Ando devagar

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Há décadas ando devagar… Um arrasto cansativo, uma espera dolorida de quem precisa chegar. Chegar… Não sei onde desejo chegar, mas sei que não desejo ficar.

Preciso ir, mesmo que seja devagar; cada passo um arrasto… Mas já dei um passo, desplantei-me do chão num impulso do passo..

Fico a pensar onde preciso ir… mas que importância tem onde ir? O importante é ir.

Não tenho pressa para chegar mesmo porque não sei onde desejo chegar.

Minha alma deseja o voo, mas perdi minhas asas ou cortaram-na. Não tenho certeza se foi uma coisa ou outra, sei que estou amputada… e eu me arrasto com os pés no chão, aterrizada… ou aterrorizada?

Alda Alves Barbosa

Entardecer

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O entardecer tirou do meu olhar o luzir do sol… Nas noites estelares minhas vistas não alcançam o brilho intenso das estrelas… As fomes de amor desvaneceram! Não sinto necessidades de abraços, mas sinto o frio penetrando em minha carne, em meus ossos frágeis.
Não há mais horizontes para transpor. O que eu sou era o que tinha de ser. Nada mais há para ser. Meus sonhos diluíram com o tempo… sonhos líquidos que escorreram entre meus dedos à procura de fios d’água para desaguar.
Meus jardins, nos ontens floridos, hoje são apenas pétalas estioladas forrando o chão.
O chão… a terra… o pó…

Alda Alves Barbosa