Parabéns Unaí!

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Faz. Capim Branco; Antonio P. Brochado e Manoel P. Brochado.

11578_423389684424216_588197491_n UnaÃ- - Minas Gerais

Por Alda Barbosa postado por Danielle Rezende

Ó doce Unaí, outrora criança a entrelaçar tua mão na minha e, sem me olhar, sorria. Sorria de mim e de ti. Sorria dos nossos pensamentos tão iguais, tão infantis! Uma troca de olhar e lá estávamos nós no cimo de um espigão, o dedo do vento roçando nas belas folhas das esculturas cerradeiras. Ouvíamos o som do sertão… parecia um rio morando lá em cima. Era o vento. Sim, era o vento empurrando o tempo que teimava em não passar! Tempo criança… tempo de criança… Corações que não saem da vida e que não conhecem a saudade.

Ó doce Unaí, quero dizer-te que amo tudo o que vivemos juntas e que as feridas cicatrizaram; o já vivido é passado e as dores não me doem mais.

Hoje tenho a felicidade de celebrar contigo os seus setenta e um anos. Hoje presencio teu momento ritmado, e convido-te para dançar a valsa da tua maturidade. Hoje te vejo abandonando os laços de fitas para tecer amanhãs inteligentes, coloridos.

Parabéns, doce chão! Receba meu abraço forte e carinhoso, pedindo ao Senhor Deus que a proteja sempre!

Alda Alves Barbosa

Ferrer fala de seu trabalho

Perfeccionista, músico e ator de Montes Claros está em Unaí para fazer o “resgate” do mundo cultural da cidade Por Alda Alves Barbosa fabio Fábio Ferrer é mineiro de Montes Claros e está em Unaí a convite do empresário Bordon Silvério Martins e Silva para tornar real o sonho dos unaienses de ter um espaço para se descobrirem. E a Casa da Cultura está nascendo para aprofundar o que sempre ficou em suspenso:está nascendo de uma necessidade quase que imediata de nos encontrarmos, de nos vermos, de respondermos a eterna pergunta: Quem é o povo unaiense? De onde eles vieram? Do que gostam? Do que… Do que… Estas respostas virão à medida que cada canto da “Casa da Cultura” for preenchido por “Pedaços de nós.” Em cada “nós” existe uma familiaridade com os Drummond, os Pessoas, violeiros, as Adélias Prados, as donas Bentas, os Rolandos Boldrins, as Inezitas Barrosos… Ali encontraremos para ouvir, cantar e cantar, fazer, aplaudir. Faremos disto o nosso cotidiano: uma exigência que se pode traduzir como sendo de beleza, de amor, de liberdade de ser do jeito que somos: mineiros sim, mas das Gerais.

Profissionalmente como você se define?

Sou formado em Música, Canto Lírico, em Composição, Artes Cênicas; sou pós-graduado em Patrimônio Cultural, Conservação Integrada pelo CRECI. Cursei Turismo (incompleto) e sou autodidata em Artes Plásticas. Fui professor de Expressão Vocal na Universidade Federal de Ouro Preto. Sou ator (tive oportunidade de atuar em duas novelas) fiz teatro com peças bastante significativas e cinema.Também sou escritor.

Você construiu “um mundo” de arte. Como é viver dentro desse contexto lúdico? Difícil conciliar tantas possibilidades? Bom, é muito difícil. Na verdade eu me disperso demais e as artes exigem muita dedicação. E este leque de possibilidades me fez abdicar da música, da minha parte de escultura de atelier (quando eu o tinha). O mesmo aconteceu com a literatura. Ao fazermos escolhas um lado sempre ficará prejudicado e isto aconteceu e está acontecendo comigo. Atualmente estou atuante nas artes visuais; essa coisa de restauração, de adequação… Mas o meu projeto de vida ainda é musical.

Você disse que seu projeto de vida ainda é musical. Já conseguiu estipular uma data para o recomeço?

Ainda não. Meu sonho é realmente o resgate musical. Eu preciso dar mais vazão para esta área que embora seja a minha prioridade, com tantas vertentes, ela sempre ficou para trás.

Qual é a ética de uma restauração?

Existem varias éticas de intervenção. A ética mais usada quando se faz uma restauração de um bem móvel, por exemplo, um retábulo, um detalhe de um ornamento ou um detalhe de imaginária, você volta e aquele espaço de monocromia tendo que deixar um pequeno detalhe para dizer que ali já foi feita uma intervenção. Mas na intervenção de bens imóveis, por exemplo, no caso de edificações, sou de uma linha de resgatar o máximo possível à feição, trabalhar com a estética sem me aproximar da forma agressiva das técnicas contemporâneas. Isso acaba com a preocupação de que isto é novo, isto está sendo feito agora. Muitos esquecem que o mais importante é o antigo.

No Brasil, principalmente nosso “Sertão das Gerais”, o costume é derrubar o passado para construir o futuro. Portanto, você como restaurador tem em mãos uma(s) fotografia(s) e alguns “restos mortais” que insistem em sobreviver. Como é imaginar o passado para depois reconstruí-lo?

Louca pergunta! (risos). Gosto de citar uma frase minha que é “O passado é o argumento do futuro”, porque fazer uma intervenção é desafiador para qualquer um. Dependemos do local, do espaço, das conotações culturais, cognitivas. Como vê, envolve uma gama de indicativos para se chegar a um consenso. E esse consenso não será o ideal. Não chegaremos aos cem por cento. Costumo dizer que tentar resgatar o passado é tentar mostrar aquilo que poderia melhor ter sido, porque não há retorno. O fantástico mesmo é a tentativa de se chegar.

Pra começar a construção do que já foi vivido o traçado é seu. A partir do momento que você está nesse passado, ele passa a lhe pertencer? Nossa gente, essas perguntas são altamente fantásticas, filosóficas e conceituais! Esse tipo de pergunta é para se discutir muito. Ela abre um leque imenso de possibilidades. Acho que até o presente a gente não pertence a ele (contemporaneidade). De certa forma nem o futuro. Talvez o passado seja algo que a gente tenta buscar, quer possuir, porque ele representa alguma coisa de âncora, de estabilidade, de identidade, de saber de onde você está destoado.

Qual seu sentimento de estar inserido no processo de resgate do pouco passado visível que restou de nossa Unaí, já que o empresário Bordon Silvério Martins e Silva e você estarão na história unaiense como pioneiros nesse resgate da alma desse pedaço do Sertão das Gerais?

Que maravilha! Acho bonito quando você fala isso: um pedaço! Eu disse hoje algo interessante: “Unaí pode ter a menor história, muito menor que a de Paracatu, mas é a história dela, é a história do Capim Branco”. E isso os habitantes daqui têm que saber. A história unaiense por menor que seja é a história da cidade. Nesse contexto ela é mais importante que qualquer história que seja, porque ela é a história local, e é isto que tem importância. O valor maior é o que está em sua casa só assim você saberá dar valor o que está fora dela. Assim é com a sua cidade ou com a cidade que você mora. Desenvolver isso é de suma importância. Eu me sinto muito honrado se eu estiver contribuindo com esse passado e espero contribuir o máximo possível.

Estamos a 99 km de Paracatu. Uma cidade que sempre preservou seu passado, sua memória. Como foi chegar aqui e ver uma cidade totalmente destituída das lembranças dos ontens?

Quando eu conheci a iconografia de Unaí fiquei pensando… Como pode uma cidade ser praticamente destruída do seu passado por causa de negligência e pela total ausência de um pensamento grande, de um olhar diferenciado. Tiraram dessa geração e das que virão o direito de ter contato com o valor histórico, econômico e sentimental. Estes valores são importantíssimos. Todos têm direitos de vivenciar o passado de sua cidade ou do lugar que escolheram para morar. Não se pode impedir que outras gerações possam usufruir dos valores do seu passado. É bom repensar no que fizeram dos ontens unaienses para que não aconteça o mesmo com o presente que certamente será passado.

A cultura é o nosso norte?

É o norte, o sul, o leste o oeste. Unaí tem hoje várias facetas culturais: músicas, plásticas, artes cênicas; o espaço é grande e diversificado. Quando você cria um espaço você cria uma coisa física, existencial, quando ele existe, por menor que seja ele está mostrando que ele está ali porque nós vivemos nessa dimensão física. Quando se tem uma cultura que fica muito intangível, ela é maravilhosa, mas ela precisa do tangível. O tangível é a materialização. Costumo dizer que temos a mania de separar o bem intangível e o tangível. Ora, o bem intangível naturalmente está tangível. Ele materializa-se. Isso é muito interessante e precisa ser pensado quando se da esta conotação.

Creio que impecável seria o adjetivo que mais se aproxima de você. Você costuma ser impecável em tudo que faz?

Eu tenho uma tendência ao perfeccionismo. Sou detalhista demais. Muitas vezes me perco. Hoje, com o passar do tempo, e claro, com o amadurecimento que o passar do tempo nos concede, eu tive que conscientizar-me de que muitas vezes essa perfeição já não tem a mesma importância, já não é tão essencial. Na verdade nada chega à perfeição e, se insistirmos, o trabalho não flui tanto. Senti isso em alguns trabalhos que eu fiz. Hoje, mesmo tentando ser detalhista, colocando o máximo possível para trazer o máximo possível de esclarecimento e de conhecimento cognitivo, sei da impossibilidade de se chegar à perfeição. Essa é uma visão diferente que o tempo me proporcionou.

Unaí é uma cidade onde muitas culturas convivem ou tentam conviver. Você acha possível as pessoas que não são “raízes” daqui se interessarem pelo que “não pertence a elas”, no caso, a história do passado Unaiense?

A mesma situação que está acontecendo em Paracatu. Paracatu abriu um leque muito grande para moradores que vieram de outros lugares. As universidades, principalmente a de medicina, contribuíram para isso. Ouro Preto já viveu e vive esse processo há muitos anos. Penso que quando alguém mora em algum lugar parte de sua vida está ali. Não tem como eximir a cidade de sua vida. Eu sugiro para qualquer morador, seja aqui ou em outra cidade qualquer, que viva essa cidade, porque ela vai lhe proporcionar estudo, emprego, família… nada mais justo que devolvam algo a ela, ou seja, compartilhe com a cidade que o acolheu. Pensar que alguém vem para Unaí para usá-la é um pensamento errôneo porque seria uma autodestruição. É necessário que a pessoa saiba que se ela vive ou viveu em algum lugar, não importa o tempo, ela sempre terá o momento dela naquela cidade, naquele local.

Voltando às artes, você trabalhou sozinho na construção da maior cidade em miniatura do mundo. Fale um pouco sobre ela.

É verdade. Foi uma obra que fiz na cidade satélite do Gama, no Distrito Federal. Trabalhei dois anos e meio com terra de formigueiro e aditivos. É uma cidade  alusiva às cidades de Minas – Ouro Preto, Mariana – mas é uma cidade fictícia. Ela é um mecanismo para se conhecer o glossário arquitetônico e a história colonial brasileira. É uma obra temática e interativa. No ano que vem ela completará 20 anos de existência.

Impessoal

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Impessoalidade – assim definiria aquela noite que se passou sem muitas explicações. Sem quaisquer expressões escorriam os dias! Todo afeto se esvai quando se trata de sedar anseios e curiosidades. Não tema suas ilusões. As fantasias dessa mulher desvairada felizmente não perpassam por expectativas sem fundamento… Elas vão muito alem do que seu receio cabal de aprisionamento possa supor! Suas ilusões são maiores que o mundo, e não compreendem o inalcançável de meras relações.

As felicitações de paz e amor advindas  das comemorações de final de ano são tão passageiras perto do que ela de fato gostaria de receber… Está em busca da compreensão por inteiro. Foco! Como se não fosse só o que ela tivesse desde o dia em que descobriu como desaguar a ânsia de seus sonhos.  Ela sabe onde pisa. Sabe muito bem!

Mesmo que caminhe assim, assim, feito Amélie Poulain:

Amélie: “Ela parece distante… talvez seja porque está pensando em alguém.”
Homem de vidro: “Em alguém do quadro?”
Amélie: “Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.”
Homem de vidro: “Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.”
Amélie: “Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.”
Homem de vidro: “E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?

Danielle Rezende

Olhar de encanto

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Entrou na casa de belíssimas janelas coloridas com flores, e quando abriu a porta ficou extasiada. Epifania… A quanto tempo não tinha uma, na realidade nunca teve uma antes, mas gostava de acreditar que sim, que foram vários os seus momentos epifânicos! Reinventar, recriar, imaginar eram suas palavras preferidas. Cecília tinha uma intimidade concreta com noites,viagens, luares, cores, objetos, sons. Naquela casa, estava tudo aquilo que um dia sonhara para sua vida em completa harmonia. Até a disposição das formas, a incidência da luz, as cores, lhe eram familiares e aconchegantes. Era engraçada a sua fixação por panos. Gostava de muitos forros, tapetes, cortinas. Era nova, mas tinha um amor por casa de vó – assim chamava todas as casas com muitos objetos artesanais e aqueles tesouros antigos, que hoje não tem nenhuma serventia além de se tornar algo muito bonito. Resquícios de memória de infância como aquele ferro de brasa pintado de azul que agora enfeitava o canto da porta, ou mesmo a máquina de costura antiga que tornou uma mesinha maravilhosa enfeitavam suas lembranças. A sala ampla e clara, guardava um cheiro de carinho. Cortinas de crochê arrastavam até o chão, onde um enorme tapete convidava a conversas em meio a almofadas pintadas a mão. Sentada naquela mesinha redonda de madeira na cozinha, era possível ver da porta aberta, um quintal com árvores frondosas de sombras convidativas. O quarto coloria seu sorriso com uma colcha de retalhos e um móvel de madeira rusticamente reformado, que agora sustentava um vaso de planta. A sua máxima de reutilizar, de tornar bonito o simples, estava ali em cada cantinho da casa. Cecília e seus grandes olhos pretos hipnotizados, não parava de se reconhecer, de se emocionar. Como coisas assim podem transbordar tamanhas sensações? Se indagava o tempo todo.Uma voz calmamente a respondia: não são as coisas, não são os objetos Cecília, é você! Você que tem a sensibilidade de uma flor, e uma sabedoria de perceber, que não estamos no mundo por estar. Olha bem Cecília, você se identifica, ama, escolhe, apodera de momentos que são seus. Ninguem poderia ver o mundo com seus olhos, seus belos olhos pretos que agora fitavam fixamente aquela cadeira de balanço.

Danielle Martins

Eram dois não eram sós

 

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Mia tinha essa mania de se preocupar demais com problemas dos outros. Talvez por sua outra eterna mania de não se achar atriz principal de sua própria história, era protagonista.  Assim se denominava, pois sempre pensava que devia estar pronta pra ajudar a quem quer que fosse, e dessa forma anulava sua própria vida. Às vezes se perguntava quem responderia ao seu suplício da mesma maneira… Mas ao mesmo tempo pensava que não precisava mesmo de muita ajuda de outros, afinal do palco da vida, a platéia mal pode ver  as marcas de sangue do protagonista. Seria assim tão bem resolvida que poderia distribuir ajudas e conselhos? Mero engano! Aliás, doloroso engano. Estava cansada de tentar se reorganizar todos os dias, e queria ao menos um pouquinho de estabilidade nas suas emoções. O seu quarto bagunçado e os trabalhos entregues em cima do prazo eram o reflexo evidente de sua desorganização sentimental. Arthur era o seu oposto. Alegria e organização em pessoa, reunia qualidades também como simpatia e gentileza, era como se dizia à moda antiga um “bon vivant!” O que faltava para as duas vidas era aquela união. Seriam dois e não mais seriam sós com seus defeitos e qualidades.  Uma noite e várias trocas de olhares depois, oportunizaram o surgimento daquele amor. Arthur não acreditava em acasos, buscava forças e fazia o que fosse para que seus sonhos e suas metas se realizassem. Mia era um tanto quanto passiva nesse sentido, como protagonista, esperava o momento em que algo de surpreendente acontecesse, mesmo sabendo que a vida não se da dessa maneira.  Era seu aniversário, e havia aproximadamente dois anos que o casal estava junto. A comemoração em um bar rústico, ao som de MPB, combinava perfeitamente com aquele vestido longo e estampado de costas de fora que tanto amava! Mia se enfeitou para seus amigos, e para seu amor, daquele dia em diante seria a atriz principal. Arthur com sua maneira peculiar de encarar a vida abriu espaço para que a verdadeira Mia surgisse, e acreditem, na realidade não era nem um pouco atônita ou passiva. O amor transforma!

Durante o resto de suas vidas, foram dois ancorados no cuidado um do outro e não mais foram sós com seus novos e antigos defeitos e qualidades.

Pêndulo

 

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As bobagens da Tv não agradariam mais  e sequer trariam algum entretenimento. Acordou e pensou que seria a falta de luminosidade da casa que traria aquela sensação…Foi para a varanda onde ficou sentada ao sol até umas 09:00 horas da manhã. Admirou o  verde da grama, o pé de acerola e a goiabeira que majestosamente se curvava para sua casa, mas que na realidade estava  no terreno ao lado. O sobrado depois do terreno parecia ter algo diferente e imaginaria o cheiro do café coado lá. Foi grata naquele instante por sua vida e por todos que havia encontrado no caminho até o momento. Entrou na casa pouco iluminada e novamente se sentia presa naquela teia de conformismo com relação a sua própria vida. Mais tarde seu irmão lhe mandou a seguinte mensagem: estou aqui bebendo um vinho e ouvindo Elis, e foi impossível não lembrar de você nesse momento. Ao ler aquilo chorou, sentiu aperto no coração (sinal de que estava viva)! Pensava que sua figura seria boa aos olhos de outra pessoa (mesmo que fosse  o próprio irmão). Já era noite e agora a falta de luminosidade não faria diferença. Dormiu profundamente… se refugiar nos sonhos fazia parte da própria inércia. No outro dia ao sair pra trabalhar, percebeu as nuvens de um céu que parecia ser pintado a mão. Sentia culpa por toda aquela inércia. Odiava auto piedade, mas amava se responsabilizar e se martirizar até por pequenos deslizes sem fundamento. Queria mesmo se isolar do restante do mundo, pois parecia não encontrar com muita freqüência pessoas que fizessem seu olhar brilhar com alguma palavra dita. A casa no campo, os discos, livros e folhas em branco pareciam ser suficientes.  Amava cabelos longos e cacheados. Como já não tinha aqueles cachos mais, havia decidido: semana que vem cortaria os cabelos.

Ela só queria encontrar alguém que lhe  perguntasse a lá Alceu Valença:

– O que é que houve, meu amor, você cortou os seus cabelos?

Responderia emocionada:

– Foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar…