Produção Orgânica também enfrenta questionamentos – Última parte

Preço alto

Outro problema ainda sem solução é o elevado preço dos produtos orgânicos, que bate no bolso do consumidor nas grandes cidades brasileiras. Por enquanto, tanto as grandes redes de varejo quanto as lojas especializadas parecem apostar na alimentação orgânica como um nicho de mercado para consumidores de alta renda ou ideologicamente comprometidos. A tática parece dar certo: “As lojas e restaurantes estão cheios. Não é o produto orgânico que é caro, é sua saúde que é valiosa. A agregação de valor aumenta o preço, mas também a qualidade demandada pelo consumidor”, diz Queijada, para quem “o trabalho de algumas cadeias de lojas e supermercados está ajudando mais o setor de orgânicos do que muito chapa-branca”.

Pesquisador da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) que nos dois últimos anos participou de um amplo estudo sobre o mercado brasileiro de orgânicos, André Funcke afirma que o problema do preço alto é particularmente crítico no estado: “O alimento orgânico com preço alto não é a regra geral no Brasil nem no mundo. Em termos mundiais, o sobrepreço varia entre 10% e 30%. No Rio de Janeiro, os orgânicos custam de 200% a 300% a mais que o produto convencional quando vendido nas grandes redes de supermercado”, afirma.

De um modo geral, diz Funcke, a maior causa da elevação do preço final dos orgânicos é a falta de organização coletiva dos produtores, o que tem grande impacto na eficiência da logística da oferta: “Os produtos orgânicos, por exemplo, não podem viajar nos mesmos caminhões que os produtos convencionais”, diz.

“O melhor nivelador de preço é o mercado”, diz Maria Beatriz Martins Costa, diretora do Planeta Orgânico e organizadora do Green Rio. Ela acredita que o setor atingira a maturidade quando oferecer um preço mias razoável: “A partir do momento em que as feiras de orgânicos estão crescendo e oferecendo produtos por um preço mais acessível, necessariamente os supermercados terão que se alinhar porque quem manda é o consumidor. Por isso, é importante a informação, para o consumidor saber onde estão as feiras, etc. Estão crescendo também as entregas em domicílio, e a merenda escolar está dando às camadas mais pobres da população a possibilidade de acesso a alimentos de altíssima qualidade. Acredito que, em médio prazo, os preços cairão na medida em que essas alternativas vão crescendo”.

Fonte: http://www.oeco.org.br/ – Maurício agricultura-familiar-organicos (1)

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