Parabéns Unaí

Hoje vou andar pelos caminhos do passado. Vou desbravar este cerrado mineiro, levantar a poeira vermelha deste chão pobre, mas rico em nascedouros de água, onde obras de arte retorcidas expõem suas esculturas naturais. Vou tocar na solidão do povoado do Porto do Capim Branco cravado numa colina cercado de sombrias matas e charcos, à margem direita de um rio de água escuras, o Rio Preto. Vou pisar nesta terra removida de sepulcros, onde tantos sonhos jazem adormecidos. E vagueio entre um instante e outro, absorvo ilusões, entro em cada ninho e diálogo com cada sertanejo, vestida com abraços da saudade: amo o vento que sibila nas folhas; amo essa paciência física como repouso de todos os ossos. Vivo cheia desta substância lúgubre, sabor solitário das sementes mortas acorrentadas neste chão. Passeio entre documentos entre origens e chego no dia 15 de janeiro de 1944. O povoado se desvincula da terra-mãe. “Independência ou morte”. O coronelismo mostra o rosto. Tempo que parecia não ter ponto final e que deixa na minha alma um sabor que me deprime. Desnecessário dizer que este tempo adormeceu envelhecido entre as folhas amareladas que se soltaram das arvores do cerrado. 1960, uma espessa luz se acende no Planalto Central – Nasce Brasília! 1967, imigrantes chegam de várias regiões mineiras- Trazem sonhos para serem tecidos neste chão. Neste mesmo tempo muitos Unaienses partem – Buscam seus sonhos, buscam o conhecimento e o fim da obscuridade. Outros olhares se voltaram para este chão. De inúmeras regiões do Brasil ouviu-se o canto deste cerrado. Encantados pela harmonia sonora, aqui chegaram. A paisagem foi modificada: As esculturas naturais foram substituídas por véus roxos, amarelos… Nos anos 80, nas madrugadas solitárias, o cerrado grita por socorro, grito tão longe que sai riscando de pedras os caminhos. Ninguém ouve. A motosserra não perdoa… Os féretros seguem pelas rodovias. Sepultamentos em lugares incertos. O coronelismo ameaça ressuscitar no escuro das noites… muitas almas se apequenam diante do medo. A politicagem, herança maldita, fantasma atemporal, desliga as luzes do fim do túnel… Um longo e frio inverno… Chama de cinzas! Hoje, está terra ensolarada completa 70 anos de emancipação política. Possui idade suficiente para exigir respeito de todos. Vou além: respeite-a e a ame.

Hoje plantei sementes de esperanças… Desejo ardentemente que a terra se abra para que o plantio floresça!

PARABÉNS UNAÍ!

Alda Alves

3 pensamentos sobre “Parabéns Unaí

  1. Parabéns ALDA e EQUIPE !!

    Feliz por sua nobre forma de expressão e cultura com a nossa UNAÍ.

    Um Excelente 2014 à todos os UNAIENSES e parentes que ai estão.

    RAFAEL MELLO (KATANA)

    • Obrigada Rafael. Fico muito feliz em tê-lo aqui conosco. É muito bom ler os comentários. É sinal que estamos sendo lidos. As críticas que nos ajudam a melhorar também são muito bem-vindas. Nos visite mais vezes.
      Abraços

  2. embora seja contraditorio a funçao da motoserra, mas foi e é um estrumento de trabalho que deu maior enfase ao crescimento e progresso de unai, parabens alda pelo o seu histórico de hoje e os de sempre, mas devemos, como unaienses de coração, sermos sempre gratos( ) aos instrumentos que foram usados para o grande desenvolvimento de unai(enchada, machado, foice,, arado, grades, tratores e ai vai ..) embora saibamos que destroe, mas são do uso da agricultura e por eles somos conhacidos pela grande produção agricula. Milton-unai-mg

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