Estilhaços

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Há solidão no amor;
se amo, amo para poder
amar a mim mesma;
amo para ser menos só
para alcançar-me e
oferecer ao outro a
ilusão de que contamos
com nossa mútua companhia.
Amo você, você me ama…
e assim temos um ao outro…

Uma troca triste… estilhaços humanos –

Alda Alves Barbosa

Foi…

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Gosto de tudo que já passou
Tudo que aconteceu… e porque
já aconteceu não acontecerá mais
É passado.
E por ser passado eu conheço
Porque já o vivi e por isso
não me assusta mais.
O próximo instante é desconhecido
Amanhã é o desconhecido…
Ontens… Como eu o conheço!…
Foi há décadas… foi há vinte e
quatro horas… foi há um segundo…

Alda Alves Barbosa

Porque hoje começa a primavera

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Em quantas primaveras
ouvi teus passos na
poeira vermelha, no
lamaçal gelatinoso do
Capim Branco?

Em quantas primaveras
ouvi teus risos, teus lamentos
no eco das serranias, numa
cascata de ais?

Em quantas primaveras
vi desabrochar flores,
rosas brancas
rosas vermelhas,
as coloridas e tímidas onze horas,
as margaridas sacrossantas
pinceladas brancas
despertando o sol?

Quantas primaveras se foram…
Não ouço mais nenhum passo
nenhum riso, nenhum lamento…
O tempo varreu a renda do luar,
musical poesia na dança dos teus passos.

Laços desfeitos…
rasgos profundos na alma,
no olhar, as ruínas de um tempo,
e fico presa às primaveras onde
deitam as margaridas e as onze horas.

Alda Alves Barbosa