Mamãe… Mamãe… Mamãe

Mamãe... Mamãe... Mamãe

O sol ainda dormia e Luiz Alves de Sousa acordava a nossa tão pequenina Unaí com a alvorada do “dia das mães.” Sua voz clara e bonita derramava palavras que aprofundavam mais ainda o amor dos filhos pelas mães. Nossos ouvidos, ainda sonolentos, despertavam para que a emoção nos abraçasse. Eu ainda tão criança tinha certeza de que toda aquela beleza subia aos céus e encontrava Deus; Era um retorno ao lar da alma. Acredito que todos retornavam. Um presente inesquecível da “Casa Pimentel.”
Em mim estes retornos ao plantio, este sentimento amoroso vinha acompanhado de dor. Bela e triste a música chegava aos meus ouvidos, ia até as serranias ou além delas, alçava voo, mas retornava ao meu coração de menina: “Mamãe, mamãe, mamãe// tu és a razão dos meus dias// Em ti eu me sinto criança… Se eu pudesse eu queria outra vez, mamãe// começar tudo, tudo de novo”…
Eu, no meu quarto, ainda deitada na minha cama “patente” escutava os soluços de minha mãe entrecortados pela palavra que deixara de pronunciar aos nove anos de idade: mãe… mãe… Meu coração também chorava, doía… Nestes momentos as lágrimas pareciam abrir fundos abismos em meu rosto. Sentia-me roubada, ou era minha mãe que se sentia roubada? Nunca obtive resposta… Mas ainda a vejo sair do quarto com o olhar de solidão tão profunda que as lágrimas escorriam pelas fendas do seu rosto… rosto jovem, olhar de anciã… Orfandade!
Eu? tinha um sentimento de exílio!

Alda Alves Barbosa

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