muito além de procurar este algo. Não me peça para guardar suas roupas sujas porque vasculharei todos os bolsos e minuciosamente olharei cada detalhe de sua roupa íntima. Não quero ouvir mais de você quais os estilos de música que você gosta e que música o faz lembrar-se de mim ou se parece comigo. Não quero saber qual o doce que você ama comer, do seu perfume que combina com sua pele morena, do seu gosto especial por roupa social. Não quero saber do seu perfeccionismo com os seus guardados, do seu guarda-roupa separado por cores e de todas as camisas com mangas comprimidas, jeans? não cai bem, fica com jeito descuidado. Suas gavetas, ah, suas gavetas, tudo dobradinho, arrumadinho lado a lado, separados por espaços milimetricamente iguais. Não quero mais saber quando serão os jogos Corintianos, nem da torcida fiel, do seu futebol nas manhãs de domingo, a loura gelada para comemorar o ganho ou a perda do seu time. Permita-me eximir-me de ver a sua compulsão pela internet, dos seus “amigos e amigas” que ficam atrás da telinha, que provavelmente terá zero de chance de conhecê-las e que são denominadas carinhosamente de “amigos (as).” Poupa-me desta mania de viver no mundo virtual, a sua realidade você não vê, não sente, não vive…
Não me presenteie mais. Não me dê lembranças, DVDS, fotos, celulares, livros, bilhetinhos, poesias: não quero fazer altar com o que você me presenteou, não quero fazer santuário de suas coisas, de seus presentes, pois terei que ficar ajoelhada o dia inteiro fazendo peregrinação pela casa.
Minha pele precisa da sua para o simples ato do respiro.
Como caí no apenas observar você, viver de você entrei na desinformação do que acontece no mundo porque meu mundo está no que você é, meu mundo está no que você faz.
Dei ultimamente para suspirar de repente, suspiros fundos e prolongados.
Não quero descobrir mais nada de você: não me conte onde suas mãos tocaram senão eu ficarei ali imóvel imaginando suas mãos morenas, suaves, fazendo brilhar o objeto do seu toque.
Não me diga “vamos assistir um filme naquele cinema”, será mais lugar para esperar você.
Não me diga “Gosto de ser assim”, porque eu já estarei sendo o que você é.
Não brinque de deitar na grama porque gosto do verde e terei que cuidar de mais um jardim.
Não invente dançar na rua porque serei mais um Fred Astaire dançando nas ruas da Selva de Pedra.
Controle esta mania de espalhar se perfume pela casa, pelas ruas, pois correrá o risco de eu achá-lo pelo teu cheiro.
Não faça isto, não faça aquilo, não chore, não ria, não exista, para que eu não sofra quando perder você.
Tarde demais!

Alda Alves Barbosa

2 pensamentos sobre “TARDE DEMAIS

  1. Bom dia minha linda ! Nunca diga tarde demais, pois o nosso futuro a Deus pertence. Será que um dia na selva de pedra você será capaz de encontrar alguém diante de um mar de gente pelo olfato de um perfume especial ? Fica triste não ! São fases de desencontros apenas. Vou querer saber sempre como você está .está vestida com aquela elegância e o charme de sempre. Os comentários tardam, mas não faltam. Beijos e ótima semana pra você. Fique sempre com Deus.

    • Boa noite meu lindo, quando eu disse “Tarde demais” no texto não quis dizer que já era tarde para a esperança, para sonhar,para realizar. No conto a personagem disse que era tarde demais quando ela decidiu que não iria viver mais sobre a égide dele, do seu companheiro. E quando ela tomou a decisão de não viver a vida dele, para quando ele fosse embora ela não sofresse, já era tarde demais. Ela já estava envolvida totalmente com ele e nele. A lucidez da personagem chegou tarde, a dor da ausência já estava instalada, ela o amava muito… Quando ele se for não terá como evitar o sofrimento, ela já não é ela, é extensão dele.Sintetizando, ela estava se preparando para não sofrer quando a separação fosse inevitável , mas já era “Tarde demais”…
      Fique com Deus

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