Por causa da chuva

 

 

 

 

 

 

 

Amanheci ouvindo músicas dos Beatles,
Dançando o rock dos Stones e
Mandando tudo mais para o inferno.

Amanheci com minha mãe cantando
com sua voz forte e bonita: “e a fonte
a cantar, chuá… chuá… Meu pai
saindo para ganhar o pão de cada dia.

À tardinha repousarei na paz do Capim
Branco, as cadeiras nas calçadas,
Minhas mãos entrelaçadas às do
Meu primeiro amor…

À tardinha meu pai chegará
Colocará o chapéu na pequena
chapeleira dependurada na parede.
O canto da água na bacia lavará
o suor do seu rosto, para
celebrar o fim do dia de mais
uma labuta.

À noite vestirei meu vestido de
mocinha, usarei meu primeiro
sapato de salto alto. Na vitrola
portátil – presente do meu irmão
Zezé – ouvirei “Eu estou apaixonada
por você.”

Hoje não quero adivinhar os amanhãs.
Quero os dias dos ontens para não
morrer no agora.

Alda Alves Barbosa

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