SILÊNCIO…

À Maria Aparecida Torres Martins


 
Amanheci gritando por silêncio. Silêncio dentro de mim… Silêncio nas ruas! Um silêncio perfeito, profundo! Nenhuma folha a farfalhar na passagem do vento já emudecido; nenhum murmúrio das águas do Rio Preto; nenhum pássaro a brincar nas nuvens.
Peço silêncio para as faltas, para as ausências, para as saudades. Silêncio para as lágrimas derramarem; para chorar a vida que partiu sem se despedir. Ausentou-se sem dizer adeus, até um dia. O tempo foi mais rápido. Não lhe deu tempo para despedidas.
Você foi quando o dia, cansado, ameaçava expirar. Prenúncio crepuscular. Voo rubro do arrebol. Adejo de borboleta rompendo a larva.
Sim, você sempre foi borboleta, foi rio cantante, margaridas alvas enfeitando o mundo. Você foi rocha. Era anjo de asas mansas, rosto esculpido de ternuras e olhar permeado de sabedoria. Anjo suavemente forte; anjo desse chão, dos belos amanheceres e entardeceres.
E esse chão anoiteceu sem você! Nenhum amanhecer voltou a acontecer. As cores vivas das tardes não existem mais. A lua… a lua continua a brilhar porque se ela apagar não veremos mais você!
 
 
                                         Alda Alves Barbosa

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