TRISTEZA, NOSTALGIA E DEPRESSÃO – COMO DIFERENCIAR?

Hoje eu estava dando uma geral no meu quarto, achei uns CDS que há tempos não ouvia e os coloquei para  tocar. Arrumando as gavetas encontrei algumas fotos antigas, fotos de lugares  em que morei, de reunião de família que não fazemos mais. Viajei pelo passado, me deu um não sei o quê, parecia tristeza, saudade, uma vontade de chorar! Queria voltar no tempo, fiquei divagando até que a realidade me sacudiu: “mãe, o almoço ta pronto? Deixei a NOSTALGIA na gaveta e fui pro fogão.
Hoje eu não quero ver ninguém. Vou fingir que não estou em casa, não vou atender ao telefone nem a porta. Não quero falar nem ser vista, senão eles vão perceber que eu chorei , os  olhos inchados e o nariz entupido me denunciam, vão querer saber o que houve, e se eu falar, se tiver que contar vou chorar outra vez. E ainda por cima vão dizer: Cê ta chorando por isso!! Tá certo que não é o fim do mundo, eu sei que vai passar, em alguns dias vou poder falar, mas hoje não dá. Meu gato morreu, eu gostava muito dele e estou sentindo uma profunda TRISTEZA.
Há dias fui ao médico. Já tinha algum tempo que não conseguia dormir direito. Às vezes meu coração disparava, parecia que ia sair pela boca. Levantar da cama estava cada vez mais difícil. Achei que estava doente, coração, anemia, sei lá. Andava tão sem vontade de nada, escutava meu filho dando gargalhadas vendo TV e não acreditava que aquele “trem chato” podia fazer alguém rir. Eu gostava tanto de ler, acho que ainda gosto, o problema é que quando lia, passava várias páginas e não me lembrava de nada. Quem será isso, heim? Será algo grave? Será que tem cura? Após os exames o médico disse que eu não tinha nada, minha saúde estava ótima. E agora? Como pode? Acho que ele não quis me contar, estava ruim demais, até do banho andava fugindo. Eu tinha que estar doente, as coisas mais simples da vida parecia um fardo. Morrer seria uma benção. Mas a morte não vinha. Fui ao médico outra vez, chorei, expliquei, ele ouviu e entendeu. Após uns vinte dias tomando remédio e fazendo psicoterapia
As coisas começaram a melhorar, ele acertou, eu tinha DEPRESSÃO.
Perceberam a diferença? A TRISTEZA tem uma causa de fácil identificação. A NOSTALGIA pode ser sinônima de saudade (não só da pátria, como está no dicionário), às vezes é difícil identificar de quê. É uma sensação de vazio, de falta de alguma coisa que a gente teve, de um tempo que foi bom… Já a depressão é um transtorno do humor (afetivo), com perda de interesse pelas coisas, além da ausência de prazer, energia reduzida, cansaço exagerado, entre vários outros sintomas. O grande risco da depressão não tratada é o suicídio. Por isso na dúvida procure um especialista.

Clarice  Azevedo

Psicóloga com especialização em psicopedagogia. Consultório: Rua Celina L. Frederico, 373 –  Sala 04

4 pensamentos sobre “TRISTEZA, NOSTALGIA E DEPRESSÃO – COMO DIFERENCIAR?

    • Carpe, já li em muitas revistas científicas que cada dia o número de pessoas que passa por esta dor cresce assustadoramente. Na verdade isto não serve de consolo porque a dor da alma é uma dor que foge ao nosso entendimento. É quase um desistir da vida, e olha que muitos desistem, tal a intensidade ! E pensar que só os remédios não resolvem, precisamos de profissionais que nos ouça e nos ajude, e principalmente nós precisamos de nos ajudarmos, o que é um paradoxo, se estamos sem energia, sem seiva para viver, como nos ajudar? Espero que você esteja bem, e se não tiver, dobre os joelhos no chão, Deus está atento ao que passa dentro e fora de nós, e é dele e através dele, que conseguimos chegar ao fim do dia. Estou aqui, nunca esqueça disto… Apesar de saber que na verdade queremos o isolamento… mas não é aconselhável este “estar só”
      Abraços

      • Olá pessoal; tenho algo a compartilhar… tenho 20 anos, e me sinto tão vazio, paro alguns minutos e me pego pensando no passado, indo pro colégio, jogando video game com meu irmão e amigos, assistindo desenhos animaods…e as lágrimas escorrem, como se não parassem, penso em minha avó fazendo doces, meus irmãos e eu rindo de besteiras,a pureza da infância, a ausência de preocupações que ela nos permite ter; e então que surgiu na mente um vazio tão grande que trouxe consigo uma vontade nunca antes pensada: o suicídio; a vida parece cada dia ter menos valor, menos utilidade, nada parece valer a pena, nada parece ter graça, apenas superficialmente; sinto como se eu não precisasse mais estar aqui, como se não fisesse falta, como se não tivesse nenhuma missão, mais nada de bom pra viver ou passar…me ajudem, por favor…
        Israel.azeredo@hotmail.com

      • Israel, espero que você tenha lido atentamente o que a psicóloga Clarice escreveu. Você se situou em algum que ela descreveu?
        Leia novamente. Vou responder-lhe por e-mail, ok?

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