Retalhos de Minas – São Romão – MG

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              A história do município é marcada pela luta contra os índios caiapós e pela repressão aos quilombos e aos assaltantes de estrada. Mas é marcada, sobretudo, pelo inconformismo com o jugo colonial, que explode na Revolução do Sertão em 1736. Os revoltosos de São Romão formam uma espécie de governo provisório, cujo plano geral era de que o distrito de Ouros – a região do rio das Velhas e do Sabarabuçu – se juntaria aos revoltosos assim que fosse dominado o sertão do São Francisco.

                Empório comercial e ponto de ligação dos sertões com o litoral, São Romão começa a decair com a derrota da Revolução do Sertão e com a nova saída para o mar, aberta pelo Caminho Novo – que partia do centro da província em direção ao Rio de Janeiro. Quase um século após a insurreição, em 1831, o arraial se torna vila com o nome peculiar de Vila Risonha de São Romão. Em 1923, é elevado a município.

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Patrimônio Histórico Arquitetônico e Cultural

Casa da Cultura  

            A antiga Cadeia Pública de São Romão (1880), hoje Casa da Cultura está localizada no que corresponde ao núcleo histórico do município. Destaca-se na paisagem a sua localização privilegiada, seu volume imponente e seu significado histórico para população local. Em seu entorno imediato encontram-se os remanescentes da arquitetura colonial.

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“ CASA DA MOEDA”

             Localizado no centro da cidade, possui uma construção no estilo eclético, com janelas frontais com vergas curvas e com um Brasão da República estampado em sua fachada.

             Eram três os casarões com o  Brasão da República em suas fachadas, construídos entre os anos de 1890 a 1930. Dois pertenciam a irmãos republicanos. Todos homens de posses e de letras, que chegaram a ter uma banda de música em São Romão. Todos os três casarões eram residências e comércio.

             Este casarão  sobrevivente foi vendido na metade dos anos de 1970. Foi transformado em pensão e restaurante que funcionou até a década de 1990. Foi restaurado no final da década de 2000 e no momento é a sede da Secretaria de Cultura do Município de São Romão.

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IGREJA NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

               Foi a segunda Igreja a ser construída no município ( a primeira foi demolida ), considerada uma das mais antigas construções da cidade. Possui arquitetura colonial. Nela são realizadas algumas celebrações, missas festivas de tradição da cidade, como também a cavalhada nas vésperas da festa de outubro. Representa o início da história do município, o período da colonização no Brasil, uma época marcada por grandes lutas e desbravação de território.

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FESTAS E FOLCLORE

Festa de Nossa Senhora do Rosário (Festa de Outubro )

                É considera a festa tradicional da cidade. Começa na última semana de setembro com a cavalhada e levantamento do mastro na Praça da Igreja Nossa Senhora do Rosário. Em seguida na casa dos festeiros ( Rei e Rainha ) são servidos doces e bebidas aos cavaleiros e comunidade.

                Na primeira semana de outubro, no sábado noite, tem a coroação do Rei e da Rainha da Igreja Matriz do Divino Espírito Santo. Após a missa, os festeiros recepcionam os convidados em suas residências com apresentações folclóricas, comidas e bebidas típicas.

                No domingo,  às 4h da manhã acontece a alvorada com a banda 7 de setembro. Logo após sai o cortejo do reinado pelas ruas da cidade e com apresentação dos grupos folclóricos. À tarde a procissão de encerramento com a missa solene e sorteio de Rei e Rainha para o ano seguinte.

                Nesse período é organizada pela Prefeitura Municipal uma programação paralela a da Igreja, festa durante o dia no balneário Riacho da Ponte e à noite, na cidade, apresentações com bandas, barracas com artesanato, comidas e bebidas típicas. É uma época propícia de visitação dos san-romanenses ausentes que aproveitam essa data para rever parentes, amigos e matar a saudade de sua terra natal.

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Bumba-meu-boi

                É um evento que ocorre no mês de janeiro e fevereiro com apresentações do Bumba-meu-boi, um grupo folclórico bem rústico, com instrumentos feitos por eles mesmo.

                É caracterizado por uma cabeça de bovino verdadeira e o dorso confeccionado de madeira, coberto por tecido simples. Dois vaqueiros munidos de equipamentos que imitam varas de ferrão e duas “ catirinas “ ( crianças vestidas de túnicas brancas ou de saias com blusas, lenços brancos na cabeça, na forma de turbante ), dançam com os vaqueiros antes da chamada do boi, que aguarda à distância. Tudo isso no ritmo de cantos, músicas características e palmas.

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Cavalhada

                  Acredita-se que a três séculos tenha começado a cavalhada em São Romão. Fala-se sobre a vinda de tropeiros e também sobre uma provável aparição de Nossa Senhora do Rosário. Enfeitam-se os cavalos com fitas, forro com desenho de santa e guizos com som de cascavel. Durante a cavalhada, os integrantes usam chapéu de palha, roupas brancas, fitas coloridas e levam na mão uma lanterna que tem que permanecer acesa durante a apresentação.

Batuque

                Uma dança de origem africana. Moças e rapazes vestidos de branco dançam e cantam ao som do batuque e de um instrumento musical chamado roncador. Vão tocando uns nos ombros dos outros, giram o corpo e tocam-se de novo. O público presente pode participar da dança.

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Dança de São Gonçalo

                Conta a tradição que São Gonçalo era um violeiro. E para não deixar as mulheres livres e tirá-las da vida fácil, ele ajuntava todas as mulheres em um bar e tocava seu violão. As mulheres se interessavam e esqueciam de se prostituir. Daí elas encontravam pares que até acabavam em casamento. Dança de origem portuguesa, onde dois senhores vestidos de branco ficam à frente de duas fileiras de danças. Cantam e fazem alegorias com grandes arcos segurando nas mãos, ornamentados com tiras de papel.

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Congado

                Dança originada na África e tem origem no sincretismo entre cultos africanos com devoções da Igreja Católica. Eles dançam em ginga, utilizam caixa de batuque e dois pandeiros, e acompanham o cortejo do Rei e da Rainha, ou imperador nas festas religiosas.

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Caboclos

                De origem indígena, fundada após verem os índios dançando na ilha. Usavam saiotes feitos  de palha de buriti e tintas por todo corpo, tirada do urucum. Cabelos compridos de malva roxa, que colocavam de molho durante um mês e oito dias, depois batiam para desfiar e colocavam tintol da cor preta. Cantavam e dançavam em rodas, percorrendo as ruas da cidade. Todos usavam capacetes feitos de papelão enfeitados com papel de seda e penas de pavão. O chefe e o Capitão usam pulseiras de penas nos braços e nas pernas. O chefe usa lança e os caboclos usam a flecha. Hoje em dia não se pintam mais os corpos, os caboclos usam camisas vermelhas em honra do Divino Espírito Santo e camisa azul que representa o manto de Nossa Senhora D’ Abadia.

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Belezas Naturais

Riacho da Ponte

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Rio São Francisco

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Ilha Caiapós

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Balneário do escuro

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Tamarindeiro antigo

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                       Nos últimos anos toda essa cultura tem sido valorizada, como prova disso, foi gravado na cidade o filme intitulado “ Girimunho “. Como protagonistas, gente de lá mesmo, Dona Maria do boi, Bastu… gente da cultura e do folclore san-romanense. O filme já foi exibido em várias cidades brasileiras e vai ganhando o mundo. Já foi exibido na  França, Espanha, Estados Unidos e outros países e premiado no Festival de Havana, no festival de Veneza, dentre outros.

                      Conheça São Romão, nade nas águas do Rio São Francisco, do Riacho da Ponte e mergulhe nessa cultura que insiste em sobreviver como uma chama que se alimenta pela paixão que queima no coração deste povo ribeirinho.

Outras fotos:

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Referências.

– Livro “ De Vila Risonha a São Romão  –  Histórias, tradições e lendas “  – Maria da Glória Caxito Mameluque

– telemacouga.blogspot.com.br

Algumas imagens foram retiradas da internet.

13 pensamentos sobre “Retalhos de Minas – São Romão – MG

  1. Oi, não completei a Leitura do site , mas São Romão munca teve casa da Moeda do Brasil. Esta casa pertenceu a Familia Leite. Que ainda tem parentes na cidade..jose Ataene cesar Palma – Bacharel em Turismo.

  2. Olá Zeta, tudo bom?
    Esse artigo é uma edição de vários textos que eu fiz, embasado em pesquisas bibliográficas e na internet. Também gosto de estudar a história, a cultura e as tradições de nossa cidade. Se ler todo o texto vai perceber que o subtítulo ” CASA DA MOEDA ” está entre aspas, justamente por saber que é assim que aquele casarão é conhecido, mas, logo desmistifico essa lenda quando cito que os ” casarões eram residências e comércio”. Nunca foram na verdade ” Casa da Moeda “. Para saber disso, basta procurar a história da Casa da Moeda do Brasil, e veremos que, se realmente em São Romão fora instalada a Casa da Moeda ou Casa de Fundição, em curto período ou não, nossa cidade estaria nos registros desta história. Infelizmente, São Romão está em poucos registros até mesmo na história da colonização das Gerais e do Brasil central, onde teve participação muito importante. Resta-nos os contos e as lendas. Assim mesmo, preserva-las é manter a nossa cultura acesa, mas concordo que dados históricos devem ser melhor estudados e elaborados, para que seja dita a verdadeira história da nossa cidade, e que os causos e lendas sirvam apenas para alimentar o imaginário do nosso povo.

    Obrigado pela visita e pelo comentário. Esperamos outros acessos. Será sempre bem-vindo.
    Um abraço.
    Lucian Grillo – Site Raízes

    • Pedro, que bom que gostou do texto. Aqui no site você sempre vai encontrar textos, informações, música, arte, poesia… da nossa terra. Fique a vontade para ler, comentar e compartilhar.

      Um abraço.
      Lucian Grillo – Site Raízes

  3. ,, Nossaaa,, ameei 😀
    Parabens,, pelo trabalhoo! Amoo saber a historia da minha terra Natal,, 🙂 ameei msm#
    Parabens ! C:

    • Karol, que bom que você gostou. Muito obrigado pela visita no site! Seu comentário e suas visualizações são muito importantes para nós. Será sempre bem vinda! Abraços

  4. Parabéns pela matéria. Mas realmente nós da Secretaria de Cultura e Turismo estamos desmistificando esta lenda de casa da moeda. Ficou muito bom o conteúdo, mas eu sugiro que nas fotos desta casa vocês coloquem o nome da Secretaria por favor.
    Ludmila Dias
    Secretária de Cultura e Turismo

    • Bom dia Ludmila Dias. Obrigada por acessar o nosso site. O nosso objetivo em “Retalhos de Minas” é mostrar a nossa mineiridade e as diversas culturas advindas dela. Enfatizamos também que colocamos aqui as cidades com belezas naturais para que elas possam ser vistas pelas pessoas que residem no Brasil e fora dele. E São Romão está entre estas cidades pela beleza e pela cultura ainda tão latente. Colocaremos o nome da Secretaria sim. Desculpe-nos, mas estamos aqui também para ouvir os leitores e consertar os possíveis erros. Abraços

  5. Boa noite Ludmila. Obrigado pela visita e pelo comentário. Fico feliz por ter gostado da matéria. Quanto ao seu pedido, informo que já está descrito que hoje o casarão é a sede da Secretaria de Cultura de São Romão. “[…] foi vendido na metade dos anos de 1970. Foi transformado em pensão e restaurante que funcionou até a década de 1990. Foi restaurado no final da década de 2000 e no momento é a sede da Secretaria de Cultura do Município de São Romão.” Um fraterno abraço.

  6. Minha certidão de nascimento indica que o mourão de porteira onde se encontra enterrado o meu umbigo, pertence a São Romão. Hoje, entretanto, este tal mourão localiza-se no município de Riachinho. Só que raízes são raízes e as minhas estão firmemente fincadas na antiga Vila Risonha.
    O texto desenvolvido é muito claro e não deixa nenhuma dúvida, mesmo quanto à “Casa da Moeda”, caso se proponha ir até o fim da informação.
    Gostei muito e podemos trocar figurinhas históricas sobre a cidade. Atualmente estou pesquisando uma ligação de São Romão com Paranã-TO ( antiga Vila São João da Palma, Norte de Goiás, à época ) de onde se transferiu uma família em 1850 para Minas ( São Romão e São Francisco ). Esta família, devido à origem, hoje é conhecida aí como sendo os Palma cujos membros se elevam a mais de 3.000 entre vivos e mortos.
    A primeira parte da pesquisa encontra-se no FULANOS e SICRANOS, livro que escrevemos sobre o assunto, em 2003.
    Saudações.

  7. Domingos, me desculpe pela demora para te responder. Apesar de hoje residir em Unaí, sou sanromanense de coração, como você bem disse, ” raízes são raízes”. Tentei colocar neste artigo, de uma forma sucinta a história de nossa cidade, e mesmo assim, faltou espaço para explanar sobre toda diversidade de arte, cultura e tradição acumulada naquele pedaço de chão. Também sou um fanático pela história do nosso município e ficarei feliz em podermos trocar informações sobre esta cidade que ainda tem tantas histórias para serem contadas.

    Abraços,

    Lucian Grillo

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