Tecnologia do distanciamento…

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     Nunca fui muito amiga de telefone. O toque anunciando que alguém queria falar comigo no momento que eu não desejava falar com ninguém, sempre me irritou. Em mim crescia um sentimento de impotência, como se eu não fosse capaz de fechar as minhas ” portas “. Foi então que decidi desconectar o invasor. Só reconectava quando me sentia pronta para ouvir os ruídos do mundo.

     Como se não bastasse, surgiu o invasor móvel. ” Nunca terei um celular ” – dizia eu a todos. Isso porque eu, que já não gostava do invasor fixo, começava a ser perseguida nas ruas. Nenhuma conversa com amigos ou pessoas conhecidas eram concluídas. O invasor do outro sempre se encarregava de cortar os fios do diálogo até então agradável. Impaciente aguardava o término do “colóquio”. E mais impaciente ficava quando era novamente interceptada pelo invasor. Então eu desistia. Entredentes despedia. Concluí que o contato com o outro eximia o corpo. Mas como adivinhar as expressões  faciais do outro lado? Pergunta que nunca calou dentro de mim.

     Na verdade escutar o outro conversando pelo celular me deixa constrangida. Sinto que estou participando da intimidade ou de assuntos que não me dizem respeito. E diante disso a minha ojeriza com essa forma de comunicação aumenta. Com receios de ser mal educada aprendi a pedir as pessoas que me visitam para desligar o celular. Somente assim a conversa terá princípio, meio e fim.

     A internet me obrigou a ter um telefone fixo. A distância dos parentes e amigos um celular da operadora TIM, e um da VIVO que torço para que ele MORRA. Para quem não gosta dessa tecnologia, reconheço que tenho demais. Sei disso, mas…

    Desespero mesmo é quando o interfone, os celulares, e o fone fixo chamam ao mesmo tempo. Vontade de desaparecer… A situação piora quando estou no banho. Impossibilitada de atender – moro só – o outro continua insistindo e inconformado liga para o telefone fixo. Uma kitnet é muito grande! Daí a insistência!!! Chego ao ápice da indignação quando sou cobrada por não atender o telefone. E ninguém consegue entender, e não precisa, porque não levo o celular quando saio.

     Moro só, mas não sou solidão. Gosto de ficar com minhas alegrias e minhas tristezas. Tenho muito o que descobrir dentro de mim. E para isso preciso me isolar. Tenho direito de não querer ser encontrada.

Alda Alves Barbosa

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