Perturbação ou propaganda?

barulho

Sete e trinta… As portas das lojas são abertas. A cidade começa a viver. E eu que vivo quando todos dormem, acordei com apenas meia hora de sono: o relógio comercial disparara! Perto da rodoviária o circo que ali se instalara – já havia percebido que não estamos acostumados a obedecer às leis – começou a chamada para a apresentação noturna. Seria normal se não fosse o horário e a forma do “convite”: gritos, berros, qualquer coisa assim.
– Alô Unaí, alô papais, alô mamães, criançadaaaaaaaaaaaas…

O grito foi ouvido pelas lojas que ainda desertas estavam despertas. E os anúncios berrados reproduziram. Acredito que as dores de cabeça também.
– Atenção, atenção… Corram, aproveitem a queima de estoque… Compre aqui colchões, guarda-roupas, tudo com 50% de desconto a vista ou a prazo.
– Protejam seus pés com tênis, sandálias, sapatos saltos altos e baixos… É aqui. Tudo a preço de custo!
– Enquanto durar o estoque você compra aqui roupas de inverno… Uma liquidação infernal para quem vive no clima dos “infernos”.

Parece uma guerra de quem consegue superar quem, afinal quem sai para comprar um tênis pode mudar de ideia e comprar um colchão, um vestido derramando brilhos! E por isso a concorrência não era festiva, mas sim uma terrível perturbação. Imagino que quem comprou não sabia o que estava comprando ou o porquê da compra: talvez, eu disse talvez, para sentir o prazer de libertar-se do chamamento insistente. Desrespeito!

E este circo que ameaça a partida e nunca parte? E estas promoções de inverno que não invernam? E estes colchões, promoção interminável… Propaganda numa gritaria sem ponto final.
Diante deste triste quadro quem não conhece nossa cidade certamente irá pensar que não temos emissoras de TV e três estações de rádio! Certas atitudes unaienses nos remetem ao início do século XX.

E eu aqui no meu pequeno espaço sinto-me só e aproveito a solidão para refletir sobre a falta de comprometimento que uma grande maioria dos habitantes tem para com nossa cidade. Cheguei a triste conclusão que pertenço a uma tribo em extinção.

Lá fora as propagandas gritantes perpetuam; os lixos estão fora das lixeiras; árvores estão sendo decepadas; as mudas de árvores plantadas são arrancadas; os ciclistas pedalam nas calçadas; pedestres atravessam as ruas fora da faixa; motoristas não param nos sinais ou e invadem as faixas e muitos concorrem com o volume das propagandas com a chamada música TUMTUM.

Calçadas bonitas e escorregadias, espigões exuberantes, boutiques, carrões, faculdade, universidade, etecetera, etecetera… e um discurso e atitudes de aldeota.
Até quando?

Alda Alves Barbosa

2 pensamentos sobre “Perturbação ou propaganda?

  1. Boa redação. Informo a sociedade unaiense que existe lei municipal que regula a propaganda por carros de som, tem horário, tem locais como 200 metros das escolas, prédios públicos, igrejas e outros, que o som tem que ser DESLIGADO e não reduzir o volume. O mais interessante é que tem um senhor que trabalha em uma bicicleta cheia de som, só que ele usa protetor auricular. Porque ele não houve sua propaganda o dia todo?

    Poluição sonora pode enquadrar em perturbação do sossego ou então crime ambiental. Também não existe horário para o crime ocorrer. O que existe é horários e locais em que agrava o importunação.

    Outro detalhe é ter uma boate com alvará liberado pela prefeitura para ocorrer shows na via pública, a menos de 50 metros de um hospital e uma igreja. É só lembrar da copa do mundo e da interdição da rua.

    Falei….

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