Injúrias

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Falavam todos os dias enquanto estava lá e não era pra ser assim. A distância assume papel importante na hora de sossegar os ânimos revoltos. Lavam os corpos e não fazem o mesmo com o coração? As emoções tambem suplicam por organização e cuidado.

Talvez visualizem com isso folhas bem escritas em papeis apropriados. Não é o caso… Os riscos imprecisos são desenhados com letras tortas naquela agenda hora corretamente utilizada para sua suposta finalidade, hora lugar dos  desabafos indiscretos em folhas não utilizadas por descuido ou por insanidade proposital.

Era outro dia e aflorava aquela mania besta de recomeçar sendo que não estava sequer perto do ano novo. Surgia a vontade repentina de jogar fora fotos e conversas como se amanhã realmente fosse o recomeço: “é tudo novo de novo, vamos nos jogar onde já caímos…” Não era ressignificado. Era colocar o sentimento no lugar onde deveria estar. No lugar onde o outro sentimento estava, lugar chamado fraternidade. Acatou sem lamúrias e depois de toda limpeza uma certeza incerta sucumbia: falariam no dia seguinte. Esperava dormir e ao acordar ter deixado pra trás o sentimento torto, enganoso, misturado à poluição daquela cidade. A morte simbólica durante o translado que passaria entre suas moradas parecia demasiadamente apropriado.

Retirou as lentes da ilusão doce e seu novo olhar por menos aconchegante que parecesse era o real. Se comportaria ordenadamente na situação. Ela não queria nada. Não queria cobranças, julgamentos, rótulos, não queria conversa. Ninguem a conhece melhor que ela mesma! Queria sim! Queria silêncio e não ter sua vida interpretada por bocas que falam demais. Queria silêncio… Paz e silêncio. Nem que pra isso precisasse amordaçar seus próprios pensamentos.

Tudo a corrompia. Para corações inquietos a vida segue assim: com sensações adversas a cada passo. Era dolorosa sua incompletude incompreendida. Esvaía aquela vida no ralo, como se cada gota não fosse vida tambem. O que procura então? Disseram a ela: cuidado com o que deseja, pode tornar realidade.  Mas e se o desejo fosse inatingível? Há pessoas que vieram assim: sem respostas ou outro qualquer em que possa ser e pronto.

Recomeço confuso e inconstante como sua alma.

Ora! O que cresce tambem retrocede.

Não fosse tão pouco para quem media cada respiro, mas era muito. Era muito…

E se fosse só a injúria, seria mais simples!

 

Danielle Rezende

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