Nada sei…

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O que sei da vida? O que sei de mim? Se nada sei sei da vida, como saber de mim? Passo a noite sem dormir à procura da poesia… Por que necessito ir em busca da poesia se a noite é quem escreve meus versos?

Ando esquecendo de mim… Não basta lembrar-me de mim para saber quem sou. Preciso ser. Ser o riacho, o fio d’água correndo entre as pedras, ser o canto, o recanto! Preciso ser a poesia de uma dança ritmada, de palavras suadas, costuradas em feixes de sonhos.

Mas não sou poeta… Não sei o que sou! Se eu fosse poeta certamente eu saberia! De mim sei apenas que gosto de voar!

Alda Alves Barbosa

Imaginário

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Frase de Manoel de Barros

Tarde chuvosa. Quero crer que dormi demais porque chovia. A natureza chorou para que eu pudesse descansar do mundo dos vivos. Muita pretensão! Não importa. Morri e ressuscitei. Ressuscitei? Acho que sim. Tenho o DNA da imaginação e por isso viajo pelas mãos dela. Todos os sentimentos que tive e tenho foram direcionados pelo imaginário.

E por isso tenho à minha mão todas as janelas que necessito: choro, rio, amo, desamo, morro, ressuscito… tudo obra do imaginar! Janelas benditas, malditas, mas janelas necessárias para que os relâmpagos risquem os céus, os trovões ecoem pelas montanhas, o céu chore lágrimas que eu não pude chorar! Janelas necessárias para que o vento passe e eu possa ir com ele para mundos desconhecidos… Janelas necessárias para que vá a procura da vida! Às vezes eu a perco! Mas tenho todas as janelas abertas para ir à sua procura .

Nem sempre a encontro. Deixo-a em paz. Sei que ela está necessitando desse afastamento para que seus sentidos, quase sempre em ebulição, descansem dessa energia que pulsa numa inquietação aterradora. Cavalgada alada!

Mas sinto falta dela… Horas longe da vida… dias que vivo sem ela são dias vazios, ocos, entardecidos. Perder-me de minha vida é perder a razão “de ser.” E por que desejo estar viva procuro-a nas asas dos sóis, das luas, nas noites mal iluminadas.

E encontro-a… para depois perdê-la!

Alda Alves Barbosa

Inventando mundos

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Entardecendo e eu aqui deitado ocupando um pequeno espaço da cama.Livros… livros… canetas (coisa antiga) e papéis ocupam o espaço maior; são meus companheiros de todos os instantes.

Acordei para viver a mesma vida dos ontens. Acordei e o verão já está quase apagando. O sol, luz irradiante, dará lugar ao outono sombrio. Poucas árvores e pequenos tapetes de folhas amarelecidas… Tenho um tapete para sonhar! Sim, sonhar… Para mim a noite foi tecida para os sonhos. Sonhos profundos e inúteis que não passarão de devaneios inúteis. Passei dias embrulhado nos sonhos! Janelas fechadas, mas sentindo o perfume e o silêncio da noite.

Hora de emergir, de arrumar as prateleiras e organizar meus espaços. Hora de abraçar um raio de luar, de procurar estradas levando nas mãos a caneta, o lápis, folhas de papel e inventar mundos. Ou sonhar mundos?

Assim é minha vida… assim são minhas mortes… e é assim que eu ressuscito.

Alda Alves Barbosa

Hipóteses

luz na escuridão
Choveu à tardinha
e a noite chegou sem
o fulgor do sol.
No escuro uma luz
brilha distante;
ali mora alguém
solitário… ou não.

Mas sei que aquela
luz me atrai… Talvez
porque o distante não
está próximo e suscita
em mim interrogações.

Ali moram pessoas ou
apenas um ser triste…
alegre… livre… aprisionado
em si mesmo… com fomes de
tudo ou sem fome alguma.
Tantas suposições onde uma
luz brilha distante!

Certamente o que está ali é real;
é a vida e seus respiros. O que
vem depois são hipóteses de
uma vida a procura de outras
vidas para significar.

Alda Alves Barbosa