Turismo sustentável e o ecoturismo

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A beleza e a riqueza dos cenários naturais são atrativos para o turismo em todo canto do mundo. A exuberância das paisagens, o contato com a natureza e as opções de lazer oferecidas por estes locais têm aumentado a popularidade deste tipo de turismo que hoje ganha destaque e já possui diferentes modalidades, com características e objetivos distintos.

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Os conceitos de Ecoturismo e Turismo Sustentável, apesar de algumas vezes serem tratados como sinônimos, apresentam definições e características diferentes. Enquanto o Ecoturismo abrange todas as atividades turísticas que têm como objetivo o contato com ecossistemas em seu estado natural, a vida selvagem e a população nativa dos locais; o Turismo Sustentável, por sua vez, traz consigo uma preocupação em garantir que tais atividades não desencadeiem efeitos negativos ao meio ambiente.

Janela do Lago

Os impactos muitas vezes causados pelo ecoturismo, através das construções e da infraestrutura que invade os espaços naturais para receber os visitantes, fez surgir a necessidade de se conciliar a preservação da natureza com a expansão das atividades turísticas. O turismo sustentável busca equilibrar os interesses econômicos que a atividade estimula e a preservação do ambiente, prevenindo os efeitos negativos ao mesmo tempo em que incentiva a atividade.

No Brasil, apesar da força do ecoturismo, o turismo sustentável ainda é um desafio. A adaptação das práticas já desenvolvidas para um modelo que leve em conta a sustentabilidade tem sido discutida por grupos e organizações, no entanto, ainda são poucos os lugares que seguem a premissa. Em Bonito, no Mato Grosso do Sul, a prática já é uma realidade. Algumas pequenas atitudes, como o monitoramento e controle da quantidade de visitantes aos atrativos naturais têm ajudado a minimizar os impactos da atividade no meio ambiente.

Fonte: http://www.pensamentoverde.com.br

Fotos: Grutas em Unaí – http://leitedelua.blogspot.com.br/

A Terra no limite

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Quanto a humanidade já consumiu dos recursos naturais do planeta e o que precisa fazer para manter uma situação sustentável.

O ser humano não é dono, mas sim inquilino da Terra e do sistema solar. A humanidade depende da disponibilidade de terra, água e ar no planeta. Ultrapassar os limites existentes significa caminhar para o suicídio e o ecocídio. A situação atual é a seguinte: após 200 anos de desenvolvimento econômico, propiciado pela Revolução Industrial, a população mundial ganhou com a redução das taxas de mortalidade e o crescimento da esperança de vida.

Hoje, na média, as pessoas vivem mais e melhor. O consumo médio da humanidade disparou. Entre 1800 e 2010 a população mundial cresceu, aproximadamente, sete vezes (de 1 bilhão para 7 bilhões de habitantes) e a economia (PIB) aumentou cerca de 50 vezes. Mas o crescimento da riqueza se deu à custa da pauperização do planeta. Uma boa forma de dimensionar o impacto do ser humano na Terra é a pegada ecológica.

Essa é uma metodologia utilizada para medir as quantidades de terra e água (em termos de hectares globais – gha) que seriam necessárias para sustentar o consumo atual da população. Considerando cinco tipos de superfície (áreas cultivadas, pastagens, florestas, áreas de pesca e áreas edificadas), o planeta Terra possui aproximadamente 13,4 bilhões de hectares globais (gha) de terra e água biologicamente produtivas.

Segundo dados de 2010 da Global Footprint Network, a pegada ecológica da humanidade atingiu a marca de 2,7 hectares globais (gha) por pessoa, em 2007, para uma população mundial de 6,7 bilhões de habitantes na mesma data (segundo a ONU). Isso significa que para sustentar essa população seriam necessários 18,1 bilhões de gha. Ou seja, já ultrapassamos a capacidade de regeneração do planeta. No nível médio de consumo mundial atual, com pegada ecológica de 2,7 gha, a população mundial sustentável seria de no máximo 5 bilhões de habitantes (veja a tabela abaixo).

QUANTOS HABITANTES A TERRA PODE SUSTENTAR
Isso depende do padrão de consumo da população

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Fonte: José Eustáquio Diniz Alves, com base nos dados da Global Footprint Network 2010

Se a população mundial adotasse o consumo médio do continente africano – com pegada ecológica per capita de 1,4 gha -, poderia atingir 9,6 bilhões de habitantes. Se o consumo médio mundial fosse igual à média asiática (1,8 gha), a população mundial poderia ser de 7,4 bilhões de habitantes. Com base na pegada ecológica da Europa (4,7 gha), não poderia passar de 2,9 bilhões de habitantes. Com a pegada ecológica da América Latina (2,6 gha), o limite seria de 5,2 bilhões de habitantes. Com as pegadas ecológicas da Oceania (5,4 gha) e dos Estados Unidos e Canadá (7,9 gha) precisaríamos parar em 2,5 bilhões e 1,7 bilhão de habitantes, respectivamente.

Qual é a perspectiva para as próximas décadas? De acordo com dados da Divisão de População da ONU, em 2050 a população mundial deve atingir 8 bilhões de pessoas, na projeção baixa, 9 bilhões, na projeção média, e 10 bilhões, na projeção alta. Nas previsões do FMI, a economia mundial deve crescer acima de 3,5% ao ano de 2010 a 2050. Isso significa que o PIB mundial vai dobrar a cada vinte anos ou se multiplicar por quatro até 2050. Portanto, o mais provável é que a Terra tenha mais 2 bilhões de habitantes nos próximos quarenta anos e uma economia quatro vezes maior. O planeta suporta?

Não há, evidentemente, como manter esse crescimento nos padrões de produção e consumo atuais. Para que a humanidade possa sobreviver e permitir a sobrevivência das demais espécies, será preciso promover uma revolução na matriz energética, incentivar a eficiência do uso de energia, reciclar e reaproveitar o lixo. Enfim, reduzir os desperdícios em todas as suas formas. Será necessário introduzir inovações tecnológicas nos prédios e casas para melhorar o aproveitamento da energia e a reciclagem de materiais, reforçar e melhorar o transporte coletivo, criar empregos verdes; ampliar as áreas de floresta e mata e a preservação ambiental.

Nesse contexto, proteger a biodiversidade; desestimular a cultura dos pet shops e o elevado consumismo dos animais de estimação; avançar com a aquacultura e na revolução azul. Incentivar o vegetarianismo é um modo de diminuir o consumo de carnes e os impactos da agropecuária. Na lista de redução estão ainda o consumo de bebidas alcoólicas e outras substâncias tóxicas, os gastos mitares, o consumo conspícuo e aquele que provoca maiores danos ambientais.

A lista pode ainda ser maior. Dessa forma, é urgente discutir a alternativa do modelo do “decrescimento sustentável”, especialmente a redução das atividades mais poluidoras, com a mudança no padrão de consumo e o avanço da sociedade no conhecimento e na produção de bens imateriais e intangíveis.

UMA TERRA JÁ NÃO É SUFICIENTE
A pegada ecológica é um cálculo do que cada pessoa, cada país e, por fim, a população mundial consomem em recursos naturais. A medição é feita em hectares, e seis categorias são avaliadas: terras para cultivo, campos de pastagem, florestas, áreas para pesca, demandas de carbono e terrenos para a construção de prédios. Hoje, por conta do atual ritmo de consumo, a demanda por recursos naturais excede em 50% a capacidade de reposição da Terra. Se a escalada dessa demanda continuar no ritmo atual, em 2030, com uma população planetária estimada em 8,3 bilhões de pessoas, serão necessárias duas Terras para satisfazê-la.Veja o infográfico aqui

* José Eustáquio Diniz Alves, é doutor em demografia da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, Ence/IBGE. As opiniões deste artigo são do autor e não refletem necessariamente aquelas da instituição.

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Disponível em:
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/terra-limite-humanidade-recursos-naturais-planeta-situacao-sustentavel-637804.shtml

Sustentando Ideias – O lixo

Sustentabilidade

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Uma única pessoa produz em média 1,5 Kg de lixo por dia. Multiplique isso por 7,2 bilhões de pessoas, estimativa divulgada no estudo “Perspectivas de População Mundial” segundo a Organização das Nações Unidas (ONU)… É muito lixo!

O problema é que grande parte desse lixo fica no meio ambiente sem receber tratamento adequado, provocando a poluição que pode durar por séculos, e acarreta vários problemas, como por exemplo: enchentes nas cidades pelo acúmulo de lixo nos bueiros, morte de plantas e animais aquáticos pela quantidade de lixo jogado nos rios e mares, poluição do solo, contaminando plantações, entre muitos outros problemas graves.

Tipos de Lixo

O lixo produzido pelas pessoas em suas residências é chamado de domiciliar ou residencial, nele encontramos: embalagens plásticas, papéis em geral, plásticos, etc. O lixo gerado pelas lojas e demais atividades comerciais é chamado de comercial e é constituído especialmente por papéis, papelões e plásticos. Existe também o lixo proveniente de hospitais, farmácias, postos de saúde e casas veterinárias, chamado de lixo de áreas de saúde, que é composto por seringas, vidros de remédios, algodão, gaze, órgãos humanos, etc. Este tipo de lixo é perigoso porque pode contaminar as pessoas e o meio ambiente por isso deve ter um tratamento diferenciado, desde a coleta até a sua deposição final. Outro tipo de lixo é aquele gerado pela limpeza de vias públicas, chamado de lixo da limpeza pública, composto por folhas em geral, galhos de árvores, papéis, plásticos, entulhos de construção, terras, animais mortos, madeiras e móveis danificados. Finalmente temos o lixo nuclear, proveniente de atividades que envolvem produtos radioativos, que também deve ter um destino específico para não contaminar o meio ambiente.

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Destino do lixo

O destino mais utilizado para o lixo é o aterro não-controlado ( lixões ), que consiste em grandes áreas onde se deposita o lixo a céu aberto. Essas áreas devem ser bem afastadas da cidade em função do mau cheiro e para evitar a contaminação do solo e das águas subterrâneas.

Até o momento há dois modos considerados mais adequados para o tratamento do lixo: as usinas de compostagem, que utiliza a fermentação da matéria orgânica, produzindo adubo e recursos energéticos, como por exemplo, o gás metano e a técnica da reciclagem, que consiste em reaproveitar os diversos tipos de lixo para prevenir o acúmulo deste no ambiente.

Lixo de primeiro mundo

Pesquisas apontam que o lixo brasileiro é um dos mais ricos do mundo, principalmente em matéria orgânica, derivada de alimentos que são descartados, mas não podemos nos gabar desse “título”, pois isso quer dizer que a população de nosso país está desperdiçando elementos que poderiam ser reaproveitados. Isso mostra a falta de consciência pelas questões ambientais.

Esse ponto também acentua um grave problema social, pois muitas pessoas sem recursos sobrevivem utilizando esses resíduos que são descartados para alimentação, mostrando a condição de vida degradante dessas pessoas, principalmente nas grandes cidades.

O que fazer com o lixo:

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Coleta Seletiva

É um sistema de recolhimento do lixo em que materiais como papéis, plásticos, vidros, metais e orgânicos são separados para serem reciclados.
Esse tipo de coleta protege o solo, diminui a poluição, reduz os custos com a limpeza urbana e funciona também como um processo de educação ambiental, pois mostra para a comunidade os problemas do desperdício dos recursos naturais (como a água e a energia, por exemplo) e da poluição causada pelo lixo.

Como funciona a coleta seletiva?

Porta a porta – Caminhões coletores vão até as casas e prédios em dias e horários combinados, que não sejam junto com os da coleta normal de lixo. Os moradores colocam o lixo reciclável nas calçadas;

PEV (Postos de Entrega Voluntária) – Pequenos depósitos para onde a pessoa, por vontade própria, leva os recicláveis;
Postos de troca – Troca do material a ser reciclado por algum bem (por exemplo, você leva 20 latinhas a um posto e recebe um brinde);

PICs (Programa Interno de Coleta Seletiva) – Feito nas empresas, em parceria com associações de catadores de lixo.

Quais os benefícios da coleta seletiva?

– Ajuda a diminuir a retirada de recursos naturais do meio ambiente (porque o produtor reutiliza, por exemplo, o alumínio da latinha reciclada, ao invés de ir buscar mais alumínio na natureza);
– Ajuda a diminuir a poluição do solo, da água e do ar;
– Economiza energia e água;
– Ajuda a conserva o solo (evitando a nojeira dos lixões e a poluição que eles causam, por exemplo);
– Diminui os custos da produção do produto, com o aproveitamento de recicláveis pelas indústrias;
– Ajuda a cidade a ficar mais limpa e higienizada;
– Diminui os gastos com a limpeza urbana;
– Gera emprego e renda para muitas pessoas, que vendem e compram os recicláveis.

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Importante

-Usar menos plástico ajuda muito a produzir menos lixo.
-Leve suas próprias sacolas ao supermercado ou peça caixas de papelão vazias para transportar as compras.
-Quando estiver andando na rua ou em parques, junte o lixo que encontrar e jogue-o em uma lixeira. Isso ajudará a ter um mundo mais limpo e certamente alguém aprenderá alguma coisa com o seu gesto.

Curiosidades

– A queima de lixo libera até 27 metais pesados e gases. Eles contribuem para a formação de chuva ácida;
– Uma família de classe média joga fora cerca de 500 gramas de alimentos por dia. Em 20 anos, isso equivale a 3600 quilos. Se 1 milhão de famílias reduzirem essa quantidade pela metade, haveria uma economia anual de 90 mil toneladas de comida.

Fonte:

Guia dos Curiosos
http://seliganolixo.wordpress.com

Telhado Verde

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O telhado verde  também conhecido como eco telhado, consiste em uma técnica de arquitetura que faz a aplicação de vegetação sobre os telhados de edificações.

É uma prática sustentável que nos centros urbanos traz vários benefícios, como a redução da quantidade e do escoamento rápido da água da chuva, aumento da biodiversidade, redução da emissão de carbono e da diminuição da temperatura. Esse telhado é possível em coberturas de laje,  de cerâmica ou de fibrocimento. Aprenda um pouco mais sobre essa nova prática sustentável:

Como é feito

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O telhado verde  é uma obra que precisa de uma boa instalação, ou seja, de uma boa estrutura de cobertura da casa. Primeiro é feito a impermeabilização no telhado de laje, já em telhados de cerâmica são colocados placas de compensado em cada telha. Depois são colocados a terra e o adubo e para impedir que o adubo e a terra escorram são colocados mantas onduladas e mantas de impermeabilização para evitar infiltrações na casa. Além disso, são colocados dutos de irrigação e drenagem para manter a temperatura e reduzir o barulho da chuva. Por último são acrescentados às plantas ao telhado  que podem ser arbustos, gramas e flores, entretanto, são indicadas plantas que resistam à chuva e a estiagem, que sejam de porte pequeno e com crescimento lento, que exija pouca poda e rega.

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Manutenção

Assim como em qualquer construção, o telhado verde também necessita de manutenção, porém esta pode ser feita de uma a duas vezes no ano, dependendo da empresa responsável pela construção do eco telhado. Na manutenção é verificada a presença de algumas espécies de plantas indesejadas que podem comprometer o telhado e no caso de enfraquecimento no crescimento das plantas é indicado o uso de fertilização com compostos orgânicos.

É importante ressaltar que se for aderir à nova moda sustentável, para um bom resultado, opte sempre por profissionais arquitetos reconhecidos e qualificados no assunto.

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Benefícios gerais

Dentre muitos benefícios listados, o Telhado verde:

  • Melhora as condições termo-acústicas do imóvel, no inverno e no verão,dispensando ou minimizando o uso de sistemas de ar condicionado ou climatização.
  • Contribui para a manutenção da umidade relativa do ar no entorno e para formação de microclima, melhorando a qualidade de vida no imóvel e vizinhança.
  • Contribui para formação de um mini-ecossistema, atraindo borboletas, joaninhas e pássaros.
  • Contribui no combate às chamadas ‘ilhas de calor’, formadas nos centros urbanos pela presença excessiva de estruturas de concreto.
  • Contribui no combate ao aquecimento global, aumentando a área verde e o sequestro de carbono da atmosfera pela vegetação.
  • Ajuda no combate às enchentes em locais onde o solo é asfaltado e impermeabilizado; aumenta o tempo de detenção da água da chuva, reduz a velocidade da água e também seu impacto geral.
  • É um excelente atrativo para pontos comerciais e residências, tornando-os mais vistosos.
  • Traz mais harmonia, bem-estar e beleza para os moradores e/ou ocupantes da edificação.telhado verde da prefeitura de são paulotelhado-verde-3

Referência:
http://www.zun.com.br/telhado-verde-como-fazer/

Sustentando Ideias – Horta Mandala

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      Este é o o modelo de horta mandala, onde os canteiros estão dispostos em círculos e não em linhas retas. Plantam-se verduras, legumes, cereais, frutas, ervas aromáticas, medicinais e flores. Diversidades de plantas atraem diversidades de insetos que polinizam e se autocontrolam. Caminhos devidamente projetados facilitam o manejo, a irrigação e a colheita. Fertilizantes orgânicos repõem os nutrientes e a cobertura morta mantém a umidade e protege sua maior riqueza: o solo.

       A Horta mandala tem diversas vantagens, pois permite o aproveitamento máximo da água e da terra, tem custos de produção menores que os da irrigação tradicional e permite usar áreas bem pequenas. Ela é, portanto, ideal para a agricultura familiar.

Princípios para trabalhar com a Horta Mandala

1. Plantar o máximo que puder, utilizando o menor espaço;
2. Usar o mínimo de energia, para a máxima produção;
3. Promover o envolvimento de toda a comunidade;
4. Nada se perde, tudo se aproveita;
5. Trabalhar com a natureza e não contra ela.

         Quem vê pela primeira vez acha a ideia um pouco estranha. Ao invés de uma plantação tradicional, os canteiros são circulares, formados ao redor de uma fonte d’água. O termo mandala vem do sânscrito e significa “sagrado” ou “círculo mágico”. O símbolo vem da antiguidade e representa a relação do homem com o universo ou ainda os planetas ao redor do sol.

       Trata-se de um jardim de círculos concêntricos que respeitam a agricultura ecológica. Um dos seus princípios é: copie o desenho da natureza. Como nela tudo é arredondado, os canteiros retos foram reformulados. Numa mandala trabalham-se os conceitos em que as plantas têm preferências e escolhem as companheiras com as quais se dão bem, o que lhes permite ajudarem-se em defesa contra os insetos e doenças e aproveitarem melhor os nutrientes contidos no solo. Os plantios circulares, diferentes dos desenvolvidos pela agricultura convencional, permitem às plantas se ajudarem mutuamente, trabalha-se os conceitos de cortinas quebra ventos, de plantas repelentes a insetos, de plantas melíferas e uma série de segredos que a natureza nos ensina e que também colaboram com a recuperação da biodiversidade e o controle ecológico de insetos pragas assim como de doenças e plantas invasoras.

         Hortas de formato circular ainda não são muito comuns, embora a idéia de fazê-las assim tenha mais de 30 anos. Ganhou atenção na década de 1970, com o movimento de permacultura, criado pelo ambientalista Bill Mollison, na Austrália. Ele preconizava outra forma de dispor as espécies vegetais, mais de acordo com o ecossistema.

          O sistema mandala vem revolucionando a vida de agricultores familiares. A nova forma de cultivo faz parte da vida de mais de três mil pessoas que vivem em 50 cidades de 12 estados brasileiros. Com a crescente preocupação envolvendo a natureza, esse conceito adquire fôlego novo e se espalha entre os agrônomos. Esse tipo de horta economiza água, trabalha com a diversidade de plantas, aproveita melhor o espaço, usa apenas fertilizantes orgânicos e poupa o solo. Além disso, horta pode ser um meio de complementação da renda familiar. Pode-se ter um tanque de irrigação no centro. Por meio de linhas de drenagem, a água escorre para o meio e é recaptada para o sistema.

        A mistura de espécies tem um papel fundamental.  Quanto maior a diversidade delas, maior o equilíbrio ambiental e menor o índice de pragas e a necessidade de intervenção. Para isso, é necessário observar o que dá e o que não dá na região. Há plantas companheiras e outras que não se toleram. A rotatividade de plantas contribui para a saúde do solo. Cada espécie precisa mais de um determinado nutriente. Se plantarmos sempre a mesma coisa, logo o solo vai se esgotar nesse nutriente. Se alternarmos espécies, ele permanece rico. O sistema tem até nove círculos concêntricos de dois metros de largura. Os três primeiros círculos servem ao plantio de hortaliças. Os próximos cinco, para culturas diversas. E o último canteiro serve à proteção ambiental, podendo receber plantas nativas, medicinais ou frutíferas.

            A horta mandala prevê ainda a inclusão de animais. Se for construído um tanque de água no centro, é possível introduzir peixes e galinhas em cercados ao redor. Dos animais, utiliza-se o esterco como fertilizante. E o ciclo de sustentabilidade continua seu caminho.

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Modelo de Mandala

Sistema sugerido pela Agência Mandalla

             Com custo de 1.250 reais esta mandala deve ser implantada em área de 2,5 mil metros quadrados, podendo ser feita em dois dias. Não é necessário construir todos círculos de uma vez. Trabalhe o primeiro até estar todo cultivado e aí prossiga ao segundo até chegar ao último. As quantidades de materiais para a construção variam segundo o diâmetro das esferas. A primeira tem 31,4 metros de mangueira e a última, 131 metros.

Material

Para montar o reservatório e o sistema de distribuição de água são necessários:

• 6 sacos de cimento
• 36 sacos de areia
• 40 metros de tela de galinheiro fio 22 de 1,45 metro de largura
• 30 metros quadrados de tijolo
• 1 litro de cola branca comum
• 1 bomba submersa de dois mil litros/hora com saída 3/4 (33 milímetros)
• 1,8 metro de mangueira 3/4 (33 milímetros)
• 5 metros de arame número 18
• 1 sistema aranha, com seis saídas, entrada de 3/4 e rosca interna
• 1 adaptador 3/4 de polegada
• 6 caibros de quatro metros
• 1 metro de ferro de cinco milímetros de espessura
• 6 mangueiras de 32 milímetros, com 22 metros cada

Para fazer os canteiros são necessários:

• 726 metros de mangueira de 16 milímetros
• 54 junções em Y de 16 milímetros cada
• 54 válvulas cilíndricas de 16 milímetros cada
• 12 caixas de cotonete com 75 unidades cada
• 365 piquetes de madeira de 50 centímetros de comprimento
• 1 metro de arame número 18

Montagem

1º passo: Para construir o reservatório, crave no centro do terreno uma estaca de 50 centímetros e amarre a ela uma corda de três metros. Na outra ponta, coloque um pedaço de madeira e trace um círculo. Escave essa área demarcada como se fosse um funil. O centro deve ter 1,85 metro de profundidade e uma “cuia” onde será colocada a bomba submersa.

2º passo: Na borda do reservatório, faça calçada de 50 centímetros de largura por um metro de altura, colocando uma fileira de tijolos para dar suporte ao vértice de sustentação da bomba.

3º passo: Coloque a tela de galinheiro nas paredes do reservatório, preocupando-se em trançar cada peça. Para prendê-la, use arame farpado. Prepare argamassa com um saco de cimento e seis de areia, rebocando todo o buraco, a borda e a calçada. Após secar o cimento, impermeabilize tudo com cola branca. Espere secar e encha o depósito com água.

4º passo: Faça em cada caibro um furo a cinco centímetros de uma das pontas. Pegue o ferro de cinco milímetros e passe-o pelos buracos, unindo as peças de madeira. A estrutura ficará em formato de pirâmide e deve ser apoiada na borda do reservatório. Coloque no topo o sistema aranha. Embaixo, a um palmo da água, coloque uma isca luminosa. Ela atrairá insetos que servirão de alimento para os animais criados no reservatório.

5º passo: Coloque a bomba submersa no fundo do reservatório. Ela deve ser conectada ao sistema aranha com o pedaço de 1,8 metro de mangueira 3/4 e o adaptador de 3/4 de polegada. Para a instalação elétrica, siga atentamente as instruções do fabricante. Nas seis pernas da aranha fixe as mangueiras de 32 milímetros, que serão linhas mestras por onde a água passará até chegar aos canteiros.

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6º passo: Em cada canteiro insira uma junção em Y nas linhas mestras. Ponha válvulas em uma ponta da peça. Nas outras duas coloque as mangueiras dos círculos, que devem ser presas com arame nos piquetes de madeira.

7º passo: A distribuição da água nos canteiros é feita por microaspersores. Para fazê-los, pegue os cotonetes, coloque-os de molho na água e tire o algodão das hastes. Aqueça uma das pontas e aperte com o alicate. Pelo outro lado, insira um pedaço de arame. Faça pequeno corte transversal na haste até tocar o arame, retirando-o em seguida. Fure a mangueira e instale o microaspersor. Não coloque mais de 28 cotonetes por canteiro para não sobrecarregar o sistema.

8º passo: A água também pode chegar às plantas por gotejadores. Faça um furo no meio de uma tampa de garrafa PET para passar um cotonete com pedaço de cinco centímetros de arame. Faça uma curva na ponta do fio que ficará do lado de fora da garrafa. Feche a tampa. Monte tripé com gravetos para dar suporte ao vasilhame. Corte o fundo da garrafa.

Galeria:

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Por Lucian Grillo

Referências:

http://maonaterra.blogspot.com.br

http://redeagroecologia.cnptia.embrapa.br/boletins/hortalicas/producao%20de%20hortalicas%20em%20mandalas.pdf