Porque fui… porque retornei

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A mala estava pesada, não por excesso de bagagem… Consegui arrastá-la até a porta. Abri, e sem nenhum adeus, parti.

Parti porque aqui a dor doía todos os dias… Parti porque eu desconhecia instantes de felicidade a que todos os humanos têm direito… Parti porque tinha de ir; minha terra tinha gosto de coronelismo, gosto de servidão… Parti porque todos os dias eram paridos escravos e capachos.

E eu não concordava, nunca concordei… Eu sofria por algo que não entendia, mas que doía – Sertão bonito, gente pequena, serviçais, súditos de minúsculos e ignorantes “deuses.”

Voltei porque todos nós adoecemos. Voltei para sepultar os poucos meus que restaram… Voltei para ver que os coronéis, apesar de serem outros, ainda habitavam a cidade – em Portugal ela seria de médio porte -, e os vassalos tinham novos rostos, mas davam continuidade ao passado. Voltei para enxergar que o cenário, mesmo não sendo o de antes, continuava sendo habitado pelo continuísmo imoral.

Não posso retornar. O tempo nos adoece e cava a nossa sepultura. Mas consigo transitar entre a indignação e a observação. Fico olhando de longe a terrícola tão antiga, tão sem profundidade, tão rasa e por isso tão cheia de escravos, de capachos… de ínfimos coronéis!

Alda Alves Barbosa

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