DISCO DE VINIL

         Gramofone

Entre duas datas comemorativas famosas, poucos sabem que há um espaço para comemorar do dia do disco – Dia 20 de abril. Isto mesmo, aquele velho e ultrapassado “bolachão”, que poucos fazem uso nos dias atuais, e que algumas crianças sequer conhecem. Esta data foi escolhida por ser o aniversário de morte do cantor e compositor brasileiro Ataulfo Alves. Os discos de vinil foram desenvolvidos no início da década de 1950. O nome Vinil vem do material plástico utilizado na sua produção. Material bastante delicado e por isto requer cuidados especiais. Um exemplo é que não se pode deixar poeira sobre o vinil. Mas foi com este disco de sonoridade que hoje dizem que é de qualidade duvidosa, que dei os primeiros passos na dança e contradança. Foi através da musicalidade extraída dele que enlaçada pela cintura eu e meu par rodopiávamos pelo espaço onde se treinava o dois-prá-lá dois-prá-cá, o chamado bolero. Também vi nascer o “novo mundo” musical com os Beatles, Rolling Stones, Roberto Carlos, Erasmo Carlos… Meus namorados coincidentemente eram encontrados nas horas dançantes onde o disco de vinil girava e meus olhos procuravam o amor. Muitas músicas deixaram suas marcas em mim, boas ou más, mas no meu presente, quando as ouço, me vejo enlaçada pelos braços do namorado e timidamente me sentia envolvida pela beleza da música e acompanhava vacilante o meu par. Outras músicas me lembram o ponto final no relacionamento. A perda, o vazio que o amor deixa quando vai embora. As Serenatas, violão? Que nada!… Eletrola portátil, disco de vinil (LP como era chamado) que era a abreviação de Long Play, que tem o formato de um círculo com 31 centímetros de diâmetro com gravações dos dois lados com 20 minutos de música. Este tempo era a garantia que tínhamos de que ficaríamos abraçados ao amor. Mas voltando às serenatas, as eletrolas portáteis que substituíram os acordes do violão e a voz do cantador, nem sempre era sinal de boa música. O vento que chegava sem avisar desafinava a voz do cantor, ou o disco estava arranhado e a música não prosseguia… Como papagaio ia repetindo até que alguém desse um empurrãozinho no braço e a agulha que copiava seguia o caminho das ondas sonoras do LP. Na maioria das vezes era assim, um desastre total, mas valia a intenção. Havia também o compacto simples, de vinil com apenas quatro músicas e o compacto duplo com oito músicas. Este tipo de disco com apenas 17 centímetros de diâmetro era muito usado para divulgar as prévias do trabalho do cantor. E o tempo foi seguindo, outros cantores, outros grupos, mas a mesma ferramenta de trabalho, o LP. No Brasil há apenas 15 anos que os sucessores do vinil, CDs e DVDs, tornaram-no obsoleto, já que trouxeram maior praticidade e, segundo alguns entendedores, maior capacidade de armazenamento de dados. ”Bolachão “ou não, foi assim que tudo começou… E meu aprendizado na dança também!

Alda Alves Barbosa

6 pensamentos sobre “DISCO DE VINIL

  1. Que delícia de texto! Repleto de memórias boas! Então, a minha geração pegou a transição do disco para o cd. E é engraçado viver um tempo em que inclusive o cd é pouco utilizado. Apesar de toda a tecnologia e facilidade de baixar músicas, confesso que não troco um disco nem pela melhor e mais atualizada playlist da internet…. Aquele chiadinho do disco me fascina. Aproveitando o texto, fica meu pedido à todos os leitores que por acaso queiram se desfazer de algum disco, desde sambas, tim maia, erasmo carlos, roberto, os incríveis, wando, agepê, qualqueeer disco entrem em contato comigo, que eu tenho grande interesse em adquirir!
    Abraços!

  2. Esse texto foi pra me atiçar. É uma aula de história do disco e da música e também relato de um tempo maravilhoso de nossa história de vida em cidade do interior, onde não se precisave de convite, todos se conheciam. A calcada da Casa Rio Preto, lembra? A Rita ganhou uma radiola Philco novinha e rodou todos os sucessos dos LP’s da época. A gente ensaiava pra fazer bonito nas horas dançantes (nem sempre dava certo). Me lembrei do nome da nossa primeira banda musical (se falava conjunto musical). SOYOS SON 7, composto pelos irmãos Ronaldo e Betinho Santana, Domingos Gaya e Marcelino Neiva.

  3. Ei Dani, tenho vários, se morasse perto eu te emprestaria, mas vender jamais. Tenho até do Michal Jackson. Agepê, muitos sambas de enredo das escolas de samba do Rio de Janeiro…etc….

    • Ah Gilson, não vale passar vontade rs!!!!
      Coisa boa é ouvir um bom chiadinho de disco né? Mas pode deixar o dia que eu tiver minha casa com meu espaço cultural te convido pra ouvir umas músicas, e tambem não dou, não vendo e não empresto nenhum hahahahaa, brincadeira claroo, posso até pensar em algum empréstimo!!!

      Abraços

  4. Já ouvi muito estes bolachões. Me lembro muito bem quando saia um disco novo era uma febre nas lojas para comprar. As vezes tínhamos que encomendar tamanha era a procura. Eram discos com capas muito bonitas, bem trabalhadas. O cuidado era muito grande para que não sofresse nenhuma ranhura, pois quando o mesmo era riscado ficava parecendo que estava com suluço quando a agulha passava sobre o risco. Isto quando não enroscava e ficava repetindo a mesma coisa parecendo gago…..rsrsrs. Mas com o tempo era inevitavel os riscos e com isso vinha a chiadeira, o que se tornava um som de pouca qualidade, praticamente o LP estava condenado a ir para o lixo. Logo em seguida surgiu a fita K7. Foi uma revolução, pois não riscava e não alterava a qualidade do som. Mas em contra partida as mesmas eram gravadas dos discos de vinil de acordo como se ouvia nos mesmos. Mas quando as mesmas enroscavam era um transtorno para desenroscar do Tape Deck, o que muitas vezes acabava danificando definitivamente a fita. Passamos por tudo isto. Tempo bom que não volta mais. Ainda tenho muitos discos de vinil guardados aqui comigo como recordação.

    • Sem contar, meu querido, que ouvíamos belas e poéticas músicas! Sei que cada tempo é marcado por algo importante, inovador… Temos hoje o CD, o DVD,internet, toda uma tecnologia, mas em compensação, segundo o meu olhar, falta hoje o aconchego das palavras, o estar junto, o abraço… As pessoas vivem o isolamento e se acostumaram com ele. Não entendo como a vida pode ter significado sem mãos entrelaçadas… Bela época do “bolachão”, da fita cassete e dos namoros nas varandas! Obrigada pelo seu belo e importante comentário!
      Abração, meu mozim!

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