MADRUGADAS… ONDE SEUS FILHOS ESTÃO?

Imagem meramente ilustrativa

… E Deus fez o mundo em sete dias e  descansou. Fico a pensar: Se Deus, nosso Pai, trabalhou e teve necessidade de descanso, imagine nós pobres mortais, seres humanos incompletos, morada de vaguidão, que temos de trabalhar dia após dia para prover o nosso sustento e o sustento de nossa família.. Como não somos Deus, mas sim feituras de barro, criaturas efêmeras, frágeis, o nosso cansaço precisa de descanso, e por isso precisamos do “sono nosso de cada dia” para darmos conta da vida, do nosso papel que coube a nós neste mundo. Mas não é assim que acontece neste chão. As madrugadas são janelas que se abrem para o inferno. Estivesse Dante escrevendo sobre o seu inferno literário teria jogado as palavras já escritas fora para reescrever o seu não/céu inspirado nas madrugadas infernais das ruas unaienses. É Dante Alighieri, somos vítimas das armas satânicas que os pais deixam nas mãos de seus filhos irresponsáveis; somos vítimas da irresponsabilidade de muitos adultos que vendem drogas chamadas de lícitas a quem não respeita nem a si mesmo, imagine os outros! Esta história ou estes acontecimentos noturnos, quando não, diurnos também, vem se prolongando através dos anos, deixando nós, moradores deste chão, à mercê de jovens que podem escolher seus governantes mas não podem pagar pelo não cumprimento da lei. Verdade Dante, estranho isto, na verdade um paradoxo. Por favor, não fique boquiaberto, este é o Brasil, eternamente contraditório, eternamente dormindo em berço esplêndido, enquanto nós, aqui deste cerrado do noroeste mineiro, amargamos nossa indignação pela impossibilidade de conciliarmos o sono. Até quando? Nunca sabemos quando providências serão tomadas em qualquer setor, tudo é para depois, quando não são totalmente ignoradas. Não acredita? Deveria acreditar, esta é a verdade. Mas agora sou eu que questiono: até quando seremos privados do descanso merecido? Até quando ficaremos acordados nas madrugadas esperando o milagre do silêncio? Até quando estes “jovens” tão experientes que cresceram sem valores, sem ética, sem conhecimento de que a lei do silêncio existe, mas que não seria necessário existir, pois para respeitar o outro basta lançarmos mão da auto-censura que faz morada em nós, e é através dela que “somos”, ou “poderemos ser…”Até quando a nossa voz de indignação vai ecoar pelos ares sem ter parada no local exato da solução? Ó Deus! O Senhor vê homens assassinando as leis, gente matando gente, as vezes matam devagarzinho porque noites mal dormidas ou não dormidas são noites mortas: matam o nosso sono, matam a nossa paciência, massacram a nossa dignidade, porque o silêncio não tem voz e todos ou quase todos escondem detrás deste silenciar. Cenas indescritíveis são presenciadas por muitos pelas fendas das janelas: carros girando em torno deles mesmos, jovens enfrentando a morte de peito aberto porque se consideram jovens demais para morrer ou porque não conhecem a vida, andam de mãos dadas com Tânatos. Se desejam o afago do “ir embora” é direito deles, mas não ponham a vida de quem está nela porque gosta de viver,na vala comum dos inexistentes, dos que se foram sem ter tempo de se despedir, porque o que era evitável tornou-se inevitável, desembocou na ausência de proteção dos pais, das autoridades constituídas no posto de “cuidadores do povo” que dormem nos colchões macios do absolutismo, enquanto o morrer de qualquer jeito, por qualquer um, vai chegando no barulho dos pneus, nos odores nauseantes que exalam dos carros, no ronco ensurdecedor dos motores… O acordar para morrer chega no voo dos carros, das motos, no inferno dantesco de quem sabe que o limite não é o céu!
Então senhores pais, procurem saber onde estão seus filhos nas madrugadas unaienses. Se não estiverem onde disseram que iriam estar, procurem-os na Av. Governador Valadares, no postinho, onde há uma loja de conveniência, em frente a Eletro Zema, ou no Bairro Cruzeiro, ou em qualquer lugar onde haja aglomeração de jovens fazendo cavalos-de-pau, músicas ( a ofensa não é proposital) no último volume , gritos, rachas, bebedeiras, polícia chegando, polícia saindo… Até o nascer de um novo dia, de uma nova noite, nova madrugada e o recomeço do pesadelo dos que querem e necessitam dormir.

Alda Alves Barbosa

4 pensamentos sobre “MADRUGADAS… ONDE SEUS FILHOS ESTÃO?

  1. Parabéns Alda por chamar atenção das autoridades, dos pais e da sociedade para o problema que vive sua cidade a noite e como vc disse as vezes ao dia também. Caso eu esteja enganado me parece que tem até um padre vendo o espetécula aí na foto não é ? Sendo assim a quem recorrer ? Minha linda parabéns mais uma vez por fazer o papel de mãe de toda essa juventude, cujos pais verdadeiros é que deveriam estar zelando por eles. Mas vc que nem mãe nunca foi se preocupa mais com os filhos do seu cerrado do que aqueles que realmente deveriam se preocupar, instruir e zelar mais…..

    • Alda, também parabenizo você por abordar este assunto que nos preocupa muito. Nós moradores em prédios em frente a prefeitura sofremos muito com a “leréia” causada, principalmente nos fins de festa
      quando a turma resolve se juntar nos famosos “pit-dogs”, construidos em alvenaria em plena praça, para ficar esperando o sol nascer, enquanto nosso sono é atropelado pelos sons em alto volume e a
      turma tem que falar gritando uns com os outros senão ninguém ouve.
      Quanto ao comentário do Gilson Miranda, aquele padre da foto, não é da nossa cidade, pois conheço todos eles e sei o quanto sofrem tambem com o barulho na rua onde residem.

      • Oi Gilda, não sabia que éramos vizinhas! Esta tortura do não/dormir também você é uma vítima? Esta é a a terceira vez que abordo este assunto, este problema tão sério. Não só pelos que necessitam dormir mas também pelos jovens que estão sem limites, ignorantes do que é certo e errado além de ignorarem completamente as leis municipais e a nossa Constituição. Quem são os culpados? A família, as autoridades, a escola ou nós que colaboramos e muito com o nosso calar para não termos que ir até uma delegacia brigar pelos nossos direitos? Acho que é a somatória de tudo isso, mas a culpa é mais nossa, sabe porque Gilda? PORQUE NADA E NINGUÉM RESISTE A PRESSÃO POPULAR. Quantos governos cairam, agora mesmo tivemos Palloci, ele não caiu por causa de deputados, senadores… a sociedade começou a se organizar… Saiu por livre e espontânea vontade? Não, o povo começou a gritar pela saída dele! Só acabará Gilda quando nós nos mobilizarmos, quando dissermos chega, tomem providências, senão tomaremos nós.Gilda acho que você pode imaginar como fico após noites e noites sem dormir! Na verdade em nosso chão as leis existem para serem descumpridas, e pensar que tudo isto acontece nas “barbas” da Prefeitura Municipal!
        Gilda, quanto a imagem, a culpa foi minha, esqueci de colocar “imagem meramente ilustrativa” ( já coloquei) e o Gilson, meu grande amigo, é de São Paulo, não conhece aqui., deduziu que esta imagem fosse daqui. Mas ele é como nós, na verdade como vc, missa diária e amizade estreita com os padres da paróquia dele. Eu ia tirar esta particularidade, porque ele me autoriza a fazer isto, mas vc já havia visto e comentado, então deixei. Minhas desculpas a você e aos nossos queridos sacerdotes.
        Obrigada pela participação, enviei ontem duas mensagens para você, muito bonitas, obrigada tbm pelas lindas mensagens que recebo de vc.
        Abraços

    • Gilson, quero me desculpar, mas esqueci de colocar “imagem meramente ilustrativa”, e como você não conhece aqui, óbvio que iria achar que estas imagens fossem de Unaí. Os sacerdotes daqui também são vítimas desta falta de respeito, desta falta de limite e da indiferênça de quem dirige este município. Ontem, dia l6/06/2011 dormi com as minhas mãos apertando meus ouvidos, tanto o desrepeito imposto pelos chamados jovens de hoje, e que amanhã certamente serão adultos irresponsáveis. Do jeito que a juventude está ( não estou generalizando) fico aqui pensando, quem poderá se responsabilizar por este país amanhã? Claro, os tempos mudaram, mas as pessoas deveriam continuar sendo educadas, respeitosas, é o mínimo que se pode pode exigir de um ser humano decente.

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