Numa tarde sonolenta

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O livro descansava no meu colo. Nenhuma página virada. Pasmaceira dos dias quentes, lentos e tristes. Aguardo quieta a chegada da noite. Ela chega nas sombras desiguais, ardente, infinda. E eu penso em ti, em mim… pasmaceira do cansaço, envolta em teus braços à espera da noite com seus luares tristonhos.

Alda Alves Barbosa

O sono que cai sobre mim

0a243622ffd2b4a07d476a0b7985a758 Pelas frestas das janelas dei conta que já era quase noite. Dentro de casa a luz apagada dava um ar lúgubre, sombrio. A cama em desalinho; livros e remédios disputavam espaço dentro da bagunça. Um gato em seu eterno sono há dias parara de ronronar. Nunca me lembro de colocar as pilhas. TV ligada há dias ininterruptamente – vozes que não escuto e imagens que não vejo. No corredor o silêncio do abandono. Na floreira flores murcham e despetalam. Em um canto as margaridas brancas e por isso virgens, mudam de cor… Perderam a virgindade!

Em cima da mesa uma jarra aguardava a pureza das margaridas para enfeitar a vida dos amanhãs. Em meio ao caos fecho os olhos.

Não espero nada, não espero ninguém. A eternidade é o sono que cai sobre mim!

Sonho? Realidade?… Amanhã saberei!

NATAL DE TODO DIA

Estrela de Belém
Nas tardes coloridas sentávamos todos, adultos e crianças, nas calçadas da casa de tia Amélia, enquanto as águas do Rio Preto desciam perigosamente sonolentas. Só no escuro da noite ele cantava; era sempre um canto triste, doído…

Mas naquela hora, tomando a fresca da tarde, o sol já estava despedindo do dia, descendo os horizontes, deixando fios de ouro no céu, os adultos, uma grande parentela, nada viam, conversavam entre si sobre as miudezas das horas passadas. Muitas vezes cochichavam – coisas de gente grande -, dizíamos nós.

Pouco ou nada sabíamos da vida, mas gostávamos de inventá-la, de brincar de faz-de-conta, ser e ter o que queríamos. Era muito bom brincar de sonhar! Mas queríamos mesmo era olhar e acompanhar no céu as estrelas mais brilhantes e apontar para contá-las, mesmo correndo o risco das verrugas espalharem por todo nosso corpo. Às vezes, quando ficávamos muito tempo sem ver uma determinada estrela, eu acordava de madrugada para vê-la. Havia em mim e elas, uma relação de saudade.

O céu, este mistério onde nasce o calor, cai a chuva, nasce o luar e nos presenteia com as estrelas, pirilampos pisca-pisca, com o tempo, todo ele já fazia parte de nós: Três Marias, Marias de quê, de quem? Estrela Dalva! Não podia ser Alva? Cruzeiro do Sul, em forma de cruz! Cruz de Jesus? nossa cruz? Estrela Cadente! Palavra bonita, poética, estrela poesia!…

Ah, Estrela de Belém, estrela que víamos todas as noites. Nunca se escondeu de nosso olhar. Estrela santa, brilho intenso, em sua cauda carregava o mundo! Corria sempre na mesma direção… e nós a abraçávamos e algo acontecia dentro dos nossos corações: uma espécie de renascimento!

Alda Alves Barbosa

Sugestões para árvores de Natal

Não possuo criatividade nem habilidade para pensar e fazer tanta árvore de natal bonita, mas corri atrás de outros blogs e trouxe algumas sugestões para vocês. Espero que gostem.

Sugestões retiradas do Google

Paralelas

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Eu e eu, paralelas perdidas na tentativa de um encontro impossível. Vida e vida balançando no agito do vento. Eus que se olham e não se tocam – memória minha no corpo de outro que também sou eu. Um muro acende o grito. Almas estranhas, frias, entardecidas; memórias afogadas no passado, distância triste como um canteiro de margaridas murchas.

Alda Alves Barbosa