Nada sei…

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O que sei da vida? O que sei de mim? Se nada sei sei da vida, como saber de mim? Passo a noite sem dormir à procura da poesia… Por que necessito ir em busca da poesia se a noite é quem escreve meus versos?

Ando esquecendo de mim… Não basta lembrar-me de mim para saber quem sou. Preciso ser. Ser o riacho, o fio d’água correndo entre as pedras, ser o canto, o recanto! Preciso ser a poesia de uma dança ritmada, de palavras suadas, costuradas em feixes de sonhos.

Mas não sou poeta… Não sei o que sou! Se eu fosse poeta certamente eu saberia! De mim sei apenas que gosto de voar!

Alda Alves Barbosa

Quem

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Quem me roubou a noite e
levou consigo o perfume
que alastra a minha poesia?

Quem me roubou a fantasia
de ser e não ser…
Quem me roubou o direito
de parir a flor poética
para enfeitar meus amanhãs?

Quem me fadou ao desespero
secando a nascente dos poemas
secando o solo onde borbulhava
o re(canto) das palavras?

Quem me arrancou
o sonho,
a vida,

Quem?

Alda Alves Barbosa

Hipóteses

luz na escuridão
Choveu à tardinha
e a noite chegou sem
o fulgor do sol.
No escuro uma luz
brilha distante;
ali mora alguém
solitário… ou não.

Mas sei que aquela
luz me atrai… Talvez
porque o distante não
está próximo e suscita
em mim interrogações.

Ali moram pessoas ou
apenas um ser triste…
alegre… livre… aprisionado
em si mesmo… com fomes de
tudo ou sem fome alguma.
Tantas suposições onde uma
luz brilha distante!

Certamente o que está ali é real;
é a vida e seus respiros. O que
vem depois são hipóteses de
uma vida a procura de outras
vidas para significar.

Alda Alves Barbosa

Horas escuras

noite
Nas horas escuras a insônia é profunda como um novo universo harmonioso; e minha mente fica leve, clara, como se fosse um fio de água doce que vai abrindo passagem entre os espigões.E eu esqueço o ócio do dia e movimento-me entre as sombras e os ruídos desse novo mundo.

Deleito-me no jogo lúgubre nas sombras onde habitam fantasmas… e anjos?

Deleito-me cheia de nada, a noite é tudo.

Meu coração fala na mudez dos lábios, repetindo o gozo das frases néscias.

Ali, entre as sombras nada existe… Há sim, o pensamento tecendo sonhos!

Alda Alves Barbosa

Eu e o luar

olhando a lua
Envolvida nos liames da
noite, o luar chorou.
Eu, só na escuridão
noturna encontrei nas
lágrimas do luar a
minha companhia.
Eu e o luar
Nós e as lágrimas…
Um réquiem nos braços
da noite.
Fios do pensamentos
estilhaçados, olhos
do luar molhados
Meu olhar molhado
de luares.

Alda Alves Barbosa

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Na paz da noite

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Na paz da noite cheia de passado, há uma lei que manda no meu sentir. Um quê de saudade nostálgica que insiste que eu retroceda os meus passos… E chego à vida que vivi. Vivi tanto em poucos segundos! Vivi tanto! Tenho a idade da intensidade com que vivi cada tempo. Isso define o porquê do cansaço da vida que vivi!

E por ter vivido tão intensamente, instalou-se em mim um deserto imenso, não de emoção, mas de busca de um fim. Vivi tudo? E se houver mais estradas a percorrer? Meu corpo antigo, cansado de tanta vida, resistirá? E os sonhos não concretizados? São apenas sonhos não concretizados?

Tenho a vaga impressão que estou desejando uma vida infinita; uma ilusão de viver uma juventude sem fim, na paz da noite, cheia de passado!

Alda Alves Barbosa