A VALSA


À Camille Claudell

O teu olhar é longo, silencioso;
Tuas mãos têm a súplica de um
Pedinte, implorante de afetos.
Tuas mãos conhecem a doação,
Doação angustiante, escura
Como a noite sem lua.
***
No teu coração soturno
Tu dormes. Silenciosamente
Morreste para o mundo.
Na flacidez do instante
Inesperado, fugiste para
Dentro de si.
***
Teus olhos, luzes apagadas,
Expiação do pecado
Na desolação da culpa;
Não percebeste a tragédia,
O degredo, o aniquilamento.
***
Em tuas veias transitam as
Angústias, derramando em
Teu corpo dançante, o valsar
Da vida sobre as ruínas
Construídas pelas tuas mãos,
No esvoaçar da veste longa,
Reluzente, marulhando como
As águas do mar, enlaçada
Pelos braços do deus que te
Fez morte.
***
Dança Camille, num rodopio
Esvoaçante, dança a valsa do
Adeus aos sonhos…
Adeus à vida…
Solidão gelada do desamparo,
No cárcere da loucura e da arte.

Alda Alves Barbosa

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